quinta-feira, 27 de março de 2014

Viva - uma poesia infantil














Viva a alegria, de despertar a vida.
Sentir e emocionar, a alegria do encantamento,
e viver para amar e amar.
Sinta a brisa aconchegante,
o calor de um abraço,
o poder de um sorriso.

Jéssica T. Beier
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Comentário: A Jéssica (minha filha mais velha, com 10 anos) começou a escrever pequenas poesias. De vez em quando postarei algumas delas, como bom pai coruja...

sexta-feira, 21 de março de 2014

Ser ou não ser... liberal demais?


Dando uma olhada na estante...














Achei este texto interessante e postei para você desacelerar um pouco e saborear um bom livro! (F. Beier

A velocidade da internet nos fez desaprender a arte da leitura. É preciso redescobri-la. Quando abandonamos as distrações digitais e lemos um livro com calma, mesmo que por pouco tempo, cultivamos algumas habilidades fundamentais que corremos o risco de perder.

Para quem está destreinado, reacostumar-se à leitura lenta ou praticá-la pela primeira vez pode dar trabalho. Não há motivo para preocupação. Os livros – sempre eles – podem ajudar. São incontáveis os autores que pretendem nos ensinar a ler melhor. Entre eles, o crítico literário americano David Mikics é o que mais chamou minha atenção, com seu livro recém-lançado Slow reading in a hurried age (A leitura lenta numa era apressada).

O título explica tudo – perfeito para quem quer capturar a atenção de leitores apressadinhos. Ao longo de 336 páginas, Mikics defende os benefícios da leitura lenta e se propõe a ensiná-la. É a mais apaixonada declaração de amor aos livros que li nos últimos tempos. Na coluna de hoje, divido algumas de suas dicas para quem quer abandonar a pressa.

1. Saiba por que você está lendo

Ninguém lê um livro apenas para passar o tempo. Na internet, no celular ou na tela da televisão, não faltam outras opções mais atraentes e acessíveis para quem quer relaxar nas horas vagas enquanto o sono não vem. Ler um livro é uma atividade diferente de todas elas. Lemos porque estamos procurando respostas para algo – talvez uma pergunta que ainda não tenhamos feito. Pense nisso. Ler sem motivo é uma receita infalível para ler mal. Antes de começar um novo livro, tente responder a essa questão simples: o que você espera tirar dessa leitura? É uma maneira de escolher melhor os livros que lemos – e de garantir que a pergunta será respondida.

2. Fuja da microleitura

Engana-se quem diz que a televisão é a principal inimiga dos livros. A maior distração dos leitores, hoje em dia, é a própria leitura. Dedicamos a maior parte de nosso tempo na internet a uma leitura fragmentada, superficial, com péssimos índices de compreensão e retenção. Você pode passar o dia inteiro lendo posts no Facebook e notícias curtas em portais. Daqui a um mês, não se lembrará de nada. Repetir esse comportamento por um longo prazo é matar a mente de inanição. “Não dá para viver dessa dieta”, diz Mikics. “Até para ler apenas uma página de literatura de verdade é preciso ter tempo para refletir.”

3. Aprenda a perder

Um dos erros mais comuns entre apaixonados por livros é não respeitar seus próprios limites. A lista de leituras pendentes é interminável e não há tempo a perder. Mal viramos a primeira página e já pensamos em acabar a história, e no próximo livro que leremos em seguida. Com isso, a leitura passa a ser uma fonte de estresse. A vontade de terminar o livro é tão grande que não somos capazes aproveitá-lo. Reconhecer que não conseguiremos ler tudo o que queremos é fundamental para aproveitar a leitura. “Como você lê importa muito mais do que quanto você lê”, diz Mikics. Ler cinco livros com prazer é muito melhor do que ler cinquenta sem refletir sobre eles.

4. Respeite o autor

Você pode até não perceber, mas a internet se molda às suas vontades. Seus amigos nas redes sociais provavelmente pensam como você. Algoritmos do Google e do Facebook selecionam e exibem o conteúdo que tem mais chances de agradar alguém com o seu perfil. Você pode passar um dia inteiro na internet sem encontrar alguém que tenha bons argumentos para discordar de suas opiniões. Ler um livro, pelo contrário, é um exercício permanente de questionar convicções. É deixar de ser protagonista para ser ouvinte. Na leitura, a opinião do autor é muito mais importante do que a do autor. É preciso deixar as preferências pessoais de lado para entender um livro por completo, mesmo que discordemos dele. Só quem aprende a ouvir e aceitar opiniões diferentes conseguirá aproveitar a leitura.

5. Desconfie do autor

Endeusar um autor pode ser ainda mais perigoso do que rechaçá-lo logo de cara. Qualquer livro, mesmo os grandes clássicos, é cheio de idiossincrasias típicas de qualquer obra humana. Analisar as escolhas do autor e fazer perguntas sobre elas é uma maneira de dar ainda mais profundidade à leitura. O que cada personagem representa? Por que o livro termina da maneira como termina? O que mudaria se a história se passasse nos dias de hoje? Alguma das opiniões do autor seria considerada polêmica ou inaceitável atualmente? Condenar o autor é injusto e inútil, mas fazer perguntas desse tipo é um passo importante para garantir que tiraremos o melhor de cada livro.

6. Imagine novas histórias

Para terminar um livro, o autor é obrigado a tomar decisões. Das inúmeras de histórias diferentes e contraditórias imaginadas por ele, apenas uma chega ao leitor na história publicada. Por que ela foi escolhida? Por que a trama não se desenrolou de outra forma? As perguntas parecem infantis, mas são um passo essencial para quem quer entender melhor o autor. Pense nas maneiras diferentes como o livro poderia ser escrito. Imagine histórias paralelas e tente se colocar na cabeça do escritor que decidiu descartá-las. Ralph Waldo Emerson escreveu uma bela frase sobre o assunto: “Assim como existe a escrita criativa, existe a leitura criativa.” O que não está no livro pode ser tão estimulante quanto o que chegou às páginas da versão final.

7. Viva com o livro

“Olhar para um tweet demora alguns segundos; entender um romance demora dias, às vezes semanas”, diz Mikics. Pela sua natureza, o livro é algo que nos acompanha no dia a dia, mesmo quando não estamos diante de suas páginas. Pensar num livro quando estamos longe dele é uma parte indispensável da leitura lenta. Leve seu livro para passear, ainda que mentalmente. Lembre-se dele nas situações mais inusitadas do cotidiano. Se você tiver sorte, isso mudará algo na sua forma de ver o livro (ou a vida). Um tweet dificilmente teria esse efeito.

8. Repita até aprender

Com tantos livros para ler em tão pouco tempo, a releitura poderia ser vista como um pecado a ser evitado a todo custo. Na prática, ela é essencial. Mikics recomenda que todos os leitores tenham uma prateleira de livros favoritos e releiam ao menos partes deles com frequência. Cada leitura é uma redescoberta. Uma das mais verdadeiras frases sobre esse hábito foi escrita pelo romancista Robertson Davies: “Um livro verdadeiramente grandioso deve ser lido na juventude, na maturidade e na velhice, da mesma forma que um prédio bonito deve ser visto de manhã, ao entardecer e à luz da lua.”

9. Encontre sua próxima leitura

Uma boa leitura pode ser definida como uma conversa franca entre leitor e escritor. Quando embarcamos nela, é comum entreouvirmos, à distância, diálogos entre o autor do livro e outros autores. Um leitor curioso não deve perder a chance de acompanhar essas conversas. Um bom livro serve como porta de entrada para uma infinidade de outros, igualmente valiosos.

10. Reavalie sua vida

A experiência da leitura, segundo Mikics, é comparável a uma visita a um país estrangeiro. Podemos nos comportar como turistas impacientes, que estranham quaisquer novidades e não veem a hora de chegar em casa. Mas é muito mais recompensador aprender com as diferenças culturais, aceitá-las, descobrir um novo universo e reavaliar sua vida com base nessas descobertas. Cada livro é um país desconhecido. “Aproveitar ao máximo a viagem a esse novo território significa se render os sons e paisagens do lugar, mantendo-se alerta a todas as suas surpresas. Só depois você pode julgar o que viu”, afirma o autor. Cada nova leitura é uma chance de escolher se seremos viajantes curiosos ou turistas apressados. Nunca é tarde para aproveitar a viagem.

Fonte: Época por Danilo Venticinque

Apenas uma pedra



 
 
 
 
 
[Davi] enfiou a mão na sua sacola, pegou uma pedra e com a funda a atirou em Golias. A pedra entrou na testa de Golias, e ele caiu de cara no chão. 1 Samuel 17:49.

     O que parecia impossível aconteceu. O gigante Golias estava caído ao chão, derrotado. Gritos de triunfo ecoaram pelo ar. E tudo porque Deus decidiu guiar uma pequenina pedra. Não parece irônico? Uma pedrinha derrubou um gigante de quase três metros.

     Isso nos ensina que para Deus não há dificuldade que não possa ser vencida, nem problema que não possa ser resolvido. Ele tem todo o poder em Suas mãos. E, além disso, tem também uma maneira toda peculiar de executar Seus planos.

     Existe um episódio da vida de George Müller que demonstra como Deus age nas impossibilidades humanas. Müller nasceu em 1805 e ficou conhecido como o homem que sempre tinha as orações respondidas. Ele fundou um orfanato em 1836, em Bristol, e nunca pediu recursos a ninguém, exceto a Deus. Dizem que Müller conseguiu em meio século a cifra de vinte milhões de dólares em doações. Tudo através das orações.

     Certa vez, o Dr. A.T. Pierson foi hóspede no orfanato de George Müller. Uma noite, depois que todos se deitaram, Müller convidou Pierson para orarem juntos, pois havia acabado toda a comida do orfanato. Pierson pensou no comércio que ainda não havia fechado. Contudo, Müller teve de lembrá-lo de que todo dinheiro também tinha acabado. Oraram e foram dormir.

     No dia seguinte, para surpresa de Pierson (mas não para Müller), a alimentação foi entregue para 2.000 crianças, vindas de uma pessoa que não quis ser reconhecida. Essa pessoa perdeu o sono durante a noite e, impressionada, mandou que levassem alimentos suficientes para suprir o orfanato por um mês. E o mais interessante: essa pessoa nada sabia das orações de George Müller e do Dr. Pierson.

     Müller costumava dizer: “Para que a nossa fé se fortaleça, é necessário que deixemos Deus agir por nós ao chegar a hora da provação, e não procurar a nossa própria libertação. Se o crente desejar grande fé, deve dar tempo para Deus trabalhar”.

 
Fernando Beier

sexta-feira, 14 de março de 2014

Jesus, fé e o escrito de dívida


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz”.
Colossenses 2:14.
 
     
       O texto bíblico fala de um “escrito de dívida”. Afinal, o que é um “escrito de dívida?” Nos tempos bíblicos, significava um certificado de dívida assinado pelo devedor e cancelado somente depois de ele pagar a dívida. Parecido com o que hoje chamamos de promissória.

       Durante uma das tréguas no cerco a Plevna, Bulgária, no verão de 1877, o Czar Nicolau II estava fazendo uma ronda em seu acampamento, quando encontrou um jovem oficial que havia adormecido junto à mesa em que estivera escrevendo uma carta para sua esposa. Espiando por sobre os ombros do jovem, o imperador leu acerca da aflição daquele oficial por causa da impossibilidade de liquidar suas obrigações financeiras. “Quem vai pagar minhas dívidas?”, escrevera ele, em desespero. Tomando então a pena sobre a mesa, o czar escreveu: “Eu pagarei – Nicolau II”. Qual não foi a surpresa do jovem oficial quando acordou e leu a promessa do imperador.

       O soberano do universo fez a mesma coisa conosco. Cancelou nossa dívida de pecado, pagando o preço na cruz. O “escrito de dívida” que a que se referiu o apóstolo Paulo não era a Lei moral e sim as leis cerimoniais.

       As leis cerimoniais foram dadas por Deus ao povo de Israel com o objetivo de manter vívido na mente de cada um a realidade futura – a vinda de Jesus a este mundo para morrer pelo pecador.

       Para entender melhor, devemos relembrar as festas que os Hebreus tinham em seu calendário. Eram sete festas:

1)       A Páscoa – Era a primeira festa do calendário hebreu. Celebrada no primeiro mês, no dia quatorze. A palavra “Páscoa” significa “passar por cima”. Foi instituída no Egito, antes do livramento do povo de Deus. O anjo do Senhor passou por cima das casas que tinham o sangue do cordeiro, poupando os primogênitos. A páscoa era um símbolo da morte de Jesus. Ninguém deveria trabalhar nesse dia.

2)      Pães Asmos – Acontecia no dia seguinte à páscoa. “Pão asmo” significa “pão sem fermento”. O fermento é símbolo do pecado. Neste dia, ninguém deveria comer algo fermentado e nem trabalhar. A festa dos pães asmos era um símbolo dos seguidores de Jesus.

3)      As Primícias – Ocorria no dia 16 do primeiro mês. As primícias eram os primeiros frutos da colheita oferecidos ao Senhor. A festa das primícias simbolizava a ressurreição de Jesus.

4)      O Pentecostes – A palavra “pentecostes” quer dizer “cinqüenta dias depois”. Comemorava-se cinqüenta dias depois das primícias, ou seja, o dia seis do terceiro mês. Simbolizava o derramamento do Espírito Santo. O pentecostes relatado no livro de Atos ocorreu 50 dias após a ressurreição de Jesus.

5)      As Trombetas -- Ocorria no primeiro dia do sétimo mês. Era o dia de anunciar outro dia importante: O dia da Expiação. Simbolizava a primeira Mensagem Angélica, detalhada no livro de Apocalipse, capítulo 14.

6)      A Expiação – Era um dos dias mais solenes para o povo de Israel. No dia 10 do sétimo mês acontecia a purificação do Santuário. O povo deveria deixar o trabalho e afligir sua alma a Deus. Simbolizava o início do Juízo de Deus no Santuário Celestial em 1844.

7)       Os Tabernáculos – Acontecia no dia 15 do sétimo mês. Era também conhecida como “festa da alegria”, pois nesse dia (cinco dias após o dia da expiação) todos comemoravam o livramento da presença do pecado no meio do arraial. Simbolizava a volta de Jesus.

       Essas eram as sete festas deixadas por Deus aos Hebreus. Junto com o ritual do Santuário, constituíam a cultura religiosa do povo de Israel. Lembrando de um detalhe importante: Todos os dias citados eram de santa convocação. Ninguém trabalhava em tais dias. Eram chamados de “sábados”, pois a palavra “sábado” significa “repouso, descanso”. Nós chamamos tais dias hoje de “Sábados cerimoniais”.

       Diz o apóstolo Paulo que todos estes ritos e festas foram “cravados na cruz”. Com a morte de Jesus, iniciou-se no calendário de Deus o cumprimento real do que era apenas um símbolo ou sombra. A cruz foi o centro do plano redentor de Deus.

       E a Lei de Deus, os Dez Mandamentos? Bem, depois de compreender os ritos e festas religiosas hebraicas, fica claro que a Lei de Deus continua intocável, eterna. Os dez mandamentos não foram “dados” ao povo de Israel. A lei já existia antes mesmo de nascer o primeiro homem neste planeta. Basta lembrar que o sábado foi estabelecido na semana da criação.

       Mas se os Dez Mandamentos não foram abolidos e nós somos salvos pela fé em Jesus, qual a função da Lei hoje? Bem, a Lei mostra minha necessidade de salvação. Tomemos como exemplo o problema do tabagismo. A propaganda antitabagista nos dias de hoje atinge praticamente todas as classes. A ciência tem comprovado que o cigarro mata lentamente. Mesmo assim, o número de fumantes aumentou nos últimos anos. As pesquisas indicam que as pessoas estão fumando cada vez mais cedo. Ou seja, a simples informação não é suficiente para fazer as pessoas pararem de fumar. Os fumantes só conseguem deixar o cigarro com ajuda médica ou psicológica.

       A Lei funciona mais ou menos da mesma forma. Ela mostra minha situação como pecador, apontando para a única solução que é Jesus. É como um espelho, onde posso ver minhas imperfeições e descobrir que preciso de ajuda.

       É importante entender que ninguém vai ser salvo por tentar guardar a lei, e ninguém vai se perder porque não conseguiu obedecê-la. A verdadeira fé é operante. Paulo afirma que “o cumprimento da Lei é o amor” (Rom. 13:10), e Jesus afirmou: “Se me amardes, guardareis meus mandamentos”. (João 14:15).

       Portanto, a obediência aos mandamentos de Deus vem como resultado de minha comunhão com Ele.

       Certa vez, um funcionário, cristão, foi chamado ao gabinete do dono da empresa:

       -- Estamos reestruturando a empresa e necessitamos de uma pessoa do seu tipo param ocupar a gerencia de um setor. Analisamos sua ficha e verificamos que só há um problema com você. O cargo é incompatível com sua fé. De modo que você terá de fazer uma opção entre seu emprego e sua religião. Vá para casa e daqui dois dias você me dá a resposta.

       O cristão voltou para casa confuso. De um lado, almejava o novo cargo. Afinal de contas, era a grande chance de sua vida. Por outro lado, e sua fé? E os mandamentos de Deus? Seu coração virou um campo de batalhas. Mal dormiu nas noites que antecederam a entrevista.

       Quando chegou o dia da resposta, ele foi bem cedinho para a empresa, num misto de nervosismo e ansiedade.

       Finalmente o chefe o chamou:

       -- Muito bem, já tomou a decisão?

       -- Acho que vou aceitar a proposta que me fez.

       O patrão nem levantou a cabeça. Suspirou e disse:

       Então pode passar no Departamento Pessoal e pedir suas contas. Você está despedido!

       -- Mas... foi o senhor mesmo que me fez a proposta!

       -- Sim. Mas se você foi capaz de trair o seu Deus tão rapidamente, quem me assegura que você não vai trair a mim e minha empresa.

       E o professo cristão foi embora.

       Quando olhamos para a cruz e o tamanho do sacrifício de Jesus para nos salvar, como poderemos deixar de fazer Sua vontade?


Fernando Beier
      

 

terça-feira, 11 de março de 2014

A mão de um Projetista













A criatividade da natureza não tem limites. Considere, por exemplo, o caso do morcego nectarívoro e a trepadeira de floração noturna cujas vidas se entrelaçam nas planícies de floresta tropical da América Central. O Glossophaga commissarisi, um minúsculo mamífero alado de corpo menor do que um polegar, paira entre as flores da Mucuna holtonii, sugando néctar como fazem beija-flores e abelhas. Em troca, ele poliniza a planta. Durante o dia, flores podem ostentar seus atributos através de cores fortes como escarlate e fúcsia. Porem, à noite, quando mesmo os matizes mais intensos esmaecem e ganham os tons prateados do luar, as flores da Mucuna recorrem ao som para se fazerem ouvidas por morcegos nectarívoros. Na Estação Biológica de La Selva, na Costa Rica, uma antiga e resistente Mucuna teceu um pergolado de folhas sobre uma clareira na mata, do qual surgem dezenas de flores em longos e verdes pedúnculos. As flores balançam a uma altura vertiginosa na abóbada de folhas, como lustres em um salão sombrio. Cada inflorescência de um palmo de comprimento é um verticilo amarelo claro, do qual surgem botões em forma de vagem com hastes arqueadas.

No início da noite, os botões da trepadeira se preparam para os morcegos. Primeiro, a pétala verde superior que recobre cada botão abre verticalmente, erguendo-se sobre o botão como um farol brilhante. Abaixo dessa pétala, duas pequenas pétalas laterais se abrem, revelando uma abertura no topo da vagem. A fenda exala um odor leve e sedutor de alho, um sinal de longa distância que atrai os servos alados da Mucuna em sua área de alcance.
 
Morcegos usam altas frequências como uma ferramenta. Com suas cordas vocais, eles emitem ruídos curtos e rápidos por suas narinas ou bocas, modelando as ondas sonoras e interpretando as mudanças de padrão no som que é refletido de volta até seus sensíveis ouvidos. A informação recebida é processada de forma ágil e contínua, permitindo que os morcegos ajustem seu percurso em pleno voo enquanto perseguem um mosquito ou revoam com velocidade entre árvores floridas.
A maioria dos morcegos se alimenta de insetos e utiliza ondas poderosas e de longo alcance, propagadas a cada elevação de suas asas. Morcegos nectarívoros emitem sons suaves, mas sofisticados, aos quais cientistas se referem como frequência modulada. Essas ondas priorizam os detalhes em detrimento da distância. Com maior eficiência em um raio de quatro metros, elas refletem imagens com informações precisas sobre tamanho, formato, posição, textura, ângulo, profundidade e outras características que só o morcego pode interpretar.
 
No sombreado salão da Mucuna em La Selva, a pétala sinalizadora em formato de cuia funciona como um espelho, recebendo as emissões dos morcegos e respondendo-as com dados claros e precisos. Com visão, audição e olfato treinados para mirar na pétala, o morcego agarra a flor em um abraço veloz.
 
O encaixe é perfeito. O morcego posiciona sua cabeça na abertura curva, segura a base da pétala com seus polegares, recolhe sua cauda e ergue as patas traseiras rapidamente. Segurando-se na vagem, ele introduz seu focinho na abertura odorífera. A longa língua do morcego desfere um golpe oculto, explodindo a vagem. Enquanto ele se aconchega no néctar da flor, as anteras antes comprimidas emergem de dentro da estrutura, lançando uma camada de pólen dourado sobre a parte posterior do morcego.
 
Depois de explodir e esvaziar dez botões, os morcegos se vão. Seu metabolismo de alta octanagem e sua parca dieta à base de água adocicada não lhe permitem delongas: cada morcego visita centenas de flores a cada noite.
 
Com seu mecanismo explosivo e uma generosa oferta de néctar, a Mucuna holtonii está entre as raras flores que permitem o pouso desses animais (morcegos podem esvaziar as flores de espécies menos opulentas pairando sobre elas por dois décimos de segundo).
As cerca de 40 espécies da subfamília Glossophaginae são a esquadrilha de elite dos morcegos nectarívoros. Elas pertencem à família dos morcegos de nariz-de-folha do Novo Mundo, nativos dos trópicos e subtrópicos do hemisfério ocidental. Os ornamentos apresentados na região nasal oferecem um ajuste fino às sofisticadas emissões de ecolocalização dos animais.
 
Os morcegos nectarívoros desenvolveram uma parceria benéfica com certas famílias de plantas floríferas, definida por biólogos como quiropterofilia – de Chiroptera, a ordem dos mamíferos a que o morcego pertence, e philia, “amor” em grego. Contudo, essa não é uma história romântica. A razão de ser desse relacionamento não está na paixão, mas sim nas questões básicas da vida: sobrevivência e reprodução.
Trocar néctar por polinização é uma transação delicada e que traz um dilema para a planta. Para plantas de floração noturna, é interessante que a oferta de néctar seja econômica, pois morcegos bem alimentados visitam menos flores. Por outro lado, se a planta oferecer muito pouco, o morcego prestará seu serviço em outro local. Ao longo dos milênios, as plantas polinizadas por morcegos desenvolveram uma solução interessante [sic]: elas driblaram o problema da quantidade (e da qualidade) de néctar ao investirem na maximização da eficiência das visitas dos morcegos.
Assim, plantas que florescem à noite expõem suas estruturas em posições de destaque, acessíveis durante o voo – fáceis para os morcegos encontrarem e se alimentarem e longe do alcance de predadores arbóreos como cobras e gambás. Elas incrementam o odor de suas flores com compostos sulfúricos, um estímulo de longa distância irresistível para morcegos nectarívoros (mas não para humanos – o perfume dessas flores já foi descrito como algo pavoroso, lembrando repolho, couve-rábano e alho, ou ainda o cheiro de umidade, folhas caídas, leite azedo, urina podre, gambá, cangambá, carniça e cadáver).
 
A trepadeira Mucuna e algumas outras plantas vão mais além. Elas modelam suas flores de modo a se fazerem ouvidas pelos morcegos.
 
Até 1999, ninguém fazia ideia de que plantas utilizam certas formas que refletem o som para facilitar a visita dos morcegos. Naquele ano, os biólogos alemães Dagmar e Otto von Helversen, da Universidade de Erlangen, estudavam acústica nos morcegos de La Selva. Lá, Dagmar percebeu que a pétala sinalizadora da Mucuna era incrivelmente semelhante a um localizador – um claro sinal acústico, o equivalente sonoro da luz de um farol. Testes em campo com pétalas modificadas da Mucuna confirmaram a teoria.
 
Depois da observação, os von Helversen iniciaram uma investigação mais abrangente sobre os ecos das flores, usando uma colônia de morcegos de cativeiro em seu laboratório em Erlangen. Sob a supervisão do casal, o então assistente de pesquisa Ralph Simon treinou os morcegos para se alimentarem de néctar em bebedouros de diversos formatos, que foram posicionados aleatoriamente. As formas arredondadas e rasas se mostraram mais fáceis de serem localizadas pelos animais.
 
Em seguida, Simon descobriu essas formas em flores naturais, incluindo uma espécie com sinalizadores em formato de prato que ele identificou pela primeira vez em uma revista sobre natureza (as estruturas florais rechonchudas, vermelhas e repletas de néctar confundiram os editores, que pensaram se tratar de uma fruta). Intrigado, ele viajou até Cuba, onde a flor havia sido fotografada. Rastejando em uma floresta à noite, sozinho, o entusiasmado cientista viu morcegos bebendo néctar enquanto as flores os recobriam com seu pólen dourando, confirmando suas suposições.
 
Uma folha em forma de prato realmente ajuda os morcegos a localizarem a flor mais facilmente? De volta ao laboratório, Simon descobriu que posicionar uma réplica da folha em forma de prato sobre o bebedouro reduzia o tempo de busca dos morcegos pela metade. Já a réplica de uma folha plana e inalterada sobre um bebedouro não marcado gerava um aumento relevante no tempo de busca.
 
“Uma folha plana normal reverbera a onda uma única vez”, explica Simon, “mas a folha em forma de prato retorna ecos mais intensos, múltiplos e em ângulo bastante amplo, enquanto o morcego se aproxima. É como um localizador de verdade, pois seu eco tem um timbre especial, que se destaca tal qual uma flor colorida em meio à vegetação verde”.
 
Já pós-graduado, Simon foi adiante e construiu uma cabeça de morcego robótica e móvel, instalando um pequeno alto-falante ultrassônico e dois receptores no triângulo formado pelo nariz e orelhas do animal. Ele disparou sons complexos de frequência modulada similares aos do morcego nectarívoro através do nariz robótico, direcionou-os a flores fixadas em um suporte rotatório e gravou seus ecos nas orelhas eletrônicas. Assim, ele colheu as “assinaturas” ecoacústicas das flores de 65 espécies de plantas com flores polinizadas por morcegos. Cada flor testada por Simon possuía uma “impressão digital” única e evidente.
 
De modo geral, Simon percebeu que as flores visitadas por morcegos compartilham diversas adaptações sonoras [sic]. Todas elas possuem superfícies cerosas altamente capazes de refletir o som e seus tamanhos e formatos são extraordinariamente consistentes de amostra para amostra. Usando as identidades de 36 flores de 12 espécies como base de comparação, Simon (que a essa altura já havia concluído seu doutorado) escreveu um programa que classificou 130 novas flores quanto à sua espécie, baseando-se somente no som. O programa confirmou aquilo que os morcegos já sabiam há muito tempo: algumas flores falam o idioma deles.
 
Por que as plantas investem tanto na atração e recompensa desses morcegos? De acordo com Simon, “é porque morcegos são os polinizadores mais eficazes”. “Eles valem o esforço”.
 
Um estudo de 2010 conduzido pelo ecologista evolucionário Nathan Muchhala, na Universidade de Missouri (St. Louis), comparou beija-flores e morcegos e constatou que, em média, a distribuição de pólen realizada pelos mamíferos era dez vezes maior. Além disso, os morcegos carregam o pólen por longas distâncias. Estima-se que beija-flores sejam capazes de distribuir pólen em um raio de cerca de 200 metros. O maior viajante entre os morcegos nectarívoros, o Leptonycteris curasoae busca alimento a até 50 quilômetros de seu abrigo. Para plantas de florestas tropicais, que frequentemente se encontram dispersas, a área de ação do morcego representa uma grande vantagem. Essa polinização de longo alcance vem se tornando cada vez mais importante, à medida que as florestas estão se tornando mais e mais fragmentadas por conta do desmatamento. [Mas como as plantas “souberam” disso? A sobrevivência delas não depende de que seus pólens sejam espalhados longe ou perto...]
 
Por volta de 1790, o biólogo italiano Lazzaro Spallanzani foi ridicularizado ao sugerir que morcegos usavam sua audição para enxergar no escuro. Um século e meio depois, no final da década de 30, cientistas descobriram como isso acontece. Hoje, passados mais 75 anos, sabemos que, junto à capacidade dos morcegos de “enxergar” através do som, as plantas moldaram suas flores para serem ouvidas [sic], tornando-se tão brilhantes para os morcegos quanto suas coloridas equivalentes diurnas o são para os olhos de seus polinizadores.
 
Comentário: O que eles chamam de criatividade da natureza, eu chamo de criatividade do Criador. A cada dia fica mais evidente que tudo teve um projetista. (F. Beier)

segunda-feira, 3 de março de 2014

Vitória garantida




 








Você vem contra mim com espada, lança e dardo. Mas eu vou contra você em nome do Senhor Todo-Poderoso, o Deus dos exércitos israelitas, que você desafiou. 1 Samuel 17:45.

     Se você estivesse lá naquele dia, diria que era uma luta injusta. Afinal de contas, Davi era bem diferente de Golias. Veja as características de cada um segundo o relato bíblico:
     Davi – “Era um belo rapaz, saudável e de olhos brilhantes” (1 Samuel 16:12).
     Golias – “Ele tinha quase três metros de altura e usava um capacete de bronze e uma armadura também de bronze, que pesava uns sessenta quilos. [...] A lança dele era enorme [...] a ponta era de ferro e pesava mais ou menos sete quilos” (1 Samuel 17:4-7).
    Teoricamente, não havia como Davi vencer uma luta direta com tal gigante. Nem o próprio rei Saul, que do ombro para cima sobressaía todo o povo israelita, teve coragem de enfrentar Golias. Nem os mais honrados soldados do exército se apresentaram. Seria um suicídio, pensavam eles.
     Mas Davi não estava preocupado com nada disso. Ele estava indignado com as afrontas do gigante e decidiu colocar um basta naquela situação. Foi até Saul e se apresentou para a luta. Ele iria enfrentar Golias “em nome do Senhor dos Exércitos”.
     A coragem de Davi é impressionante. Na verdade, ele sabia que Deus podia torná-lo vencedor, pois levava uma vida de comunhão com Ele. Já havia enfrentado grandes desafios protegendo o seu rebanho, inclusive matando leões e ursos, e em todos os momentos Deus o protegera.
     Você também enfrentará gigantes em seu dia-a-dia. Pode ser uma prova da faculdade, um problema de relacionamento ou a experiência de enfrentar o pecado. Nesses momentos, lembre-se de que o “Senhor dos Exércitos” quer ajudá-lo a vencer. Você não necessitará de uma armadura de bronze nem de uma lança de ferro. Bastará apenas confiar que Deus estará ao seu lado.
     Assim fazendo, nenhum gigante resistirá.

 
Fernando Beier