sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um estranho em nossa casa




     Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com esse encantador personagem e, em seguida, o convidou a viver com nossa família. O estranho aceitou e, desde então, tem estado conosco.

     Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial para ele. Meus pais eram instrutores complementares: minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer. Mas o estranho era nosso narrador. Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias. Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência. Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro! Levou minha família ao primeiro jogo de futebol. Fazia-me rir, e me fazia chorar.

     O estranho nunca parava de falar, mas meu pai não se importava. Às vezes, minha mãe se levantava cedo e, calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que ele tinha a dizer, só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez para que o estranho fosse embora.)

     Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las. As blasfêmias e os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa, nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo usava sem problemas sua linguagem inapropriada que, às vezes, queimava meus ouvidos e fazia meu pai se retorcer e minha mãe ruborizar.

     Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente. Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.

     Falava livremente (talvez demasiadamente) sobre sexo. Seus comentários eram, às vezes, evidentes; outra,s sugestivos, e geralmente vergonhosos.

     Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.

     Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso dos valores de meus pais; mesmo assim, permaneceu em nosso lar.

     Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era no princípio. Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia...

     Seu nome? Nós o chamamos televisor...

     Obs.: Agora esse televisor tem uma esposa que se chama computador, e um filho que se chama celular! Devemos ter muito cuidado com esses dois novatos, já que o primeiro foi a lareira da sala de visitas de nossa vida, na qual queimamos nossas raízes.

 autor desconhecido

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Perigo para as jovens




Menina de saia curta,
- de juízo curto também -
Você não sabe que furta
a vida Eterna de alguém?

Furta a dele e perde a sua
Com esse vestido seu.
Que em vez de andar pela rua
devia estar no museu

De nossos dias lembrança.
Triste lembrança e escarmento:
da mais infeliz herança
O mais torpe documento!

Sábia na Gaiola, p. 23

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Rapidez com as coisas de Deus


Então os israelitas pediram outra vez socorro ao Senhor, e Ele mandou outro homem para libertá-los. Juízes 3:15.

     A história de Eúde contém particularidades que nos lembram muito o enredo de um filme. Eúde, o mocinho, se encontra com o rei Eglom, o vilão, e depois de um rápido diálogo, o liquida.
     Tudo fazia parte dos planos de Deus para libertar o povo da servidão aos moabitas, que já durava dezoito anos. É claro que para a situação chegar a este ponto, é porque Israel havia se afastado de Deus novamente (infelizmente, isto se repetiria por séculos!).
     Quando Deus pediu para Eúde realizar o plano de libertação contra o rei Eglom, ele o fez o mais rápido possível. Não esperou uma segunda oportunidade. E nós, como cristãos, devemos agir também com rapidez quando se trata das coisas de Deus.
     No 3º século d.C. viveu um homem chamado Sebastião. Ele nasceu na Gália e recebeu sua instrução religiosa em Milão, na Itália. Tornou-se militar romano, nomeado comandante da tropa de elite de Roma. Mesmo assim, nunca se contaminou com a idolatria.
     Um dia, Sebastião ouviu a história de Jesus contada por um cristão e se converteu ao cristianismo. Logo estava pregando para os outros soldados romanos. O imperador soube e não gostou nem um pouco. Mandou prender Sebastião e amarrá-lo a um poste, onde seria transpassado por flechas.
     Depois de ser flechado, todos imaginavam que Sebastião tivesse morrido. Uma viúva cristã estava preparando seu corpo para o sepultamento, quando percebeu que ele estava vivo. Depois de cuidados médicos, Sebastião se recuperou. Adivinhe a primeira coisa que ele fez? Correu até o imperador e pediu para que houvesse mais tolerância para com os cristãos. Sua agilidade e vontade de falar do cristianismo impressionaram muitos romanos. Alguns até acreditaram que ele havia ressuscitado.
     Vivemos em um tempo que pede urgência na pregação da palavra de Deus. Não podemos deixar para depois o que Deus pede que façamos hoje. Como Eúde, seja rápido!

Fernando Beier

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Nossa pequenez diante do universo...




















      Há poucos dias, astrônomos aumentaram a precisão da constante de Hubble, que mede a taxa de expansão do Universo. Agora, uma equipe de astrônomos japoneses fez novas medições de nossa própria galáxia, o que levou a um refinamento da massa da matéria escura presente na Via Láctea. Eles chegaram a duas conclusões principais. A primeira é que a distância do nosso Sistema Solar até o centro da galáxia é de 26,1 anos-luz - um ano-luz é uma medida de distância, que equivale a aproximadamente 9,5 trilhões de quilômetros. A segunda conclusão é que a velocidade imposta ao Sistema Solar pela rotação da galáxia é de aproximadamente 240 km/s. Isso significa que leva 200 milhões de anos para que o Sistema Solar complete uma “órbita” em torno do centro da galáxia.

      O valor agora medido de 240 km/s é conhecido como V0. O valor atualmente aceito para o V0 é de 220 km/s, tendo sido estabelecido pela União Astronômica Internacional em 1986. Em geral, a velocidade de rotação da galáxia é determinada pelo equilíbrio com a gravidade galáctica - assim, medir a rotação da galáxia equivale a medir a massa da galáxia.

      Quando os dados da nova pesquisa foram usados para recalcular o valor de V0, os astrônomos verificaram que a massa de matéria escura na Via Láctea é 20% maior do que o valor aceito hoje. Segundo os pesquisadores, esse valor tem impacto direto sobre os experimentos que vêm tentando, até agora sem sucesso, detectar partículas de matéria escura.

      Mareki Honma e seus colegas do Observatório Nacional do Japão usaram o projeto VERA (VLBI Exploration of Radio Astrometry) para medir as distâncias precisas e o movimento de 50 objetos celestes para obter o ganho de precisão.