quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O acaso e sua complexidade




“Passo por cima das inúmeras páginas bastante confusas nas quais Dennett se exprime com deleite, porque essa é a sua especialidade, a filosofia, e vê-se claramente que assim é! Há apenas um aspecto, contudo essencial, que não parece ter sido suficientemente estudado: a noção de acaso. E aqui que se deve apelar aos físicos... E se o acaso não existisse sob a forma ingênua que lhe dão os darwinistas? O físico não observa o acaso puro, apenas tem perante si leis matemáticas muito precisas. Renunciemos, pois, de uma vez por todas à ideia democriteana dos átomos que caem no vazio, chocando-se uns com os outros ao acaso; justamente, não é ao acaso que eles chocam... Pensa o leitor que é ao acaso que o oxigênio se liga ao hidrogênio, formando a água? Não há nada tão preciso nem tão estritamente delimitado como as ligações químicas. E, mesmo quando se trata dos átomos que se procura fazer chocar nos grandes colisores, pensa o leitor que os produtos da colisão equivalem, indiferentemente, seja ao que for? Desde a união dos dois primeiros átomos que apareceram as leis, e sem essas leis não haveria ciência, nem física, nem o universo (pode se reconhecer aqui a posição ‘platônica’, cara a grandes espíritos, como Penrose)... Mas os darwinistas serão os últimos a renunciar ao acaso democriteano ao qual o gradualismo se assemelha furiosamente... O acaso? Não é de modo nenhum simples!”


Rémy Chauvin
O Darwinismo ou o Fim de um Mito, Instituto Piaget, Lisboa, 1997, p. 34; 
via Humor Darwinista)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Não Arrisque demais


O Senhor ficou muito irado com Israel. Juízes 3:8.

     Após a morte de Josué, o povo de Israel se afastou dos planos de Deus. Os costumes e tradições dos povos inimigos foram assimilados pelos israelitas. A adoração aos deuses pagãos se tornou comum e a apostasia cresceu. A bênção de Deus foi retirada e, como resultado, Israel sofreu a perseguição do rei da Mesopotâmia.
     Josué bem que tentou advertir o povo antes de sua morte. Ele disse: “Decidam hoje a quem vão servir. Resolvam se vão servir os deuses que os seus antepassados adoravam na terra da Mesopotâmia ou os deuses dos amorreus, na terra de quem vocês estão morando agora. Porém eu e a minha família serviremos a Deus, o Senhor.” Adivinhe qual foi a resposta do povo? “Nunca poderíamos pensar em abandonar o Senhor para servir outros deuses!” (Josué 24:15, 16).
     Só que entre a teoria e a prática existe um grande abismo. Os israelitas “casaram com essa gente [os pagãos] e adoraram os seus deuses” (Juízes 3:6).
     Não há segurança longe dos caminhos de Deus. Talvez você esteja sendo tentado hoje a abandonar a igreja, ou a usar alguma espécie de droga oferecida por um colega. Por favor, pense duas vezes antes de tomar tal decisão. Lembre-se de que toda atitude traz consigo uma conseqüência. A apostasia de Israel custou oito anos de escravidão. Perceba que é extremamente fácil cometer erros; o difícil é remediá-los.
     Ainda bem que Deus é misericordioso conosco. Israel clamou pela ajuda de Deus e Ele escolheu um homem chamado Otoniel, que significa “Deus é poderoso”, e libertou seu povo. Israel viveu em paz nos quarenta anos seguintes.
     Quando nos afastamos de Jesus, colocamo-nos em um terreno onde as bênçãos de Deus não podem nos atingir. Mesmo Deus sendo poderoso para nos salvar, é melhor não arriscar.

Fernando Beier

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O que a Fé pode realizar?



O psiquiatra americano Harold Koenig afirma que as pesquisas são claras ao relacionar as diversas formas de religiosidade com a prevenção de doenças cardiovasculares e da hipertensão. Koenig é professor da Universidade Duke, na Carolina do Norte, e há 28 anos se dedica a estudos que relacionam religião com saúde. Tem 40 livros publicados e mais de 300 artigos sobre o tema. Sua tese é que a fé religiosa ajuda as pessoas em diversos aspectos da vida cotidiana, reduzindo o stress, fazendo-as adquirir hábitos saudáveis e dando-lhes conforto nos momentos difíceis, entre outros benefícios. A entrevista a seguir foi publicada na Revista VEJA desta semana:

Como o senhor chegou à conclusão de que a religiosidade aumenta a sobrevida das pessoas em até 29%?

Há uma relação significativa entre frequência da prática religiosa e longevidade. Acredito que o impacto na sobrevida seja até maior, algo em tomo de 35%. Três fatores influenciam a saúde de quem pratica uma religião. O primeiro são as crenças e o significado que essas crenças atribuem à vida. Elas orientam as decisões diárias e até as facilitam, o que contribui para reduzir o stress. O segundo fator está relacionado ao apoio social. As pessoas devotadas convivem em comunidades com indivíduos que acreditam nas mesmas coisas e oferecem suporte emocional e, às vezes, até financeiro. O terceiro fator é o impacto que a religião tem na adoção de hábitos saudáveis. Tanto os mandamentos religiosos quanto a vida em comunidade estimulam a boa saúde. Os religiosos tendem a ingerir menos álcool, porque circulam em um meio onde ele é mais escasso e com pessoas que bebem menos. Eles também têm inclinação a não fumar. É menos provável que adotem um comportamento sexual de risco, tendo múltiplos parceiros ou parceiros fora do casamento. Tudo isso influencia a saúde e faz com que vivam mais e sejam mais saudáveis.

Também se beneficiam da fé os adeptos de religiões que proíbem cuidados médicos, como é o caso das testemunhas de Jeová com a transfusão de sangue?

A maioria dos estudos comprova que os benefícios de ser adepto de urna religião são maiores que os malefícios. No caso das testemunhas de Jeová, há pesquisas que mostram que a longevidade deles não é diferente da dos católicos ou dos protestantes. Outro ponto importante é que não há tantas testemunhas de Jeová no mundo. Os grupos religiosos que se opõem a cuidados médicos são muito pequenos em comparação à grande maioria que se beneficia de suas crenças religiosas.

Quem se toma religioso tardiamente também se beneficia?

Quem se toma religioso numa idade mais madura também se beneficia, especialmente dos aspectos psicológicos e sociais. A vida passa a ter mais sentido, a pessoa ganha apoio da comunidade, esperança e interlocutores afinados com o seu jeito de ver o mundo. A consequência é a melhora da qualidade de vida. A saúde física, no entanto, não será tão influenciada porque não dá para apagar os anos de maus hábitos e os estragos feitos pelo excesso de stress.

Ter fé não é o mesmo que seguir uma religião. Do ponto de vista dos benefícios, isso também faz diferença?

Não adianta só dizer que é espiritualizado e não fazer nada. É preciso ser comprometido com a religião para gozar seus benefícios. É preciso acordar cedo para ir aos cultos, fazer parte de uma comunidade, expressar sua fé em casa, por meio de orações ou do estudo das escrituras. As crenças religiosas precisam influenciar sua vida para que elas influenciem também sua saúde.

Como as diferentes religiões se comparam nesse efeito positivo sobre a saúde e a longevidade que o senhor detectou?

Não há estudos confiáveis comparando as religiões. Até porque as mesmas religiões se desenvolvem em ambientes completamente diferentes e são influenciadas por esses ambientes. Um credo cujos benefícios são óbvios no Brasil pode não ter o mesmo efeito positivo sobre as pessoas nos países árabes.

Algumas enfermidades respondem melhor à prática religiosa do que outras?

As doenças relacionadas ao stress, como as disfunções cardiovasculares e a hipertensão, parecem ser mais reativas a uma disposição mental de cunho religioso. O stress influencia as funções fisiológicas de maneira já muito conhecida e tem impacto em três sistemas ligados à defesa do organismo: o imunológico, o endócrino e o cardiovascular. Se esses sistemas não funcionam bem. Ficamos doentes. A religiosidade põe o paciente em outro patamar de tratamento. Pacientes infartados que são religiosos, por exemplo, têm menos complicações após a cirurgia, ficam menos tempo internados e, claro, pagam contas hospitalares mais baixas.

O senhor diz que quem vê Deus como uma entidade distante e punitiva tem menos benefícios para a saúde do que quem o vê como um ser compreensivo e que perdoa. Por quê?

A religião pode virar uma fonte de stress se aumentar o sentimento de culpa ou gerar um mal-estar na pessoa por ela não conseguir cumprir com o que a doutrina considera que são suas obrigações religiosas. Não existem pesquisas que constatem isso, mas certamente um Deus punitivo, que vigia e condena seus erros, vai elevar esse stress. Por isso, acho que faz bastante diferença acreditar em um Deus amoroso e misericordioso.

Existem estudos que ligam a religiosidade profunda à ausência da depressão psicológica. O senhor também registrou esse efeito?

Os pacientes que lidam melhor com suas doenças, perdas e incapacidades ficam menos depressivos. Os religiosos suportam melhor suas limitações porque a religião dá significado a essas circunstâncias difíceis. O sofrimento adquire um propósito. O indivíduo não sofre sem razão nem se sente sozinho. As religiões têm inúmeros exemplos de sofrimento: Jesus torturado e crucificado; Jó, que perdeu bens, família, saúde; Maomé, que passou por momentos difíceis na infância. Todos sofreram, e a fé os fez seguir adiante. Um estudo recente da Universidade Colúmbia demonstrou que, quando são religiosos, filhos de pai ou mãe depressivos têm menor risco de desenvolver depressão. Provar que pessoas com fatores genéticos de risco podem ser protegidas pela religião é sensacional.

Muitos pacientes terminais desenvolvem a espiritualidade mesmo sem ter fé durante a vida. O que sua experiência revela sobre essas pessoas?

O que podemos afirmar com segurança é que pacientes religiosos toleram melhor o processo da morte. Eles acreditam que não é o fim e, por isso, não ficam tão ansiosos. Sabem que vão para um lugar melhor, no qual não sentirão mais dor ou mal-estar. Isso afeta a qualidade de vida da pessoa no período terminal e melhora a relação dela com a família.

Qual sua opinião sobre as chamadas cirurgias espirituais?

Os charlatões tendem a se aproveitar de pessoas doentes e desesperadas. Os pacientes que frequentam esses centros, em geral, não recebem benefício algum e se sentem desapontados. Alguns chegam a se revoltar contra a religião. O sofrimento acaba sendo maior porque, a partir do momento em que a pessoa perde a confiança na sua fé, perde também a habilidade de se adaptar à sua condição.

Um estudo da Santa Casa de Porto Alegre mostra que 70% dos pacientes gostariam que o médico falasse sobre religião com efes, mas apenas 15% dos médicos o fazem. Por que isso acontece?

Os médicos não recebem treinamento apropriado sobre como fazer a abordagem religiosa. Eles não sabem trazer o assunto à tona, nem como responder a perguntas do paciente sobre religião. Nos Estados Unidos e também no Brasil, ainda são poucas as faculdades de medicina que tratam do tema. A medicina é considerada uma ciência e, historicamente, há uma grande divisão entre religião e ciência. A religião é muito mais vaga e nebulosa do que a medicina e, por isso, continua não levando muito crédito. Médicos tendem a ser menos religiosos do que a população em geral, então eles não conhecem muito bem o potencial da religião.

Como o médico deve falar de religião com o paciente?

É mais simples do que parece. Só de perguntar ao paciente quanto a religião é importante na vida dele, o médico está abrindo caminho para atender às suas necessidades espirituais. O paciente deve sentir-se confortável falando sobre esse assunto com seu médico. O médico pode, naquele momento mais especial, tentar saber das decisões que um paciente terminal espera dele em situações-limite. Pode descobrir se o paciente terminal quer ser ressuscitado em caso de parada cardíaca, se deseja receber tratamento extenuante prolongado ou se prefere não estender o sofrimento. Ajuda muito o médico puxar assunto com o paciente sobre o que ele pensa da existência dos milagres ou se quer receber orações. O paciente tem de estar seguro de que o médico não vai ignorar ou fazer pouco-caso de suas carências espirituais.

Como deve ser a abordagem com um ateu?

Eu não incentivaria nenhum médico a tentar converter um ateu. Simplesmente porque essa abordagem não funciona. O médico deve apenas conversar com o paciente e tentar compreender as causas que o levaram a ser ateu. Médicos não são pastores ou padres. Nosso trabalho não é catequizar ninguém, é tentar entender o paciente e como sua crença religiosa ou a falta dela influencia sua recuperação e as decisões que vão ter consequências em seu tratamento.

O que o senhor pensa sobre os ateus e os agnósticos?

Acho que eles estão mais adiante no caminho religioso do que muita gente que nunca questionou sua religiosidade. Algumas pessoas são religiosas simplesmente porque os pais são e nunca pararam para pensar sobre isso. Para decidir ser ateu ou agnóstico, o indivíduo tem de questionar a si mesmo e a religião. Refletir sobre isso é um progresso. Mas sugiro a essas pessoas que mantenham sempre a mente aberta. Apenas uma fração do mundo pode ser explicada pela ciência. Há muitas coisas que não são claras na vida para afirmar categoricamente que Deus não existe. Noventa por cento da população mundial acredita em Deus e, se você faz parte dos 10% que não exercem ou não têm certeza, ao menos mantenha a mente aberta. 

 Fonte: Legrand

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O Verme



Existe uma flor que encerra
Celeste orvalho e perfume.
Plantou-a em fecunda terra
Mão benéfica de um nume.

Um verme asqueroso e feio,
Gerado em lodo mortal,
Busca esta flor virginal
E vai dormir-lhe no seio.

Morde, sangra, rasga e mina,
Suga-lhe a vida e o alento;
A flor e cálix inclina;
As folhas, leve-as o vento,

Depois, nem resta o perfume
Nos ares da solidão...
Esta flor é o coração,
Aquele verme é o ciúme.

Machado de Assis

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A Lógica do Consumo




Sinopse: Estudos revelam que é preciso menos de dois segundos e meio para que um consumidor tome a decisão de comprar. As empresas sabem que têm menos de dois segundos para atrair seus olhos, capturá-lo e torná-lo um cliente. Em A lógica do consumo, o guru do marketing Martin Lindstrom leva o leitor aos bastidores das pesquisas que explicam por que determinado produto vende e mostra como o nosso cérebro responde aos muitos estímulos da propaganda. Num texto leve, Lindstrom apresenta casos reais de estudos de neuromarketing para desfazer mitos como, por exemplo, o impacto do sexo na mente do consumidor

Comentário: Tendo em vista o poderio moderno da mídia, e o apelo para o consumo que permeia seus mecanismos, o livro de Lindstrom desperta muito interesse. Algumas conclusões, amparadas na neurociência, são impressionantes, como aquela que diz que sexo na propaganda não faz vender mais. Contudo, um item me chamou a atenção e confirmou o que já suspeitava: a propaganda subliminar está em toda parte. Uma pena que o autor não se aprofunde mais nos comentários sobre o impacto das descobertas sobre a vida das pessoas. Talvez ele nem quisesse fazê-lo. Afinal, quantos estão realmente preocupados em saber mais sobre os frutos de seu consumo atual? Creio que todos deveriam saber! (F. Beier)

Nota: 7,5