quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O Tesouro Maior




“O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. Achando-o um homem, escondeu-o de novo, então em sua alegria foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo”.      S. Mateus 13:44
  

            Na época de Jesus, não existiam bancos, cheques ou cartão de crédito. As pessoas carregavam o dinheiro que possuíam junto de si. Por causa disto, os assaltos eram freqüentes e os que possuíam muitas propriedades estavam sujeitos a pagarem altos impostos. As pessoas só encontravam segurança escondendo seu dinheiro debaixo da terra.
       Entretanto, o que parecia seguro, muitas vezes revelava-se trágico, porque acontecia da pessoa esquecer o local exato de onde estava o dinheiro, não o achando nunca mais. Em outros casos, o dono da riqueza morria e levava consigo o valoroso segredo. Feliz e abençoado aquele que por acaso encontrasse o tesouro escondido na terra.
         Seja debaixo da terra, ou escondido em outro lugar, o fato é que o dinheiro, na esmagadora maioria das vezes, sempre dominou o homem e nunca o contrário. Por causa do dinheiro pessoas matam e morrem. Na conturbada história da humanidade, nações surgiram e caíram como resultado da ganância pelas riquezas. Até mesmo o impensável pode acontecer, como no caso de Átila, o rei dos Unos.
         Quando Átila foi sepultado, seu corpo foi enterrado num ataúde feito de ouro, e este dentro de outro caixão de prata, que por sua vez, foi colocado dentro de um enorme caixão de ferro. Um exército de miseráveis escravos cavou um enorme túmulo, em meio de uma vasta planície, e o sepultaram a noite. Seu esquife foi coberto com fabulosos despojos de guerra. Quando todas as riquezas foram escondidas sob o solo, os trabalhadores foram assassinados para que não fossem tentados a violar a tumba em busca dos tesouros ali deixados.
         A ganância pelo dinheiro também revela outro lado escuro da natureza humana --- a indiferença.
        Em nosso planeta, 15% da população controla 70% de toda a riqueza. Mais de um bilhão de pessoas passam fome todos os dias. Para se ter uma idéia da diferença, veja: nos Estados Unidos se consome 70 quilos de proteína por pessoa em um ano. No mesmo período, na Republica Centro-Africana, uma pessoa consome apenas um quilo. Na França, uma pessoa bebe em media cem litros de leite por ano. Na Índia são somente seis litros por pessoa.
       Esses paradoxos gritantes revelam até onde os valores e virtudes se perdem em meio à busca do ser humano pelo material, em detrimento do semelhante.  Jesus afirmou acertadamente no Sermão da Montanha que “onde estiver o teu tesouro, aí estará também o seu coração”. (Mateus 6:21).
       A Parábola diz que “o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo”. O que Jesus queria ensinar com isso?
       O campo ou solo onde está escondido o tesouro representa as Escrituras – a Bíblia. O tesouro é o Evangelho da salvação. Neste caso, a grande riqueza não tem nada a ver com dinheiro.
      Ninguém tem dúvidas que a Bíblia é o maior livro de todos os tempos. Os números e estatísticas comprovam isso. É o livro mais vendido, traduzido e lido no mundo. Apesar disto, quão poucos nos dias de hoje fazem da Bíblia o seu maior tesouro. Os heróis bíblicos nunca foram - e ao que parece nunca serão - mais conhecidos que os heróis dos filmes de ação e dos vídeo-games. Aos meios de comunicação não dão ênfase em suas histórias. Nenhum noticiário televisivo fala das profecias bíblicas. Pelo contrário. Nos Estados Unidos, país de raízes protestantes, 90% dos jornais inclui astrologia em suas páginas. No Brasil, país com maior número de católicos do mundo, 75% da população acredita em vida após a morte. Dois terços da população da Inglaterra consulta regularmente os horóscopos. A atividade em torno da previsão do futuro, zodíaco, astros e necromancia movimenta bilhões de dólares todos os anos na economia mundial.
         Mas não é só isso. Um teste foi feito com 150 alunos de um colégio cristão na América do Norte, para avaliar o conhecimento que tinham da Bíblia. Todos cresceram em lares cristãos e eram membros de alguma igreja. O resultado foi revelador e ao mesmo tempo desanimador. Entre algumas das respostas apresentadas, estavam as seguintes:
  • O Êxodo Bíblico foi o retorno dos judeus a palestina depois da II Guerra Mundial.
  •  Joana D´arc foi a grande heroína do povo de Israel.
  •  Jesus nasceu em Roma, e morreu em Belém.
  • Jesus foi traído por Sansão.

        Certa vez um casal bem vestido bateu a porta de um Pastor e com lágrimas lhe contaram a triste história de seu filho afundado no mundo da bebida e das drogas. Desesperados, eles disseram: “Nós demos tudo para ele e agora ele nos dá este desgosto”. O Pastor perguntou seriamente: “O que vocês querem dizer com dar tudo?” Eles disseram: “Nós demos as melhores escolas, as melhores roupas, o melhor automóvel. Enfim, tudo que o dinheiro podia comprar”. O Pastor interrogou: “Deram-lhe a Bíblia e o conforto da religião?” Depois de uma pausa, responderam: “Não, nós mesmos nunca a praticamos”.
        Pessoas assim estão constantemente pisando sobre o tesouro, mas não o enxergam. Chega-se a conclusão que, em geral, no mundo Ocidental, a Bíblia é um livro admirado, mas não amado e praticado.
         Jesus afirmou na Parábola que o reino de Deus é semelhante a um homem que “achou um tesouro escondido” e depois trocou tudo para possuí-lo. Em outras palavras, Jesus estava falando que o céu será um lugar para aqueles que ao encontraram o tesouro do Evangelho, fizeram disto a mais importante riqueza de sua vida.
         Davi Livingstone, o grande explorador e missionário da África, lia certa vez um trecho da Bíblia para um grupo de nativos, quando um dos ouvintes exclamou: “Este livro fala!"
         Sim, é exatamente isto que a Bíblia deve ser para o cristão – a voz de Deus. Em suas páginas encontra-se o maior anseio dos homens – a liberdade. Tesouro escondido pela lama do pecado, mas não impossível de achar. Jesus afirmou: “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. (João 8:32).
         Um homem é capaz de trocar tudo na vida pelo precioso tesouro achado. Foi o que o personagem da Parábola fez.
         É o que devemos fazer também!

Fernando Beier

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sinais dos Tempos



O cartaz acima foi colocado na Barra da Tijuca, no Rio. As grandes redes virtuais que promovem a traição no casamento chegaram pra valer. Sinais dos tempos!

Fernando Beier

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Papa deve ser líder dos cristãos, diz teólogo protestante
























Olha só que interessante a noticia que acabei de ler: 

O teólogo protestante Reinhard Frieling defende que o papa Bento XVI seja nomeado líder honorário de todos os cristãos. A proposta surge poucas semanas antes da visita do líder católico à Alemanha. “O sonho da comunhão de todos os cristãos pode se tornar realidade se os protestantes oferecerem ao papa o papel de chefe honorário da cristandade”, disse o ex-líder do Institute Kundlichen, de Bensheim. Para o professor emérito da Universidade de Marburg, o papa poderia “falar em nome da cristandade em situações extraordinárias”. Ele argumentou que uma liderança comum daria crédito ao cristianismo como mensagem. Se a proposta se viabilizar, o aniversário da Reforma em 2017, com seus 500 anos, poderá ser a ocasião certa para concretizar a visão, baseada em sua opinião do papa já ser “porta-voz para todos os cristãos”.

O teólogo protestante sugere que as igrejas da Reforma abandonem sua “autossuficiência” e assumam as “corajosas consequências ecumênicas”. Essa proposta lembra a que foi feita pelo bispo Johannes Friedrich, da Igreja Luterana da Baviera, há dez anos. Friedrich argumentava que o papa poderia ser aceito como porta-voz do cristianismo mundial como serviço ecumênico de unidade.
A visita do papa à Alemanha está prevista para os dias 22 a 25 de setembro, e inclui as cidades de Freiburg e Berlim, com um discurso diante do Bundestag (Parlamento) alemão, e uma reunião com representantes da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) no mosteiro agostiniano em Erfurt.



Um protestante rogando que o Papa seja líder dos cristãos no mundo. No mínimo inusitado. Mas o que realmente está por detrás de tal pedido? O que você acha?

Fernando Beier

Fonte: Gospel Mais

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Apologética Para Questões Difíceis da Vida

Apologética para questões difíceis da vida

Sinopse: Por que Deus não responde às minhas orações? Se Deus é onipotente, por que o mal existe? Se Deus é tão amoroso, por que sofremos? Qual é o significado do sofrimento para o cristão? Como ele deve lidar com suas dúvidas? Todo aquele que busca compreender as razões de sua fé acaba se deparando com questões complicadas como sofrimento, dúvida, fracasso, existência do mal e orações não respondidas, mas muitas vezes, em meio a nossa sociedade cada vez mais culturalmente estagnada, não encontra respostas bem elaboradas, francas e inteligentes. Além de tratar dessas, o autor, William Lane Craig, que é doutor em teologia e filosofia, também encara de frente questões espinhosas da atualidade que envolvem as polêmicas do aborto e da homossexualidade. 


Comentário: O dr. Willian Graig é um dos poucos apologistas cristãos que enfrenta publicamente as questões mais difíceis para o cristianismo. Seja em debate nas universidades, seja através de seus artigos e livros, suas convicções são sempre expostas com dedicação e personalidade. A presente obra não tem a quantidade de páginas que as anteriores do autor, mas permite que mesmo o leitor mais alheio aos desafios da apologética se identifique com os argumentos ali propostos. Graig não não foge de temas espinhosos, como o aborto, e reforça o princípio cristão que afirma que Deus abomina o homossexualismo, e não o homossexual.

Nota: 7

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Oração Sacerdotal


Por Jesus Cristo
Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti;
Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste.
E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.
E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.
Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra.
Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti;
Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste.
Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.
E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e nisso sou glorificado.
E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós.
Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.
Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.
Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.
Não são do mundo, como eu do mundo não sou.
Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.
Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.
E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.
E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;
Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.
E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.
Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.
Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.
Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim.
E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.
João 17:1-26

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Nietzsche Errou Feio?





Por Ed Stetzer

Ao contrário do que o filósofo alemão vaticinou no século 19, Deus não morreu – ele permanece vivo, e atraindo cada vez mais gente.
Nietzsche errou feioAo contrário do que o filósofo alemãovaticinou no século 19, Deus não morreu – ele permanece vivo, eatraindo cada vez mais gente. Dos 7 bilhões de seres humanos quehabitam o planeta Terra, nada menos que 5 bilhões são devotos confessos de uma das quatro maiores religiões globais – o islamismo, o cristianismo, o budismo e o hinduísmo. E isso, sem falar nos grupos menores, mas igualmente significativos em termos históricos e culturais, como o judaísmo, o sikhismo, o jainismo, o xintoísmo e uma infinidade de outros ritos, primitivos ou não, praticados pelo homem em sua busca incessante pelo sagrado.
De acordo com o Pew Forum, instituto que monitora as relações entre a religião e a sociedade, mais de 90% da população mundial declara crer ou pelo menos admitir a existência de Deus, deuses, espíritos superiores ou entidades místicas com poderes sobrenaturais. Tendências mundiais indicam que o aumento da religiosidade é tanto uma realidade atual quanto tendência futura – na contramão de Friedrich Nietzsche e outros pensadores pós-iluministas que previram o declínio da crença religiosa. O pensamento de seu tempo era de que a religião constituía um problema político-social – contudo, a história já se encarregou de colocar uma pá de cal nessas previsões. E o chavão “Deus está morto” foi substituído por outro: “Deus está de volta”.
Os economistas John Micklethwait e Adrian Wooldridge – um, ateu; o outro, católico romano –, escreveram um livro com este título em 2008 [lançado no Brasil pela Quetzal Editores com o títuloO regresso de Deus]. Na obra, eles observam que, embora as estatísticas sobre a prática religiosa sejam notoriamente pouco confiáveis, a maioria das pesquisas parece indicar que a tendência global em direção ao secularismo parou – alguns levantamentos até mostram a crença religiosa em ascensão. Eles confirmam uma fonte que diz que o número de pessoas ligadas às quatro maiores religiões da humanidade (cristianismo, islamismo, budismo e hinduísmo) já beira os 75% e pode chegar a oitenta por cento em 2025.
É verdade que, em cada uma dessas crenças, a figura divina assume contornos próprios e a práxis religiosa varia completamente. Ao mesmo tempo, ganha importância a ideia de convivência pacífica e entendimento mútuo em um mundo cadavez mais cheio de religiosos. Episódios recentes como o massacre de Orissa, na Índia – quando, em 2008, radicais hindus eliminaram centenas de cristãos –, e os enfrentamentos entre grupos cristãos e muçulmanos na Nigéria, ano passado, mostram que o caminho a ser percorrido nessa direção é longo e penoso.
Mas representantes dos mais variados credos têm promovido o chamado diálogo ecumênico ou inter-religioso, a fim de descobrir pontos em comum e maneiras de trabalhar conjuntamente para o bem da humanidade – além, claro, de desestimular a violência religiosa. Há cinco anos, participei de um encontro inter-religioso num templo luterano de Chicago, nos Estados Unidos. Com a presença de judeus, muçulmanos, cristãos de várias correntes – católicos, protestantes e ortodoxos – e até de seguidores do rito baha’i, o objetivo do evento foi fomentar a cooperação e a troca de recursos entre todas as comunidades religiosas representadas
Trata-se de uma abordagem muito simpática, mas que não resiste bem à análise teológica mais profunda. O problema é que os protagonistas desse movimento tendem a minimizar ou mesmo ignorar difereças fundamentais entre as religiões. O pressuposto central dos ativistas da cooperação inter-religiosa tem sido o deque, em sua essência, todos os seguidores de uma crença – hindus, budistas, muçulmanos, judeus, cristãos e até os animistas – estão lutando pela mesma coisa, apenas usando palavras e conceitos diferentes para obter algo. O raciocínio é de que, então, todos deveríamos ser capazes de cooperar em torno de crenças comuns para melhorar a sociedade – e que, em um mundo de multiplicidade religiosa, devemos reconhecer que estamos adorando ao mesmo Deus ou deuses e buscando os mesmos objetivos.

SÍNTESE IMPENSÁVEL
Todavia, quão verdadeira é essa suposição? As quatro principais religiões do mundo têm os mais diversos conceitos da figura divina. Os hindus, por exemplo, podem tanto acreditar que existe um Deus, 330 milhões de deuses ou mesmo deus algum, já que a própria alma humana pode ser considerada divina – ideia consubstanciada na saudação hindu namastêque significa literalmente “o deus que existe em mim saúda o que existe em você”. Já Ven S.Dhammika, autor de vários livros populares sobre o budismo, escreve que os seguidores de Buda não acreditam na figura de Deus. O próprio Sidarta Gautama, que deu início ao conjunto de filosofias que constitui a crença, afirmou que qualquer pessoa, com esforço e disciplina constantes, pode chegar a ser um “buda” (ou iluminado), libertando-se assim do ciclo sucessivo de reencarnações que aperfeiçoam a alma.
Assim, para muitos budistas, o conceito de um ser supremo e pessoal não tem a menor importância e, na pior das hipóteses, nãopassa de uma opressiva superstição. E sobre o Islã? De acordo com o Corão, “Deus é único, eterno e absoluto. Ele não gera, nem é gerado; e não há outro semelhante a ele”. Os muçulmanos também creem que todos são dependentes de Deus, mas ele é independente de todos. Ele não é pai de ninguém, nem tem nenhum filho. Em contraste, os cristãos acreditam que há um Deus que é criador do mundo. Um ser pessoal, consciente, livre e justo, envolvido com sua criação e que, enquanto um em essência, também se revela em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. E que espera que seus seguidores amem-no com todo seu coração, alma, mente e força, e amem ao próximo como a si mesmos.
Assim, uma síntese entre essas quatro megarreligiões seria imprensável e diria, por exemplo, que Deus pode ou não existir;que é uno com sua criação, mas pode assumir milhões de formas e personalidades diferentes; que é único, mas existe em três pessoas. Se não podemos concordar com tamanhos paradoxos, como dizerque todas as crenças estão no mesmo caminho, em direção à verdade? Tamanhas disparidades não favorecem o diálogo – antes, o proíbem de fato. Ao assumir que todas as religiões ensinam a mesma coisa que buscamos explorar e analisar, como lidar com as nossas diferenças relativas a esse diálogo?
Da mesma forma, qual seria a base para discussões fundamentais, como a responsabilidade de um indivíduo para com o outro, o destino eterno das pessoas com quem partilhamos o planeta, a natureza da verdade ou o sentido da vida? Para começar a falar sobre tais elementos, temos de reconhecer que as respostas oferecidas por cada crença são diferentes. Estamos, na verdade, tentando um inviável diálogo em meio a diferentes visões sobre a vida, o futuro, a eternidade e o caminho para se chegar lá. Por outro lado, precisamos também estar dispostos a conviver com aqueles cujas crenças são diferentes das nossas. Isso significa permitir que adeptos de outras religiões, que inclusive adoram outros deuses, possam viver as suas convicções sem criarmos com eles conflitos constantes – até porque o mundo já viu muita dor e sofrimento quando seguidores de uma fé resolvem usar meios militares ou políticos para impor suas crenças a quem crê de modo diverso.

GENERALIZAÇÃO PERIGOSA
Sendo assim, como religiões que se excluem mutuamente podem coexistir pacificamente? No espírito de diálogo religioso, há quatro compromissos fundamentais que todos os seguidores de qualquer crença poderiam concordar em fazer. Um deles é deixar que cadareligião fale por si, sem recorrer a preconceitos na análise da fé alheia. Os muçulmanos acusam os cristãos de adorer a três deuses – Deus Pai; a Mãe de Deus; e Deus, o Filho – porque não aceitam a concepção de Santíssima Trindade. Mas a ideia de que Deus teria uma relação física com uma mulher e geraria desse modo um filho é ofensiva tanto para os cristãos como o é para os muçulmanos. Mas, em vez de perguntar em quê de fato acreditam os cristãos, muitos muçulmanos se contentam em obter informações com quem nem é cristão, em vez de ir à fonte.
Ora, qualquer pesquisador sério diz que o exame de fontes primárias é vital para estabelecer um estudo sólido. Assim, se alguém quiser compreender o judaísmo, terá de ler o Talmude e visitar sinagogas. O mesmo vale para quem quer aprender sobre o hinduísmo – sera necessário falar com devotos hindus e ler oRamayana e o Mahabarata , dois antigos textos normativos, escritos em sânscrito. Já para descobrir o que é importante para o Islã, nãobasta assistir reportagens tendenciosas, produzidas pela mídia conservadora ou liberal. Em vez disso, é mais seguro conviver e ouvir o que têm a dizer os muçulmanos – da mesma forma que, para compreender a mensagem do cristiansimo e a fé dos cristãos, é preciso conhecê-los de perto e ler a Bíblia.
É importante aprender com aqueles que seguem outras religiões. Não devemos ter medo disso; afinal, se cremos de todo coração queencontramos a verdade em Cristo, então uma busca mútua da verdade vai levar as pessoas na direção certa. Outra providência para quem busca a melhor convivência com quem crê de maneira diferente é falar com e sobre pessoas, e não sobre a fé delas. Muitos fatores influenciam o conjunto de crenças de um indeivíduo. Saber no que alguém realmente acredita a partir de umas poucas palavras é praticamente impossível. Também nesse campo, as generalizações são arriscadíssimas. Nenhuma abordagem honesta pode começar com palavras como “todos os hindus concordam com isso” ou “todos os muçulamanos pensam desse modo”. Dizer que o mundo islâmico foi responsável pelos atentados do 11 de Setembro equivale a considerer toda a cristandade culpada pelas sangrentas cruzadas da Idade Média – ou, para ficar num exemplo maisrecente de ódio étnico-religioso, responsabilizar todos os alemães pelo Holocausto.
Não, não foi a civilização muçulmana que promoveu a tragédia de dez anos atrás, e sim, um punhado de extremistas islâmicos. Da mesma forma, foi um absurdo a ação de turbas violentas de muçulmanos no sul da Ásia e na Nigéria, que no ano passado atacaram cristãos e queimaram suas igrejas e escolas em represália à ameaça do tresloucado pastor americano Terry Jones – aquele que queria queimar exemplares do Corão em praça pública. E isso aconteceu apesar de quase todos os líderes cristãos, em todo o mundo, haverem condenado publicamente a atitude do radical.
Agora mesmo, há um debate popular na Índia sobre o uso dos termos “terrorismo de açafrão” e “terrorismo hindu”. Muitos fiéis hindus estão abismados com as ações de uma pequena minoria queusa o terror para fazer avançar uma agenda política em nome do hinduísmo. Estigmatizar toda uma corrente religiosa a partir das ações criminosas de grupos isolados que se apresentam como seguidores dessa fé é inútil. Crentes, individualmente, não podem ser responsabilizados pelas ações de outros que buscam legitimação nas fileiras de um credo religioso.

“VENENO”
O terceiro ponto é mais delicado, sobretudo para aqueles que nãoquerem se arriscar a comprometer a própria fé numa eventual aproximação: Como podemos respeitar, sinceramente, as crenças de adeptos de outras religiões sem abrir mão de nossos próprios princípios? Naturalmente, a compreensão de valores e crenças alheias não significa aceitá-las. Faz parte da vida em sociedade livre o fato de uns acreditarem que outros estão errados. Mas é inaceitável difamar líderes religiosos, queimar livros que outros consideram sagrados ou confundir apelos de radicais com aquiloque realmente faz parte do núcleo de crenças de uma confissão. Assim, a rede terrorista Al Qaeda, de orientação muçulmana, nãoexpressa o pensamento fundamental do Islã, da mesma forma a Ku Klux Klan, integrada por cristãos, jamais representou as ideias de todos os seguidores de Jesus.
Muitas vezes, as pessoas condenam os excessos de outros grupos apenas para defender as ações dos seus próprios. O silêncio, nesses casos, é não só indesculpável, como, também, orgulhoso e covarde. Em vez disso, devemos ser rápidos em apontar quando os seguidores de nossa própria tradição estão agindo contra seus genuínos ensinamentos. Em um texto recente publicado no jornal americano New York Times, Nicholas D.Kristof escreveu quemuitos compatriotas queriam que muçulmanos mais moderados deveriam pedir desculpas ao Ocidente pelos pecados cometidos por “sua religião”.
“Venho então”, continua o articulista em seu texto, “pedir desculpas aos muçulmanos pela onda de intolerância queultimamente tem sido direcionada contra vocês nos Estados Unidos”. No entender de Kristof, o “veneno” transmitido pela mídia nacional, igualando os seguidores do Islã a terroristas, deveria envergonhar os americanos. E quanto aos excessos de tantos líderes cristãos que, em seus púlpitos, têm difamado a fé islâmica? Quando os cristãos deturpam a fé alheia, todos somos culpados de violar um ensino de Jesus no Evangelho de Mateus: “Façam aos outros aquilo que você gostaria que fizessem a você, pois isto resume a lei e os profetas.”

MENSAGEM VALIOSA
Sinceros seguidores de qualquer forma de fé concordariam quecompartilhar com outros o caminho e as propostas de sua crençanão representa opressão a ninguém; mas, de fato, uma ativa demonstração de amor e preocupação. As diferentes confissões fazem isso, cada qual a seu modo e em diferentes graus de intensidade. De fato, temos de ir além do absurdo de dizer que cadaum pode acreditar no que quiser, desde que não fale a ninguém sobre isso. Respeitar a fé dos outros significa compreender que ser um seguidor de uma crença que oferece esperança para toda a humanidade e mantê-la somente para si mesmo é insustentável.
Mesmo o polêmico Penn Jillette, ilusionista americano famoso por sua defesa do ateísmo, defende a expressão da fé. Recentemente, ao receber uma Bíblia de um espectador, disse que valorizava a preocupação espiritual daquele crente em relação a ele. “Não respeito pessoas que não fazem proselitismo; que acreditam queexiste um céu e um inferno e não dizem isso aos outros”, escreveu em seu blog. Isso é verdadeiro, seja para um muçulmano em Manhattan, um hindu na China ou um cristão em Meca – o quenos leva à proposta final: temos de conceder a cada pessoa a liberdade de fazer suas próprioas decisões concernentes à fé e à espiritualidade.
Cresci em Long Island, em um lar católico de origem irlandesa. Mais tarde, Deus trabalhou no meu coração através de seu Espírito Santo sobre a morte de Jesus na cruz, sacrifício realizado pelo meu pecado e em meu lugar. Quando me arrependi dos meus pecados, confiei que, pela graça mediante a fé, como dizem as Escrituras, foi-me dada uma nova vida em Cristo – e tive a liberdade religiosa para tomar essa decisão sem restrições.
Apesar de suas diferenças, todas as religiões têm duas coisas em comum. Em primeiro lugar, qualquer ensino religioso ensina os seguidores a não forçar os outros a seguirem sua própria fé. E, em segundo lugar, muitos de seus seguidores ignoram esse princípio. O Corão, em determinado texto, diz claramente: “Não deve haver coerção na religião: a verdade se destaca claramente do erro”. Em seu livro All about Hinduism [“Tudo sobre o hinduísmo”], Sri Swami Sivananda, conhecido defensor do yoga, escreve: “O hinduísmo é uma religião de liberdade. Ele concede a maior liberdade em matéria de fé e adoração, e permite uma liberdade absoluta para a razão humana e o coração no que diz respeito a questões como a natureza de Deus, a alma, a criação, a forma de culto e o objetivo de vida”.
Por sua vez, o imperador Ashoka, da Índia (273 a.C. – 232 a.C.), ao converter-se ao budismo, fez de tudo para divulger o conjunto de crenças deixadas por Gautama. No entanto, admoestava seus seguidores a não profanar a crença dos outros. Entre os valores essenciais de sua fé, que mandou inscrever num pilar, destava-se este: “Deve-se dar a outros credos a honra condizente a eles.”
Não importa onde vivamos ou qual religião seguimos; nãodevemos exigir de outros o que não estamos dispostos a conceder a nós mesmos, livres de qualquer discriminação em razão de credo e com toda liberdade de consciência. Sendo fiéis aos fundadores de nossa fé, vamos evitar o tipo de tolerância que nos mantém em silêncio quando acreditamos que temos uma mensagem valiosa para compartilhar – aliás, a mais valiosa, o Evangelho de Cristo.Ao mesmo tempo, que possamos descobrir um novo tipo de tolerância: a tolerância que permite e até incentiva os outros a explorar e responder à Verdade.

Ed Stetzer é vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento de ministérios da LifeWay Christian Resources
Fonte: cristianismohoje.com.br