segunda-feira, 27 de junho de 2011

A Bíblia apoia a necromancia e o espiritismo?

























Quando Saul consultou uma feiticeira, o espírito que ela fez subir era mesmo Samuel? Isso não prova a existência de vida após a morte e de espíritos de mortos?

“Entre as operações de maior êxito do grande enganador, encontram-se os ensinos ilusórios e prodígios de mentira do espiritismo. Disfarçado em anjo de luz, estende suas redes onde menos se espera. Se os homens tão-somente estudassem o Livro de Deus com fervorosa oração a fim de o poderem compreender, não seriam deixados em trevas, à mercê das doutrinas falsas. Mas, rejeitando eles a verdade, são presa da ilusão.”[1]

As palavras acima, escritas no século 19, são uma descrição precisa da religiosidade brasileira. O ano de 2010 ficou marcado pelo lançamento de um dos principais filmes do cinema brasileiro de todos os tempos, “Chico Xavier”, que enaltece a figura do principal médium nascido em terras nacionais. Estima-se que mais de um milhão de espectadores passaram por salas de cinemas em todo o território nacional nos dez primeiros dias de exibição.

É evidente que, como adventistas, não compartilhamos os ensinamentos do espiritismo. Cremos na imortalidade condicional do ser humano, e não que a imortalidade lhe seja natural.[2] No entanto, como entender a problemática passagem de 1 Samuel 28, segundo a qual aparentemente o profeta Samuel retornou do mundo dos mortos e se comunicou com o rei Saul?[3] Esse texto se tornou um dos principais argumentos a favor da abordagem espírita das Escrituras Sagradas.

Neste artigo, faremos uma análise cuidadosa das informações fornecidas pelo texto bíblico. Vamos obter uma compreensão do relato a partir de textos rituais de necromancia entre os povos da Mesopotâmia e Canaã.

Saul e a necromante

A cidade de En-Dor ficava a aproximadamente 7 km de Gilboa, onde o acampamento filisteu estava arregimentado (v. 3). Devido a essa geografia, Andrew Fausset sugere que provavelmente Saul tenha passado pelo acampamento inimigo antes de chegar até a necromante,[4] o que faz sentido quando lemos que Saul se disfarçou antes do encontro (v. 8). A mesma informação é dada por Ellen White.[5] Ele correu todo esse risco apenas para encontrar alguém que pudesse aliviar-lhe o medo por meio de uma sessão de necromancia!

O texto bíblico não oferece detalhes sobre os processos ritualísticos ocorridos durante a seção mediúnica. Dispomos apenas do diálogo entre a necromante e Saul. Por cinco vezes o verbo “subir” (heb. ‘alah) é utilizado na conversa, como se lê entre os versos 11 a 15. Nessas passagens, o verbo está relacionado ao ato de fazer uma entidade morta voltar para o mundo dos vivos e comunicar sua mensagem. Um estudo aprofundado desses versos revelará a chave para uma compreensão bíblica séria de todo o capítulo.

Ao ser questionada sobre o que estava vendo em seu transe, a médium de En-Dor respondeu: “Deuses subindo eu vejo” (tradução literal). Curiosamente, o substantivo ‘elohim é usado nessa passagem para se referir a uma entidade morta! O motivo desse uso pode ser mais bem apreciado quando lembramos que entre muitos dos povos do Antigo Oriente Médio ancestrais costumavam ser adorados como deuses.

Em textos mesopotâmicos, por exemplo, o substantivo ilu, palavra acadiana para “deuses”, é usado largamente para se referir a mortos. Theodore Lewis, acadêmico da Johns Hopkins University, demonstrou o mesmo fenômeno em textos assírios, babilônicos, egípcios, hititas, fenícios e ugaríticos.[6] O mesmo ocorria em Canaã, como pode ser notado numa rápida comparação entre Números 25:2, onde é dito que os israelitas comeram sacrifícios dos deuses dos moabitas, e o Salmo 106, no qual o autor afirma que eles comeram sacrifícios dos mortos (v. 28).[7] Esses textos sugerem que entre os povos de Canaã os mortos também eram chamados de deuses (‘elohim).

Um intérprete sério e honesto das Escrituras não pode considerar a aparição do antigo profeta a Saul como sendo de origem divina, uma vez que o texto é claro em dizer que Deus não respondeu ao rei por nenhum dos métodos de revelação (v. 6). O que temos em 1 Samuel 28 é um ritual pagão totalmente contrário aos mandamentos de Deus (cf. Dt 18:9-13).

Saul parece ignorar o fato de que a necromante estava vendo vários deuses/espíritos mortos e muda do plural para o singular com a pergunta “Como é sua aparência?” (v. 14). Quem sabe temendo pela sua vida (cf. v. 9), ela agradou a Saul dizendo que estava vendo “um ancião subindo envolto numa capa” (v. 14). O que levou Saul a identificar esse “ancião” com Samuel, como pode ser lido no mesmo verso 14? Aparentemente a capa (heb.me’il) era uma característica da vestimenta do profeta (cf. 1 Sm 15:27; 2:19), mas ainda assim fica difícil ver alguma conexão entre o “ancião” e Samuel.

É bem provável que essa questão seja elucidada através de um problema textual no verso 14. P. Kyle McCarter Jr., do Departamento de Estudos Orientais da Jonhs Hopkins University, notou que há uma dificuldade em se aceitar a tradução “ancião” ou “homem velho” (‘ish zaqen) com base na versão grega do Antigo Testamento, a LXX.[8] Ao invés de zaqen, “velho”, em hebraico, é provável que a forma original da palavra tenha sido zaqep, cujo significado é “ereto”, mas nesse texto deve ter o sentido de “surpreendente”.[9] A diferença na grafia das duas palavras é mínima, uma vez que as formas finais das letras “n” e “p”, em hebraico, são bem semelhantes.

Se essa reconstrução do texto estiver correta, a necromante de En-Dor não ficou assustada por ver um homem velho, mas sim um ser inesperado que lhe causou pavor. Sua identificação entre esse ser e Samuel pode ter sido motivada pelo medo de Saul não cumprir sua palavra de preservação (cf. v. 9).

Saul e Samuel

Uma situação que causa certo desconforto quando esse capítulo é tratado em círculos adventistas é o fato de lermos em dois versos (v. 15 e 16) a expressão “Samuel disse...”, uma vez que ele já estava morto, como narrado em 1 Samuel 25:1. O teólogo adventista Greenville J. R. Kent, Ph.D em Antigo Testamento pela The University of Manchester, responde a essa situação comparando com a narrativa de Dagom, em 1 Samuel 5, em que as descrições desse deus filisteu sãos as mesmas de um ser humano. Os versos 3 e 4, por exemplo, dizem que Dagom estava com o rosto em terra, uma atitude praticada apenas por seres humanos, e não por um ídolo de madeira ou de metal. Para Kent, afirmar que “Samuel disse” ou que Dagom estava com o “rosto em terra” é uma técnica literária em que o autor bíblico apresenta o ponto de vista dos personagens, independentemente de serem ou não pagãos.[10]

Outra preocupação de alguns adventistas com esse capítulo tem que ver com a profecia, aparentemente cumprida, feita pelo “espírito” de Samuel que, no fim do seu discurso, fez uma chocante afirmação: “Amanhã, você e seus filhos estarão comigo” (v. 19).

Há pelos menos três observações a serem feitas a respeito dessa declaração: (1) Que parâmetro confuso é esse utilizado pelo espírito em colocar um profeta de Deus, Samuel, e um monarca rejeitado por Deus, Saul, no mesmo lugar após a morte? Com amplo apoio escriturístico, podemos afirmar que justos e injustos não terão o mesmo destino (cf. Jo 5:28, 29; 1Ts 4:16, 17; Ap 20:4-6; etc.); (2) nem todos os filhos de Saul morreram com ele, na batalha registrada em 1 Samuel 31; logo no início de 2 Samuel, somos informados de que outro filho de Saul esteve envolvido numa tentativa de usurpação do trono, Isbosete, também chamado de Isbaal (2Sm 2:10); (3) Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus, mas cometeu suicídio (1Sm 31:12, 13).[11]

Considerações finais

O trágico fim da vida de Saul deve servir de alerta para uma geração de cristãos cercados de influências espíritas, contrárias à Palavra de Deus. Entrar no terreno do inimigo pode saciar temporariamente a curiosidade pelo sobrenatural, mas terá um custo extremamente alto. Um adventista do sétimo dia sentiu isso na pele.

Moses Hull era um pregador com diversos talentos. Além de inteligente e hábil com as palavras, seu interesse se voltou para debates com alguns espiritualistas. Houve certo êxito em alguns casos, e ele levou alguns de seus oponentes ao cristianismo, mas quando um debate com o médium W. F. Jamiesen, em Paw Paw, Michigan, foi realizado, a mente de Hull se tornou confusa e a língua dele ficou estranha.[12]

Ellen White o aconselhou diversas vezes, mas sem êxito.[13] Hull pregou seu último sermão como adventista em 20 de setembro de 1863, e após isso o que se viu foi o surgimento de um líder nas fileiras do espiritualismo. Após deixar a esposa, ele se casou com uma médium espírita chamada Mattie E. Sawyer. Em 1902, Hull se tornou o primeiro diretor do Morris Pratt Institute, uma escola especializada em treinar médiuns espiritas. Somado a isso, ele é tido como o responsável por adicionar textos bíblicos para embasar a doutrina espírita. Tragicamente, Moses Hull cometeu suicídio em 1907, em San Jose, na Califórnia.[14]

Saul e Moses Hull. Dois homens separados por quase três mil anos que caíram no mesmo erro. Paulo estava certo quando disse: “Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuide para que não caia” (1Co 10:12).

(Luiz Gustavo S. Assis é pastor distrital em Caxias do Sul, RS)

1. Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: CPB, 1995), p. 524.
2. Gerard Damsteegt, Nisto Cremos: 27 ensinos bíblicos dos adventistas do sétimo dia (Tatuí, SP: CPB, 2003), p. 452-468.
3. Para mais informações sobre a história da interpretação de 1 Samuel 28 nos círculos judaicos e cristãos, ver K. A. D. Semelik, “The Witch of Endor: 1 Samuel 28 in Rabbinic and Christian Exegesis Till 800 A.D.”, Vigiliae Christianae 33, 1997, p. 160-179.
4. Andrews Fausset, Bible Encyclopedia and Dictionary Critical and Expository, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1997), p. 205.
5. Ellen G. White, Patriarcas e Profetas (Tatuí, SP: CPB, 1995), p. 679.
6. Theodore J. Lewis, “The Ancestral Estate in 2 Samuel 14:16”, Journal of Biblical Literature 110/04, 1991, p. 600, 601.
7. Lewis, p. 602.
8. P. Kyle McCarter, Jr., I Samuel: The Anchor Bible 8 (New York: Doubleday, 1980), p. 421.
9. Theodore Lewis menciona dois documentos acadianos nos quais a palavra zapaqu, cognata dezaqep, foi utilizada para se referir ao ato de cobras ficarem eretas, quando prontas para dar o bote, e, curiosamente, outro texto falando do fantasma de um morto que deixou o cabelo de alguém em pé! Ambos os textos se referem a “uma noção súbita ou surpreendente associada com medo”. Cults of the Dead in Ancient Israel and Ugarit (Atlanta, GA: Scholars Press, 1989), p. 116. Portanto, a tradução de zapeq em 1 Samuel 28:14 deve levar em conta esse background etimológico.
10. Greenvile J. R. Kent, “Did the Medium at En-Dor Really Bring Forth Samuel?”, em Gerhard Pfandl, ed., Interpreting Scripture: Bible Questions and Answers, Biblical Research Institute Studies, v. 2 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 2010), p. 199.
11. Kent, p. 198.
12. Herbert E. Douglass, Mensageira do Senhor: O ministério profético de Ellen G. White (Tatuí, SP: CPB, 2003), p. 231.
13. Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja (Tatuí, SP: CPB, 2006), p. 1:426-437.
14. James R. Nix, “The Tragic Story of Moses Hull”, Adventist Review 164:35 (agosto de 1987), p. 16.

Fonte: Criacionismo.com

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Inferno eterno?




Edward William Fudge, autor de The Fire That Consumes: A Biblical and Historical Study of the Doctrine of Final Punishment(O Fogo Que Consome: Um Estudo Bíblico e Histórico da Doutrina da Punição Final), é um defensor da visão aniquilista [aniquilacionista] do inferno. Ele acredita que o inferno é real e que as pessoas são torturadas no inferno. Mas, diferentemente da visão tradicional, ele sustenta que a dor é temporária e que aqueles [que estarão] no inferno eventualmente cessarão de existir. “Isso tem a ver com o caráter de Deus e a maneira como as pessoas veem o caráter de Deus”, explicou Fudge para oThe Christian Post na quarta-feira. “O Deus que ama o mundo tanto que deu Seu único filho para que os crentes não perecessem, mas tivessem a vida eterna vai então voltar e atirar bilhões deles dentro de algo que é como um lago de lava vulcânica e fazer assim de maneira que eles não morram, e que eles enfrentem isso para sempre. Isso não parece o Deus que eu conheço e vejo em Jesus Cristo”, afirmou ele.

O Fogo Que Consome, livro de 442 páginas com cerca de mil notas de rodapé, foi primeiramente lançado em 1982. O livro, que é considerado leitura obrigatória pelos teólogos e estudiosos do inferno, apenas marcou o lançamento de sua primeira edição há poucas semanas. Fudge, que é advogado e ex-ancião nas Igrejas de Cristo, diz que ele não leu o livro controverso de Rob Bell, O Amor Vence, e não vê necessidade para isso. Mas ele leu “sérias análises por pessoas de mente soberba” sobre o livro e diz que ele concorda com Bell em que a visão tradicional que um não salvo tem que ser sujeitado à tortura pela eternidade contradiz o entendimento de um Deus de amor.

Fudge afirma que dezenas de passagens na Bíblia sustentam sua posição de que a vida eterna é presente de Deus somente para os crentes. Em João 3:16, por exemplo, é dito que “todo aquele que nEle crê não perecerá mas terá vida eterna”. Esse versículo famoso somente promete a vida eterna para aqueles que acreditam em Jesus, mantém o defensor do [aniquilacionismo]. E em Romanos 6:23, o apóstolo Paulo diz que “o salário do pecado é a morte, mas o presente de Deus é a vida eterna”.

Todas as vezes em que a palavra imortalidade é usada no Novo Testamento em relação às pessoas, o estudioso diz, está sempre falando sobre os salvos, tal como 1Coríntios 15. “Isso (imortalidade) nunca é usado para os perdidos. Porque os seres humanos existem somente enquanto Deus lhes dá a vida. Se os ímpios crescem como não imortais… então não há nenhuma base na qual eles possam continuar a existir para sempre”, disse Fudge.

É importante para todo cristão pensar cuidadosamente sobre o que acontece no inferno, disse o respeitado autor, porque os crentes devem ensinar a Palavra de Deus corretamente. “Se pretendemos falar de Deus, precisamos ser bem cuidadosos e tentar ser precisos no que representamos sobre o que Deus está dizendo”, disse ele. “Acredito que a visão tradicional por si só é um terrível escândalo contra a natureza de Deus.”

Entre os estudiosos cristãos notáveis que também sustentam a mesma visão de Fudge sobre o inferno estão: F.F. Bruce, estudioso bíblico considerado um dos fundadores do entendimento evangélico moderno da Bíblia, e NT Wright, estudioso do Novo testamento e ex-bispo de Durham, na Igreja da Inglaterra, entre outros. John Stott, clérigo anglicano e líder do movimento evangélico mundial, pediu uma consideração dessa visão.

Fonte: Gospel Mais

quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Lei do amor




Então Moisés desceu do monte e mandou que o povo se purificasse para adorar a Deus. E todos lavaram as suas roupas. Êxodo 19:14.

O povo de Israel vivia um momento solene e todos estavam agitados. O monte Sinai fumegava com a presença de Deus. Moisés pediu a todos que se lavassem e se purificassem. Deus estava prestes a entregar ao Seu povo as duas tábuas da lei – os Dez Mandamentos.
Alguma vez você se perguntou por que Deus tem uma lei? Dizem alguns que Deus não é tão bom assim, pois restringe certas coisas a Seus filhos. Será que isso é verdade?
Meu irmão caçula nasceu quando eu já estava no fim de minha adolescência. Lembro-me de uma cena interessante. Depois de começar a andar, meu irmão achou que era tempo de ser independente. Queria tocar em tudo e descobrir o mundo. Um dia, minha mãe assava alguns pães e o forno estava bem quente. Percebendo que meu irmão se aproximava da porta do forno, ela o puxou e lhe disse: “Não toque ali, pois faz dodói.” Meu irmãozinho fez uma carinha de interrogação e continuou brincando.
Mas logo aconteceu o inevitável. Quando todos nós demos as costas, meu irmão se aventurou a ir até o fogão e experimentou apalpar a porta de entrada do forno. E eu nem preciso dizer o que ele sentiu. Quando o avistamos, ele erguia as mãozinhas aos prantos, dizendo: “dói, dói”. (Vi a mesma cena se repetir com minha filha.)
Depois daquele dia, meu irmão nunca mais chegou perto do forno. Fiquei imaginando que, se ele tivesse condição de entender claramente o aviso que minha mãe lhe fez, nunca teria queimado as mãos.
A lei de Deus também existe para evitar que nos machuquemos. Penso que Deus nunca nos restringiria nada se não fosse pensando em nosso bem. Assim como a lei de trânsito existe para evitar acidentes, Deus nos deixou Sua lei como prevenção ao sofrimento e à dor. Cada mandamento da lei de Deus é importante para nossa felicidade.

Fernando Beier

terça-feira, 21 de junho de 2011

Os benefícios de estar destroçado

A graça de Deus, única solução para a morte e a maldade, vem sem custos, livre da lei, livre dos esforços humanos para obtê-la.
Por Philip Yancey
Ao ouvir os discursos nos períodos de eleições, alguém pode sugerir que uma nova safra de políticos resolverá os problemas que o país tem enfrentado. Uma vez eleito, o candidato resolverá os problemas da educação, a crise na saúde, eliminará a pobreza, ajustará a economia e unirá o país.

Para dois problemas, entretanto, nenhum político ousa apresentar soluções: morte e maldade. Endêmicos à condição humana, esses dois problemas nos acompanharão por toda nossa vida. São exatamente esses os problemas que o evangelho de Cristo promete solucionar – não através da política ou ciência, mas através de um projeto que se iniciou no Gólgota.

Estudiosos da Bíblia mostram que o capítulo 3 de Romanos é a mais compacta exposição das boas novas. Antes de revelar a cura para aqueles dois males, Paulo detalha a impotência da humanidade em achar solução por conta própria. Desse modo, ele impressiona seus ouvintes com a gravidade da “doença” antes de apresentar sua cura. Sou confrontado com as três categorias de pecadores apresentadas por Paulo em Romanos 1 e 2. Ele começa descrevendo infratores flagrantes: depravados, assassinos e inimigos de Deus (embora, curiosamente, ele também mencione os pecados “de todo dia”, como ganância, fofoca, inveja e desobediência aos pais).

Como seus leitores eram cidadãos conscientes, presunçosos por sua superioridade moral ante àqueles depravados, Paulo vira a mesa do jogo no capítulo 2: “Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas”.

Posso nunca ter roubado um banco, mas será que eu já soneguei meus impostos? Ou será que eu fiz alguma obra em minha casa sem que tivesse licença para fazê-la? Será que já ignorei uma necessidade por causa de preguiça? Paulo segue a lógica de Jesus apresentada no Sermão do Monte: Homicídio e adultério diferem de ódio e luxúria apenas por uma questão de grau. Na verdade, a pessoa que comete um mal flagrante tem uma vantagem peculiar: um giroscópio interno na consciência que registra a sensação de estar fora de curso.

Certa vez, aceitei participar de um programa de cristãos chamado de os 12 passos, como os Alcoólicos Anônimos. Enquanto falava com os que ali estavam e ponderava acerca do que ia dizer, eu finalmente decidi pelo irônico título: “porque às vezes eu desejaria ser um Alcoólico”. Ocorreu-me que aquilo que os levava a confessarem-se todos os dias – falhas pessoais, a necessidade diária de graça e ajuda de amigos e de um poder maior – representa altos obstáculos para aqueles de nós que se orgulham de sua independência e auto-suficiência.

Paulo reservou seus comentários mais contundentes para uma terceira categoria de homens, os portadores de justiça própria, que em seus dias eram, majoritariamente, judeus que se orgulhavam por guardar estritamente a lei. Fariseu dos fariseus; Paulo conhecia muito bem esse título, como atesta em uma de suas cartas. Ele se refere aos depravados como “eles”, e aos bons cidadãos como “vocês”. Entretanto, quando ele discursa sobre a justiça própria, ele usa a primeira pessoa do plural. “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma!”.

Nos seus piores dias concernentes à justiça própria, Paulo perseguiu cristãos e esteve presente no apedrejamento de Estêvão. Ele sabia dos perigos que acompanhavam aqueles que se achavam moralmente superiores. Assim como a negação pode fazer com que pessoas não procurem médicos por cause de um nódulo, pondo, assim, vidas em risco, a negação do pecado pode conduzir a conseqüências ainda maiores. A menos que aceitemos esse desolador diagnóstico, não encontraremos cura.

A descrição da confissão de Paulo sobre sua justiça própria me faz lembrar um incomum esforço de M. Scott Peck para identificar uma nova desordem psíquica chamada mal. Em seu livro “Povo da mentira”, Pack analisa os tipos de maldade e conclui, como Paulo, que os piores deles são os mais sutis. Todos condenamos abusos infantis – mas o que dizer sobre pais controladores e manipuladores que trazem conseqüências devastadoras sobre suas crianças? Pack menciona uma surpreendente característica da maldade: atitude de se esquivar; intolerância com críticas; preocupação pública para com sua imagem e com sua respeitabilidade; fraqueza intelectual.

Paulo conclui: “Não há um justo; nem um sequer”. Talvez na passagem mais sombria de toda a Bíblia, ele fez uma conjunta descrição anatômica deste problema, ao dizer que eles têm: línguas enganadoras, gargantas como um sepulcro aberto, lábios venenosos, pés violentos e olhos arrogantes (Rm 3.10-18). Todas essas coisas estabelecem a magnífica apresentação do evangelho que começa em Romanos 3.21, a explicação da justificação pela fé somente que desencadeou a Reforma Protestante.

A graça de Deus, única solução para a morte e a maldade, vem sem custos, livre da lei, livre dos esforços humanos para obtê-la. Para essa livre oferta, nós só precisamos manter abertas as nossas pobres e necessitadas mãos – o gesto mais difícil para alguém cheio de justiça própria.

 Fonte: cristianismohoje.com

sexta-feira, 17 de junho de 2011

STF libera marcha da maconha




O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, pela liberação da marcha da maconha. O STF levou em conta que a proibição do movimento ameaçava a liberdade de expressão e não fazia apologia ao uso de drogas. Cezar Peluso, último a votar, seguiu o voto do relator Celso de Mello, pela liberação das manifestações e a restrição da interferência do Estado em movimentos populares. A decisão foi tomada na noite de quarta-feira, 15. [...] Logo após a decisão do Supremo, os organizadores da Marcha da Maconha anunciaram que neste sábado o movimento vai se unir à Marcha pela Liberdade de Expressão em atos na Praia de Copacabana, no Rio, e em São Paulo. Uma nova marcha já está programada para o dia 2 de julho na Avenida Paulista.

Segundo a procuradora da República Janice Ascari, uma coisa é fazer apologia ao uso de drogas e outra é garantir ao cidadão o direito de expressar suas opiniões: “O cidadão tem o direito de expor seu ponto de vista sobre os assuntos mais polêmicos. Hoje, o uso de maconha é criminalizado, mas até recentemente o adultério também era crime e hoje deixou de ser crime. As leis acabam mudando também com a evolução da sociedade e o cidadão tem direito de expressar o que pensa”, disse. [...]

Ivone Ponczek, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad) da Uerj, diz que é a favor da descriminalização do usuário e que toda manifestação é válida num país democrático, mas faz uma ressalva: “É preciso ter cuidado para que não façam apologia ou banalizem o uso da maconha, que é uma droga que pode causar dependência e deixar sequelas. Se a marcha servir para promover o debate, perfeito. Se for para negar que a maconha pode trazer consequências é leviano”, ressaltou.

Fonte: Opinião e Notícia

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pausa para boa música

A diferença entre "ditos populares", "disparates", "fraseados de botequim" e "frases feitas".











DITOS POPULARES - Trata-se de sentenças, frases ou expressões cujo objetivo é caracterizar uma situação ou identificar um estado. Por exemplo: “Filha de onça nasce com pintas que nem a mãe.” / “Quem por gosto corre não se cansa.” / “Contente como barata no bico da galinha.” / “Perdido como cachorro que cai do caminhão de mudança etc.”

OS DISPARATES - São frases aparentemente sem sentidos, exclusivas da linguagem oral. Exemplos: “Que importa ao pires se quem bebe o café tem ou não bigodes?” / “Que é que tem a ver as ceroulas com as calças?” etc.
FRASEADOS DE BOTEQUIM - São espécies de “soluções” ou “fórmulas” dos comerciantes para não vender fiado; usadas com mais freqüência nas pequenas cidades. Exemplos: “Fiado só quando o Brasil pagar a dívida externa.” / “Fiado só para maiores de noventa anos acompanhados dos pais.” / “Fiado? Só no feriado quando o boteco está fechado.” / “Freguês educado não cospe no chão, não pede fiado nem diz palavrão.” / “Fiado só para um bom amigo, e um bom amigo jamais pede fiado.”
FRASES FEITAS - O brasileiro é especialista em cunhar frases feitas. Para cada assunto, há sempre uma expressão na ponta da língua. Por exemplo: “Jogar verde para colher maduro.” / “Comer gato por lebre.” / “Fazer de gato e sapato.” / “Marinheiro de primeira viagem.” / “O que não mata, engorda.” / “Maria vai com as outras.” / “Virou casa da mãe Joana.” / “Para o que der e vier” / “Meter os pés pelas mãos” / “Pôr a barba de molho” / “Botar no chinelo” / “De cabo a rabo” etc.
É isso!
Fonte: humordarwinista

terça-feira, 7 de junho de 2011

Alunos são constrangidos no Acre a assistirem vídeo anti-homofobia
















A canalha antidemocrática, que acredita que a democracia é bacana desde que valha para seus aliados, reclama que os evangélicos são conservadores, reacionários, atrasados, sei lá o quê. Pois é… Não fossem eles, os estudantes de Rio Branco, no Acre, continuariam a ser submetidos a uma variante de abuso e assédio moral — os filmes do MEC não exatamente isso. Mais: seriam usadas como uma espécie de cobaia.

O Ministério Público precisa apurar se procede a denúncia de que salas de aula foram trancadas para que os alunos fossem obrigados a assistir aos filmes. Se isso é verdade, professores, diretores e o secretário de Educação do Estado têm de ser processados. Trata-se de constrangimento ilegal.

Não se tranca uma sala de aula nem para obrigar o aluno a assistir aula de matemática. Direito de sair da sala, ele tem a qualquer momento, arcando com as conseqüências previstas em regimento. Nesse caso, estava sendo exibido em sala um material que havia sido vetado pelo próprio Poder Executivo porque inadequado.
Fonte: Reinaldo Azevedo

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Pausa para a boa música

Pesquisa afirma que divórcio atrapalha estudo das crianças















O divórcio dos pais afeta profundamente a vida escolar dos filhos pequenos, segundo conclusões de uma pesquisa americana. De acordo com o estudo, as crianças sofrem uma queda em seu desempenho acadêmico, além de desenvolverem dificuldade para se relacionar com os colegas. Os pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison fazem, portanto, um alerta: é preciso que os pais redobrem a atenção dispensada aos filhos nesse delicado momento da vida familiar.

A pesquisa acompanhou cerca de 3.500 crianças de quatro anos. A experiência durou cinco anos e, por meio dela, foi possível comparar o desenvolvimento emocional de crianças cujos pais se divorciaram daquelas cujos pais permaneceram casados.

O resultado mostra que as crianças de pais em processo de divórcio sofrem de ansiedade, solidão e tristeza. Por isso, se distanciam dos amigos e passam a ter dificuldades em acompanhar o ritmo acadêmico. Com isso, veem suas notas despencarem. A boa notícia é que a situação tende a se estabilizar com o passar do tempo e da estabilização da separação.

Entre as causas desse situação estão o stress causado pelo desgaste da relação entre os pais, que passam a brigar na frente dos filhos pequenos. Discussões sobre guarda e pensão também causam prejuízos sobre as crianças, dizem os pesquisadores.

A pesquisa foi publicada no periódico especializado American Sociological Review.
Fonte: Veja

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A honestidade vale a pena?

























Estava ali, na poltrona 13 do ônibus que faz a rota Friburgo-Rio. Um celular esquecido pelo passageiro. Entre a poltrona e o vidro, havia algo mais. O motorista Joilson Chagas, de 31 anos, abriu o “pacote rústico” e tomou um susto. Nunca tinha visto tanto dinheiro junto: R$ 74.800. Não passou aos superiores. “É tentador. Nessa hora, nem nos colegas a gente confia.” Por sorte ou destino, Joilson conseguiu devolver tudo ao dono. “O dinheiro não era meu. É bom ficar com o que é nosso.” Joilson levou o dinheiro de volta a Friburgo. Ao chegar ao ponto final, na Ponte da Saudade, avistou um senhor humilde chorando na porta da padaria. “Perdi um celular”, dizia ele, “deve ter sido no centro do Rio.” Joilson perguntou: “O celular é este?” O senhor, agricultor de 80 anos, emocionou-se: “É esse mesmo. Não tinha mais nada no ônibus?” Joilson disse que ele precisava explicar direitinho o que perdera. E ele falou: “Eram R$ 74.800 para pagar o transplante de minha filha, que não é coberto pelo SUS.” Joilson entregou o pacote e não aceitou recompensa. “O dinheiro estava contado para a cirurgia e para a passagem. Eu não podia aceitar nada”, ele me disse. “Também sou pai de família.”

A história de Joilson aconteceu no dia 19 de abril e correu mundo. No Facebook, ele recebeu mensagens da Holanda, da Espanha, dos Estados Unidos, do Japão. Foi a programas de televisão. Ganhou plaqueta da empresa elogiando seu ato. Foi homenageado na semana passada no Palácio Guanabara, do governo do Estado. Recebeu cartas de alunos da 2ª a 5ª série de uma escola do Rio, dizendo: “Motorista, foi lindo o que você fez, você foi meu herói.” Num dos envelopes, havia R$ 2 e um bilhete: “Desculpe não dar mais, era o que eu tinha no bolso.” Joilson treme a voz. Quer encontrar e beijar essas crianças. “O que eu fiz era para ser uma coisa normal. O ser humano é repleto de valores, mas não põe em prática.”

Ele começou a dirigir em transportadora quando tinha 18 anos. Concluiu o segundo grau. É casado, seu filho Gabriel tem 14 anos e sua mulher está grávida de cinco meses, de outro menino. Nas enxurradas em Friburgo, Joilson perdeu a casa, os móveis, e mora de favor na casa da irmã. A escola onde sua mulher era professora também foi levada pelas águas. Agora, ela costura. Joilson constrói uma nova casa. Trabalha 16 horas por dia como motorista, faz duas viagens de ida e volta no ônibus da Viação 1001, tem uma folga por semana. “Cai na segunda ou na terça.” O primeiro ônibus sai às 5h30 de Friburgo. Ganha R$ 1.000 líquidos por mês, mas paga R$ 500 ao pedreiro que ergue sua “casinha”. Joilson faz biscates de pintura: “A necessidade faz o sapo pular.”

Seu único bem hoje é uma “motinha”. Mas ele confia que “Deus está abrindo portas” e se preocupa com muita gente em Friburgo ainda abandonada em abrigos. Seu sonho é ter negócio próprio. Uma loja de autopeças. “Sempre vesti a camisa das empresas em que trabalhei, mas queria ter uma lojinha.” Depois da enchente, a empresa deu a ele “uma cama de solteiro para o filho, um guarda-roupa de três portas e um sofazinho”. Joilson gosta de diminutivos. Porque a vida sempre correu assim. Da casa para o trabalho, a estrada, os engarrafamentos, a paciência com passageiros mais estressados. A igreja e a beira do rio, onde pesca de anzol. “Meu lazer é ver televisão com a família comendo uma pipoquinha.”

A atitude de Joilson não lhe rendeu só alegria. Quando descansava no dormitório da empresa, alguns colegas jogaram seu crachá no vaso sanitário e escreveram na parede do banheiro “Chagas otário”. “Me chamaram ainda de babaca, palhaço, puxa-saco. Meu filho virou motivo de chacota no colégio. Mas não teve vergonha, sentiu orgulho de mim. A gente vive num mundo estranho. Perderam os valores”, diz.

Eu queria que Joilson pudesse estar na lista da Época desta semana dos 40 brasileiros com menos de 40 anos que representam o futuro do país. “Educação hoje é uma coisa rara. Mas é tudo na vida. Tento passar para o meu filho. Fazer o bem faz bem. Acho que eu servi de exemplo para muitos políticos, muita gente.”

Ruth de Aquino

Fonte: Época