terça-feira, 31 de maio de 2011

Empresa alemã "recompensa" funcionários com prostitutas


A seguradora alemã Munich RE é uma das maiores seguradoras do mundo e a ERGO é uma das suas divisões.
No ano de 2007 a ERGO recompensou os seus melhores vendedores e executivos com uma orgia na capital húngara (Budapeste).
Segundo se sabe estavam presentes cerca de cem participantes e vinte prostitutas, e estas últimas não só usavam fitas coloridas nos braços mostrando se estavam disponíveis ou não, como também eram marcadas nos braços depois de cada "serviço".
De acordo com a Handelsblatt (citando um participante anónimo) os convidados podiam levar as mulheres até aos quartos das termas, e "fazer o que eles gostassem".
Depois de cada encontro, as mulheres eram marcadas na parte inferior do braço de modo a que se soubesse quantas vezes havia sido visitada. As mulheres usavam fitas de pulso amarelas e vermelhas. Um grupo era o de anfitriãs e o outro grupo eram as que estavam lá para satisfazer as tuas necessidades.Havia também mulheres com fitas brancas no pulso. Estas estavam reservadas para os membros da comissão de directores e para os melhores vendedores.
Um vendedor admite que, sim, a orgia ocorreu mas asseverou que esta não era a forma normal da companhia recompensar os empregados.

A decadência da Europa pós-Cristã é um "espectáculo" horrível de se observar.
É verdadeiramente decadente que uma empresa com expressão mundial escolha explorar mulheres para "recompensar" os seus melhores vendedores.

Fonte: marx

O deputado Bolsonaro e o fuzilamento da direita

























No Brasil de hoje, como se sabe, ninguém é de direita. Ou melhor: a direita existe, mas é uma espécie de sujeito oculto, que só aparece para justificar os heroicos discursos da esquerda – eterna vítima dela. Lula governou oito anos, promoveu seus companheiros aos mais altos cargos e salários estatais, fez sua sucessora, e a esquerda continua oprimida pela elite burguesa. É de dar pena. Nessa doce ditadura dos coitados, é preciso cuidado com o que se fala. Os coitados são muito suscetíveis. Foi assim que o deputado federal Jair Bolsonaro foi parar no paredão. Capitão do Exército, Bolsonaro é filiado ao Partido Progressista, mas é uma espécie de reacionário assumido. Defende abertamente as bandeiras da direita – que, como dito acima, não existem mais. Portanto, Bolsonaro não existe. Mas fala – e esse é seu grande crime. Depois da polêmica entrevista do deputado ao CQC, da TV Bandeirantes, o líder do programa, Marcelo Tas, recebeu e-mails de telespectadores revoltados. Parte deles protestava contra o próprio Tas, por ter dado voz a Jair Bolsonaro. Na Constituição dos politicamente corretos – assim como nas militares –, liberdade de expressão tem limite. 

A grande barbaridade dita por Bolsonaro no CQC, em resposta à cantora Preta Gil, foi que um filho seu não se casaria com uma negra, por não ser promíscuo. Uma declaração tão absurda que o próprio Marcelo Tas cogitou, em seguida, que o deputado não tivesse entendido a pergunta. Foi exatamente o que Bolsonaro afirmou no dia seguinte. Estava falando sobre homossexualismo, e não percebeu que a questão era sobre racismo: “A resposta não bate com a pergunta”, disse o deputado.

Se Jair Bolsonaro é ou não é racista, não é essa polêmica que vai esclarecer. No CQC, pelo menos, ele não disparou deliberadamente contra os negros. Estava falando de promiscuidade, porque seu alvo era o homossexualismo. O conceito do deputado sobre os gays é, como a maioria de seus conceitos, reacionário. A pergunta é: por que ele não tem o direito de expressá-lo?

Bolsonaro nem sequer pregou a intolerância aos gays. Disse inclusive que eles são respeitados nas Forças Armadas. O que fez foi relacionar o homossexualismo aos “maus costumes”, dizendo que filhos com “boa educação” não se tornam gays. É um ponto de vista preconceituoso, além de tacanho, mas é o que ele pensa. Seria saudável que os gays, com seu humor crítico e habitualmente ferino, fossem proibidos de fustigar a truculência dos militares?

A entrevista também passou pelo tema das cotas raciais. Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista.”

É a resposta de um reacionário, um dinossauro da direita, proscrito pelas modernas ideologias progressistas e abominado por sua lealdade ao regime militar. Mas é uma boa resposta. E agora?

Agora o Brasil bonzinho vai fazer o de sempre: passar ao largo do debate e choramingar contra a direita. Eis um caminho de risco zero. Processar Bolsonaro, o vilão de plantão, é vida fácil para os burocratas do humanismo. No reinado do filho do Brasil, até o nosso Delúbio, com a boca na botija do mensalão, gritou que aquilo era uma conspiração da direita contra o governo popular. O filão é inesgotável.

Cutucar o conservadorismo destrambelhado de Bolsonaro é atração garantida. Mas censurá-lo em seguida não fica bem. Parece até coisa dos antepassados políticos dele. A metralhadora giratória do capitão dispara absurdos, mas não está calibrada para fazer média com as minorias – e isso é raro hoje em dia.

De mais a mais, se manifestantes negros podem tentar barrar um bloco carnavalesco que homenageia Monteiro Lobato, por que um deputado de direita não pode ser contra o orgulho gay e as cotas raciais? Vai ver o preconceito também virou monopólio da esquerda.

Guilherme Fiuza

Fonte: Época

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Serial Killer de animais?


As pessoas estão acostumadas a ler notícias e ver seriados de TV sobre investigações policiais de assassinos em séries de humanos, mas e os serial killers de animais?
Existem casos no mundo todo. Um exemplo são os 40 cisnes mortos por humanos em Somerset, Inglaterra, nos três primeiros meses deste ano. Há dez dias, quatro homens foram presos por atirar em oito gansos. E na semana passada, um homem foi preso na Inglaterra por matar um ganso com uma arma.
Outra vítima constante na Inglaterra são os gatos. Contudo, desde 1980, centenas, talvez milhares de cavalos foram golpeados, mutilados e (pasmem) abusados sexualmente naquele país. Até um pônei foi violentado sexualmente e depois esfaqueado até a morte.
Quando não há testemunhas, estes casos dificilmente são resolvidos. “É complicado quando se tem apenas o animal morto e nada mais para continuar”, diz a promotora Andy Shipp.
Os oficiais de polícia geralmente seguem os procedimentos comuns. Na cena do crime, eles tiram fotos e tentam recolher evidências forenses a procura de impressões digitais e amostras de DNA. Ela se lembra do caso de uma vaca que foi encontrada viva com uma flecha atravessada em sua cabeça. Os investigadores encontraram DNA em outra flecha que havia sido largada no campo e identificaram um jovem, que foi preso.
Um exame post-mortem é conduzido por um veterinário para determinar a causa da morte, apesar de não averiguarem detalhes como, por exemplo, qual veneno teria sido usado. Os policias batem de porta em porta em busca de testemunhas e, se tudo falha, eles fazem um apelo por meio da imprensa. Em casos extremos, como o dos cisnes de Somerset, a Sociedade Real pela Prevenção da Crueldade Contra Animais (tradução livre para Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals – RSPCA) trabalha lado a lado com a polícia.
A RSPCA também tem uma unidade de operações especiais, com técnicos forenses. De acordo com o superintendente da unidade, Barry Fryer, a ciência forense está sendo cada vez mais necessária. “Se um homem tem sangue de texugo em seus jeans nós podemos comparar com o do animal da cena do crime”. Terra nos sapatos também pode ligar alguém ao local do crime, assim como pólen.
Mas a maioria das investigações não usa alta tecnologia, diz o investigador da RSPCA, Simon Evans. “Nós apenas esperamos que o assassino tenha cometido um erro e deixado DNA para trás. Quando conseguimos que alguém nos dê qualquer informação é uma grande sorte”.
Em 12 anos, ele acredita ter conseguido prender uma dúzia de pessoas. A maioria dos crimes fica sem solução. Além disso, a pena máxima para os acusados de crueldade animal é de seis meses. A motivação para tanta crueldade nem sempre é clara, mas muitas vezes os culpados são fazendeiros descontentes ou jovens. Dados de 2009 mostram que, na Inglaterra, naquele ano, 32 aves de rapina foram mortas a tiros e 81 envenenadas.
É uma pena que não haja uma equipe estilo CSI para caçar os culpados de tanta crueldade, afinal, ao contrário dos seres humanos, os animais têm poucos ou nenhum meio para se defender.
Fonte: BBC

domingo, 29 de maio de 2011

Aulas de "ética" com ajuda de strippers?


A Universidade "La Salle" iniciou uma investigação em torno de alegações de que um professor contratou strippers para fazerem "lap dances" durante o simpósio estudantil.
O professor, conhecido por usar "aplicações da vida real" durante as aulas, alegadamente usou as prostitutas strippers como formas de ensinar a ética dos negócios.
Jack Rappaport, conhecido no campus como "Jack Rap", é um professor assistente de gestão que ensina temas como estatística, resolução de problemas e gestão operacional. No passado dia 21 de Março ele levou a cabo um simpósio onde cada bilhete de entrada custava 150 dólares. Os alunos que assistiram ao evento obtiveram créditos extra por terem participado.
Durante a conferência, 2 strippers ofereceram "lap dances" ao professor Rappaport e a todos os alunos que concordaram. O simpósio terminou o quando o Reitor Paul Brazina entrou na sala.
Segundo o seu perfil online, para além das suas funções como professor, Rappaport trabalha para o comité universitário da integridade académica. "Tento enriquecer o meu ensino usando aplicações da vida real interessantes tais como o uso do mercado das apostas de corridas de cavalo para ensinar a Estatística".
O director das Relações Mediáticas Jon Caroulis disse à NBC que a escola está "bastante preocupada" àcerca do alegado incidente, e que começou com uma "investigação extensiva". "Enquanto a investigação não estiver finalizada, será injusto para todos os envolvidos revelar mais informação ou levantar suspeições e revelar alegações".

Fonte: Marxismocultural

quinta-feira, 19 de maio de 2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Cultura da decadência
























Por Michelson Borges

Quando me perguntam o que acho de As Crônicas de Nárnia, deixando de lado a tremenda capacidade narrativa de C. S. Lewis e sua criatividade invejável, digo que a intenção do autor foi boa, já que ele quis transmitir a mensagem bíblica por meio de parábolas. Ocorre que a aventura e as mitologias entremeadas na história são tão empolgantes e destacadas que acabam por se sobrepor demais à intenção por trás da trama. As crônicas viram puro entretenimento – com batalhas épicas e muita magia – misturado com detalhes preocupantes. O livro é bom, bem escrito, mas biblicamente “diluído”, se posso dizer assim. 

E o que dizer do ainda mais conhecido O Senhor dos Anéis, de J. R. R. Tolkien? Lewis deixou de ser ateu e se tornou anglicano em grande parte devido à influência de pessoas como o católico Tolkien, amigo pessoal do professor de Oxford. O romance de Tolkien é bastante maniqueísta, com clara demarcação entre o bem e o mal. Mas, diferentemente do que ocorre em As Crônicas de Nárnia, não há intenção “evangelística” alguma na obra de Tolkien. Trata-se de uma aventura que mistura elementos das mitologias nórdica e germânica, num mundo imaginário (Terra Média) povoado de seres míticos como elfos, hobbits e magos.

O épico do momento é A Guerra dos Tronos, primeiro volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo, escrito por George R. R. Martin. Chamou-me a atenção a matéria “Dez razões pelas quais A Guerra dos Tronos é (muito) melhor do que O Senhor dos Anéis”, publicada no site da revista Veja. Pelo tom bombástico do título, pensei: “Deve ser um romance muito, mas muito bem escrito; algo realmente grandioso para ser considerado tão melhor do que a obra de Tolkien.” Então fui conferir as tais dez razões pelas quais Vejaconsidera A Guerra dos Tronos (muito) melhor do que O Senhor dos Anéis. Destaco três delas:

1. Os personagens transam, escarram, defecam e ficam de ressaca. “Enquanto Tolkien parece viver um platonismo cego, Martin leva o realismo às últimas consequências. As páginas transbordam de descrições vívidas de sexo e violência. Nas batalhas, há estupros e infanticídios. Nos castelos, prostitutas luxuriosas e banquetes cheios de gula. ‘Já era tempo de a fantasia crescer e se tornar adulta’, declarou o autor em entrevista a Veja.”

4. Martin não tem nenhum princípio. “O autor de Crônicas não está preocupado com leitores de estômago fraco. Tudo que é sujo e já existiu na humanidade está presente na trama: traição, incesto, prostituição, roubo, estupro, violência, crueldade, infanticídio, eutanásia, aborto. Pode pensar no que quiser de sórdido e moralmente questionável, estará lá.”

9. Há personagens para todos os gostos. “Os personagens vivem todo tipo de drama: da deficiência física à paixão incestuosa entre irmãos. Enquanto as criaturas de O Senhor dos Anéis são movidas por honra ou ódio, os moradores de Westeros respondem à chantagem, rancor, paixão, amor, luxúria, fidelidade, ambição e confusão – motivações muito mais próximas da realidade.”

Se As Crônicas de Gelo e Fogo é o melhor que temos em termos de literatura popular nesta primeira década do século 21, podemos considerar ótimo O Senhor dos Anéis e maravilhoso As Crônicas de Nárnia. Os valores morais estão em franca decadência, em todas as áreas. Isso me faz lembrar as palavras de um amigo que disse: “Você não concorda com o ‘ficar’, não é? Mas, se seu filho estiver ‘ficando’ com uma garota, considere-se feliz: é com uma garota...”

Chegamos a um tempo em que a opção ficou entre o péssimo e o menos pior. Preocupa pensar que dias piores virão.

Fonte: Criacionismo.com

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Entenda o novo código florestal brasileiro



Fonte: Yahoo.com.br

Quando e como o Senhor quer

Estudos sobre os efeitos da intercessão mostram que a ação divina não tem compromisso com a lógica das metodologias.
Por Gregory Fung e Christopher Fun
Ao longo dos tempos, medicina e fé nunca se deram lá muito bem. Se, de um lado, os profissionais de saúde costumam atribuir a possibilidade de cura aos corretos tratamentos, por outro, muitos religiosos tendem a maximizar a importância da intervenção divina em detrimento da eficiência médica. De uns tempos para cá, contudo, tem havido uma frutífera aproximação entre os dois segmentos. Tanto, que um estudo recentemente realizado pelo Departamento de Pesquisa de Saúde dos Estados Unidos concluiu que a maioria – 70% – dos médicos pesquisados acreditam que milagres acontecem ainda hoje. Ainda assim, menos de 29% acreditam que os resultados dos tratamentos têm relação com “forças sobrenaturais” ou “ação de Deus”. Mais de 1,1 mil profissionais de saúde participaram da pesquisa.
Há, nos estudos sobre oração na medicina, uma linha que demarca a batalha entre santos e céticos: os cristãos procuram a prova científica da eficácia da oração. Já os críticos buscam o contrário – minar a fé religiosa. Seja bom ou não, muitas tentativas têm sido levadas a cabo no sentido de avaliar o papel exercido pela intercessão na cura. O primeiro estudo conhecido foi publicado em 1872, pelo inglês Francis Galton, autoridade em várias ciências, que não encontrou qualquer evidência estatística de que a oração prolonga a vida de pessoas enfermas. Ressalte-se, que à sua época, levantamentos do gênero careciam de rigor científico.
Mais recentemente, vários experimentos com oração chamaram a atenção de evangélicos ansiosos para encontrar ligação entre fé e ciência. Um estudo de 1983, de Randolph Byrd, elevou os ânimos de forma especial. Ele observou 393 pacientes da cardiologia do Hospital Geral de São Francisco. Cerca de metade recebeu oração de pessoas consideradas cristãos consagrados, que oravam diariamente e eram ativos em suas comunidades religiosas. A outra metade, que serviu como grupo de controle, não foi alvo de nenhuma ministração de natureza espiritual. Nesse estudo, a melhora dos que receberam orações superou de forma significativa a observada entre os integrantes do grupo de controle. Mesmo assim, não se pode dizer que o trabalho de Byrd tenha sido capaz de servir de evidência da atuação direta de Deus na cura, já que foi criticado depois de sua publicação por ter apresentado medidas de resultados inválidas, métodos estatísticos inapropriados e suspeita de erros.
Há três anos, contudo, vieram a público resultados de um estudo notável, programado cuidadosamente para acabar com o debate. Na época da publicação, recebeu certa atenção, mas passou despercebido para muita gente devido às conclusões surpreendentes – e perturbadoras – até para os crentes. O Estudo sobre os efeitos terapêuticos da oração de intercessão (STEP – sigla em inglês), realizado com o patrocínio do Departamento de Medicina da Universidade de Harvard, foi, de longe, o mais abrangente feito até hoje. Levou 10 anos para ser concluído, custou 2,4 milhões de dólares e foi, em sua maior parte, sustentado pela Fundação John Templeton, que apoia estudos sobre a relação entre religião e ciência.
O STEP foi simples e elegante, segundo todos os padrões, normas e protocolos de pesquisa: 1.800 pacientes submetidos à implantação de marcapassos cardíacos foram divididos, aleatoriamente, em três grupos. Dois deles receberam oração de cristãos comprometidos, com prática de orar por enfermos, sendo que só em um dos grupos os membros sabiam que havia alguém orando por eles. O resultado: o grupo em que os pacientes sabiam das orações apresentou mais complicações e recuperação mais difícil do que os que não sabiam se havia, ou não, alguém orando por eles. Curiosamente, o fato de alguém saber que havia um grupo de intercessores orando em seu favor teve um impacto negativo sobre sua saúde.
Houve comparação, também, entre os dois grupos que não sabiam se estavam sendo alvo de preces. Nesse caso, o grupo que recebeu oração apresentou mais complicações graves do que o pessoal que ficou sem oração. Em outras palavras, o estudo parece mostrar que a oração – pelo menos a feita por estranhos – pode ser prejudicial à saúde. O resultado da pesquisa pode ter decepcionado quem esperava ver efeitos positivos da intercessão, mas também surpreendeu os céticos, que não houvesse qualquer efeito.
Praticidade X mover de Deus –As respostas dos evangélicos incluíram a observação de que muitos pacientes oravam por si mesmos e tinham parentes também orando por eles (96% relataram exatamente isso). Essa realidade pode acabar com qualquer efeito das orações da pesquisa. Outros cristãos alegam que a investigação da oração de intercessão é problemática, já que os exemplos de cura física através de oração direta relatados no Novo Testamento sempre aconteceram como resultado da oração presencial – cenário impossível de se testar sem que os participantes saibam o que ocorre. Uma terceira resposta, como disse um conhecido capelão hospitalar, foi simplesmente a de que Deus não está sujeito a pesquisas científicas.
O escritor cristão C.S.Lewis pensou em um estudo sobre oração bem estruturado, mas não esperava resultados positivos e mensuráveis. “O problema é que não vejo como a verdadeira oração possa acontecer sob tais condições,” disse ele. “Mera repetição de orações não é orar. Se fosse, bastaria treinar bem um grupo de papagaios e eles seriam tão úteis quanto os homens na experiência”. Ele defendia que tal abordagem da oração a reduzia a um tipo de mágica – “Alguma coisa que funciona automaticamente”, explicou. Sendo assim, qualquer estudo como o STEP estaria fadado ao fracasso, já que tais esforços sempre acabam tentando medir resultados práticos, e não o verdadeiro mover de Deus.
Ironicamente, o STEP acaba confirmando a visão cristã do mundo. Afinal, orações não têm – ou não deveriam ter, pelo padrão bíblico – nada a ver com encantamentos. O verdadeiro nó górdio do estudo não é que o grupo que recebeu oração se saiu pior, mas sim, que as pessoas que não foram alvo de súplicas acabaram recebendo tantas, se não mais, bênçãos de Deus quanto as outras. Em outras palavras, o Senhor, aparentemente, distribuiu seu favor a despeito da quantidade e até da qualidade das orações. Coerente a seu caráter, ele parece inclinado a curar e abençoar o maior número de pessoas possível. É como se o Senhor mal conseguisse se controlar (embora o faça muitas vezes) e deixar de intervir e romper a natureza do universo para cuidar de quem ele ama – ainda que quem seja alvo dessa graça reconheça o fato ou não. Deus respondeu as orações dos grupos do estudo, mas, acima disso, respondeu as dos pacientes, dos amigos e parentes deles, e talvez até dos que nem sabiam que havia alguém orando.
Amor de Deus – Se isso for verdade, então surge uma questão incômoda: “Se Deus já é tão generoso, por que tanto empenho na oração?” Essa é outra maneira de expressar a verdadeira pergunta – “Qual é o mínimo que se exige de mim para que minhas orações sejam respondidas?” Tais indagações expõem a fraqueza do desejo modernista de saber se a oração “funciona”. Ao descobrir que Deus responde constantemente as orações, deparamo-nos com a realidade mais profunda e perturbadora de que, com freqüência, ele não nos dá o onde, quando e como que desejávamos.
A Bíblia confirma essa realidade. Deus, por exemplo, respondeu as orações e libertou o povo da opressão de Faraó, mas a resposta – que demorou, mas chegou – foi inesperada, imprevisível e nem um pouco tranquila, pois demandou uma longa peregrinação pelo deserto, o perigo de atravessar o mar e as agruras da caminhada por décadas a fio. Da mesma forma, a resposta divina ao clamor pela libertação do jugo romano foi ainda mais inesperada e, para muitos, simplesmente inaceitável. Diante disso, não surpreende que Jesus tenha ensinado seus seguidores a orar ao Pai usando os seguintes termos: “Seja feita a tua vontade”, como ele mesmo suplicou todo o tempo que passou no Getsêmani. Diante de tudo isso, a obsessão em descobrir se a oração funciona é a questão errada. Sabe-se que ela funciona – a verdadeira questão é se estamos prontos ou não para a resposta de Deus.
Não é surpresa que os preparados para a resposta divina ao clamor de Israel por um Messias foram os que oravam. Ana, a profetisa que passou a maior parte da vida em adoração no Templo, foi uma das primeiras a reconhecê-lo. Lídia, que entendeu a verdade do Evangelho e abriu a porta para Filipe, estava no lugar certo e na hora certa porque estava orando. Então, o motivo de orarmos não é apenas receber respostas de Deus. Oramos também para sermos capazes de reconhecer e receber a resposta do Senhor, saber como responder e, talvez, ver o próprio Deus.
A maioria dos médicos acredita em milagres e na realidade de causa e efeito no exercício de sua profissão. E as intervenções divinas acontecem para todos porque somos amados por Deus, quer estejamos em rebeldia contra ele ou não. Resta aos médicos, e a nós, decidir como vamos reagir. Deveríamos ser sábios e evitar aplicações mágicas ou mecânicas do Evangelho, que definitivamente não pode ser entendido e vivido dessa maneira. O STEP nos incentiva a acreditar que Deus está ansioso para responder nossas súplicas, aparentemente sem dar muita atenção à nossa competência para orar ou, em certas ocasiões, inclusive à nossa ortodoxia. Isso deveria nos dar confiança para agir, acreditar e trabalhar ao lado de um Senhor bom e generoso, que nos convoca para trabalharmos em seu Reino levando cura e oração ou mundo.

Gregory Fung é bioquímico em Harvard e Diretor Regional da InterVarsity Christian Fellowship, em Boston (EUA); Christopher Fung, seu filho, é patologista e membro da Igreja da Rua LaSalle, em Chicago, também nos EUA
Fonte: cristianismohoje

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Descartes e a noção de um Deus criador
























“Ao se referir à idéia de Deus, Descartes afirma entender um ser:

soberano, eterno, infinito, imutável, onisciente, onipotente e criador universal de todas as coisas que estão fora dele”.

Em outro lugar, ele diz que tal idéia é a de:

uma substância infinita, eterna, imutável, independente, onisciente, onipotente e pela qual eu e todas as coisas que são (se é verdade que há coisas que existem) foram criadas e produzidas”.

A afirmação segundo a qual Deus é criador universal de todas as coisas que se encontram fora dele ou criador de todas as coisas que são precisa de atenção. O que significam as coisas que estão fora de Deus e todas as coisas que são?

Recordemos inicialmente que coisa em Descartes pode ser tanto aquilo que possui existência atual, como se referir também à realidade objetiva da idéia, ou ainda à existência possível das essências. Assim, o conceito de criação não se restringe ao mundo ou às coisas corpóreas, mas abrange as verdades eternas, uma vez que estas também podem ser designadas como coisas que são. Desse modo, a concepção de criação cartesiana é universal, ao contrário da concepção escolástica, pois para Descartes Deus é criador universal de tudo o que é, ou nos termos das cartas, Deus “é o autor tanto das essências quanto da existência das criaturas”.

Se de um lado os escolásticos e Descartes concordam em que a criação é uma produção mediante uma causalidade eficiente, por outro discordam, pois a escolástica afirma que a divina causalidade eficiente é responsável pela produção exclusiva das coisas existentes, ao passo que Descartes admite que ela é total; isto quer dizer que necessariamente todas as coisas (essências e existências) vêm a ser mediante uma causalidade eficiente. Nas Quartas Respostas, ele oferece as razões pelas quais defende a produção dos seres por meio dessa causalidade:

Quando se pergunta se alguma coisa pode se dar o ser a si mesma, quer-se saber apenas se a natureza ou essência de alguma coisa pode ser tal que não tenha necessidade de causa eficiente para ser ou existir”.

Assim, tudo o que é, na medida em que é, só não foi criado se pôde a si mesmo dar o ser ou a existência. O alcance da ação criadora é absoluto, isto é, requer a vontade divina, abrangendo desde os princípios até as naturezas eternas e imutáveis sobre as quais fala a Quinta Meditação. Mas tal afirmação significaria que essas coisas continuariam a envolver uma existência absolutamente necessária e eterna, já que criadas? Seria, portanto, tudo contingente? Deveria haver, em contrapartida, uma exceção à ação criadora, ou seja, algumas essências seriam criadas e outras, as naturezas verdadeiras e imutáveis, incriadas. A resposta cartesiana autoriza uma única exceção. Com efeito, Deus somente envolve uma natureza eterna e imutável que não pode não existir. E as próprias essências, conquanto imutáveis, não são absolutamente necessárias.

Portanto, mesmo as essências eternas e imutáveis são necessariamente criadas. Assim, não há nada que dispense o ato criador, exceto a essência do próprio Deus. Com efeito, nos Princípios, é afirmado o reconhecimento pela mente de que a idéia de Deus envolve uma “existência absolutamente necessária e eterna [...] de um ente sumamente perfeito”; idéia que “não é forjada por ela (a mente) nem exibe uma natureza quimérica, mas uma verdadeira e imutável natureza que não pode não existir”. Por existência absolutamente necessária só se pode entender aquela que não depende de outro quanto ao existir. Algo cabível apenas a Deus, pois é o único capaz de dar a si mesmo o ser.

Segundo a afirmação das Quartas Respostas, que vimos há pouco, Descartes estabelece uma espécie de critério capaz de determinar o criado e distingui-lo do incriado. Algo é criado se sua produção necessita de uma causalidade eficiente para ser ou existir. Aquilo que dispensa a causa eficiente pode ser declarado incriado, pois sua natureza é tal que não depende de nenhuma outra coisa como causa de seu ser ou existir. Descartes deixa entender que apenas Deus é incriado, posto que não é produzido por uma causa eficiente que o precedesse121. Afora Deus, tudo, absolutamente tudo, é criatura. Todas as coisas têm Deus como sua causa eficiente e total, ou seja, elas dependem absolutamente Dele. De fato, a dependência dos seres em relação a Deus se dá por criação, isto é, pela produção mediante uma causalidade eficiente. Descartes rejeita qualquer outro gênero de dependência que não a causa eficiente. Depender de Deus é ser criado. Isto vale, sobretudo, para as verdades eternas, pois ele afirma a Mersenne na carta de 15 de abril de 1630, que as verdades eternas “foram estabelecidas por Deus e dele dependem inteiramente, tanto quanto todo o resto das criaturas”.

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Fonte:CARLOS EDUARDO PEREIRA OLIVEIRA: "DESCARTES A LIVRE CRIAÇÃO DAS VERDADES ETERNAS". (Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, para obtenção do título de Mestre em Filosofia sob a orientação do Prof. Dr. Homero Silveira Santiago). São Paulo, 2008.

Fonte: humordarwinista

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Comer Animais

Comer Animais


Sinopse: À semelhança de muitos jovens, Jonathan Safran Foer passou grande parte da sua adolescência e dos anos de universidade alternando entre o ser um carnívoro entusiasta e um vegetariano ocasional. Quando se tornou marido de alguém, e depois pai, as dimensões morais da alimentação tornaram-se cada vez mais importantes para ele.
Encarando a perspectiva de ter de explicar por que razão comemos uns animais e não outros, Foer dispôs-se a explorar as origens de muitas tradições alimentares e as ficções que ajudaram a criá-las.

Ao contrário da maioria dos outros livros sobre o assunto, Comer Animais também explora as possibilidades para aqueles que comem carne, para que o façam com mais responsabilidade, fazendo deste um livro importante não apenas para vegetarianos, mas para qualquer pessoa que esteja preocupada com as ramificações e o significado do seu estilo de vida.


Comentário: Atenção: ler este livro pode levar você ao vegetarianismo! Jonathan S. Foer é um dos maiores nomes da nova literatura norte-americana, e depois do nascimento seu primeiro filho e preocupado com a alimentação da criança, decidiu investigar a fundo o caminho que um pedaço de carne percorre até chegar em nosso prato. As descobertas feitas pelo autor mudaram radicalmente sua maneira de encarar não só a alimentação cárnea, mas também nossa responsabilidade moral e ética diante do sofrimento dos animais, da conservação do meio ambiente e até mesmo o futuro imediato em que a nova geração está sendo inserida. Utilizando uma abordagem simples e bem humorada, o livro nos conduz por situações bastante peculiares (como entrar furtivamente em um matadouro), mas por vezes também constrangedoras, principalmente para quem costuma deliciar-se com um bom churrasco.


Nota: 8,5

quinta-feira, 5 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Tomás de Aquino e as divisões do mal
























Divisões do mal

"A definição de mal como privação é a mais geral possível. Assim sendo, se há o objetivo de desenvolver melhor tal definição, o mais aconselhável é distinguir as várias “espécies” de mal. Por isso, seguindo Santo Tomás, o mal será dividido em:

(A) Mal simpliciter e Malsecundum quid(B) Mal físico e Mal moral
(C) Mal de pena e Mal de culpa

Pode-se dizer que há uma ordem entre esses três grupos acima, que diz respeito à amplitude das definições do mal, segundo a qual a distinção feita entre os pares de (A) é mais ampla do que a feita nos pares de (B) e a feita em (B) é mais do que (C). Como será visto, os pares de um grupo mantêm relações com os pares dos outro grupo. Por exemplo, o mal físico pode ser definido nos termos de um mal secundum quid, e o mal de culpa, nos termos de um mal moral. Como a distinção entre mal simpliciter e malsecundum quid é a mais ampla delas, será a primeira a ser analisada.

Mal simpliciter e Mal secundum quidComo já foi dito, o universo é um todo ordenado. Este todo é perfeito, embora isso não implique que as partes que o formam também o sejam. Na verdade, a perfeição desse todo requer que haja desigualdade entre as partes, isto é, que haja nas criaturas diversos graus de bondade. A perfeição do universo, então, inclui a existência não só de entes incorruptíveis, como também de corruptíveis, para que a diversidade seja alcançada. Estes últimos, estão fadados a se corromperem.

Além disso, também foi visto que essa diversidade entre as coisas criadas implica que o bem de alguns delas acarrete o mal de outras. Um exemplo seria o caso em que o bem do leão representa o mal do asno, pois este serve de alimento para aquele.

Estes males que são resultado da realização de algo que é bom em si mesmo (simpliciter), isso é, que são causados acidentalmente quando um certo bem se realiza, são os chamados males secundum quid.

O mal secundum quid não é “mal em si mesmo” (simpliciter), mas sim em relação a outra coisa, como o próprio nome já sugere. Um bom exemplo seria a pena justa que pode ser imposta por Deus: O bem da ordem da justiça implica a privação de algum bem particular a alguém que peca, pois a justiça requer que quem peque seja privado de um certo bem que apeteça. Essa pena que causa privação, para o pecador, é um mal. Porém, é apenas acidentalmente má, pois a pena é a realização do bem da justiça, o que é um bem. Assim sendo, a pena é boa em si mesma (simpliciter), mas é má para o pecador. Por isso, ela é dita ser um mal apenas secudum quid, pois, na verdade, é a realização de um bem em si mesmo (simpliciter) que, para o pecador, é um mal. Do mesmo modo, a forma do fogo, que é um bem simpliciter, pode ser o mal da água (mal secundum quid).

Assim, vê-se que nada impede que o que é um bem simpliciter seja um malsecundum quid. Além disso, vê-se que o mal secundum quid pode ser segundo a ordem natural, como no caso do asno que serve de alimento para o leão, e no da água, que é corrompida pela forma do fogo. Sendo Deus o criador da ordem da natureza, pode-se dizer que é o “criador” desse males secundum quid. Porém, quando se diz que “Deus criou o mal”, deve ser entendido que esse mal não foi criado enquanto mal, mas sim enquanto é um bem simpliciter. O que Deus cria, então, é um bem simpliciter, o que pode ser, às vezes, um malsecundum quid. Por isso, esse mal só é criado e querido acidentalmente por Deus, pois é a criação de um bem o que é principalmente visado.

Em contrapartida ao mal secundum quid, há o mal simpliciter. Nesse caso, não há um bem simpliciter que é causado e que representa um mal para uma criatura, mas apenas uma criatura privada de algum bem particular de que dependa a sua perfeição. Assim, o mal simpliciter não é em nenhum aspecto e para nenhuma criatura um bem simpliciter, como ocorre no outro caso. Na verdade, pode acontecer o contrário do outro caso, pois uma criatura racional pode realizar um bem secundum quid, como o prazer imediato que certo pecado pode oferecer, mas que é um mal simpliciter, pois seria um afastamento da criatura em relação a Deus. Como o mal simpliciter afasta de Deus, então também afasta da ordem natural das coisas. O mal simpliciter, então, representa uma desordem em relação à ordem devida.

Assim sendo, pode ser observada uma outra diferença entre o mal secundum quid e o mal simpliciter, no que diz respeito aos seus “modos de corromper”: Enquanto que a corrupção do mal secundum quid ocorre pela “atualização” de algo (um bem), no mal simpliciter ocorre pela não atualização de algum bem, ou seja, por defeito da virtude efetiva. Assim, no primeiro caso, por exemplo, é forma do fogo que “atua” e corrompe a água. Já, no segundo caso, é o fato da ordem devida “não atuar” que leva ao efeito mau.

Mal físico e Mal moralEssa distinção é entre os males que se encontram na ordem da natureza e os males que se afastam dela, que destroem tal ordem. Os que são de acordo com a ordem são os males físicos, enquanto que os males morais se afastam dela.

“O mal físico é uma privação de qualquer bem nos entes que carecem de razão”. Dada essa definição, pode-se ver que a morte do asno, por exemplo, ao servir de alimento ao leão, pode ser enquadrada nela. Esse mal também seria o da água, ao ser corrompida pelo fogo. Seria possível citar aqui o mal físico nos homens, porém, todo mal físico humano pode ser caracterizado como sendo um mal de pena, pois, em última instância, só ocorre depois do pecado original.

O mal moral, por sua vez, é uma desordem na ação voluntária de uma criatura livre, isto é, um afastamento da ordem moral devida. De certo modo, o mal moral vai ser identificado com o mal de culpa, pois, em última instância, qualquer transgressão da ordem moral será uma transgressão da ordem criada por Deus.

Dito isso, nota-se que há uma semelhança nessa distinção com a distinção entre mal simpliciter e mal secundum quid. Assim como o mal secundum quidocorre segundo a ordem da natureza, o mal físico também. Da mesma forma, assim como o mal simpliciter significa um “afronta” à ordem devida, o mal moral também. Além disso, lembrando que as “as partes” do universo se combinam de tal forma a criar uma ordem do todo perfeita, e que tal ordem inclui certos males físicos (vide o caso da sobrevivência do leão), então se poderia dizer que os males físicos são males secundum quid, pois só são males para as criaturas em particular que o sofrem, enquanto que, na verdade, eles representam um bem simpliciter¸a saber, o bem da ordem do universo. Se é assim, então o mal simpliciter, aquele que é uma afronta à ordem estabelecida, se identifica com o mal moral, pois, diferentemente do mal físico, ele não contribui em nada para a perfeição do todo. Se o mal simpliciter é um mal maior em relação ao secundum quid, então o mal de culpa será o grande mal, quando comparado ao mal físico.

Mal de pena e Mal de culpaEssa distinção é entre o mal na integridade da criatura voluntária e o mal na ordem devida da operação dessa criatura.Todo mal, nas coisas voluntárias, é ou mal de pena, ou mal de culpa, e essa distinção se aplica somente a elas.

O mal de pena “consiste na subtração da forma ou integridade da criatura”, ou seja, um mal físico imposto à criatura como pena de algum mal de culpa. Esse mal de culpa cometido por um homem pode ser, em última instância, o pecado original, de modo que certos males físicos humanos podem ser entendidos como uma pena pelo pecado original, pois somente após esse pecado é que o homem passou a sofrer esses males (como, por exemplo, a cegueira).

Nota-se que o mal de pena, assim como os males físicos das criaturas não racionais, pode ser dito mal secundum quid, pois, ao punir uma criatura, Deus está visando ao bem da justiça, que exige a punição dos pecadores. Assim, a pena do pecador consiste em um bem simpliciter, que é o bem da justiça. Desse modo, o mal de pena só é querido por Deus acidentalmente, pois o que quer principalmente é um bem.

O mal de culpa, por sua vez, “consiste na falta da operação devida nas coisas voluntárias”, isto é, em uma desordem na ação de uma criatura voluntária. O mal de culpa, então, é uma transgressão voluntária da lei divina por parte de uma criatura racional. Ele é um afastamento da ordem criada por Deus. Já que Deus quer preservar esse bem da ordem, então se segue que o mal de culpa Deus não quer de nenhum modo, nem por acidente, pois este é uma destruição de tal ordem, mas apenas permite este mal. Como foi dito, o mal de culpa se identifica com o mal moral, sendo o pecado a ação voluntária que padece de tal mal. Dada a importância do pecado para se entender o problema do mal, na próxima seção ele será analisado atentamente.”


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Fonte:
Napoleão Schoeller de Azevedo Júnior: "O MAL NO UNIVERSO SEGUNDO SANTO TOMÁS DE AQUINO". (Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em filosofia. PROF. DR. FERNANDO PIO DE ALMEIDA FLECK ORIENTADOR). 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2007.

Nota
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Para uma compreensão mais ampla do tema, recomendamos a leitura da tese em sua totalidade.

Fonte: humordarwinista