quarta-feira, 30 de março de 2011

A ira de Deus



Sinopse: Sábado, 1 de Novembro de 1755, dia de Todos-os-Santos. Em Lisboa, a quarta maior cidade da Europa e a opulenta metrópole do grande império português, o dia amanhecera luminoso e quente. Poucos minutos depois das nove e meia, um barulho horrível anunciou uma das catástrofes mais devastadoras que alguma vez assolaram uma cidade importante no mundo ocidental.
Edward Paice pinta um retrato vívido de uma cidade e de uma sociedade transformadas para sempre no espaço de escassos minutos. A Ira de Deus é uma descrição emocionante feita por um escritor de excelência de um desastre natural recordado um século mais tarde como ‘a catástrofe mais temível que a história registrou’.  

Comentário: Em um tempo onde as imagens feitas de terremotos atuais impressionam cada vez mais, ler sobre um abalo sísmico acontecido há mais de dois séculos parece uma tarefa monótona. Mas eis a surpresa: o historiador britânico Edward Paice apresenta uma obra recheada de saborosas informações sobre o primeiro grande terremoto da era moderna. Os registros sobre as consequências do tremor e do tsunami devastador, as repercussões do desastre pela Europa, as vidas que se perderam, as discussões filosóficas sobre tamanha tragédia -- o autor coletou todos os dados possíveis. O resultado é um livro emocionante e, de alguma forma, assustador.

Nota: 9 

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dúvida irracional

As razões para a descrença são mais complexas do que os ateus tentam demonstrar.
Por James Spiegel
A recente publicação do livro do gênio da física Stephen Hawking em coautoria com Leonard Mlodinow Uma nova história do tempo(Ediouro) reiniciou o recorrente debate acerca da existência de Deus. Ao sugerir que o cosmos pode ter sido originado espontaneamente, “do nada” – contrariando parte do que disse em seu bestseller anterior, Uma breve história do tempo, em que admitiu a possibilidade física da Criação –, o cientista britânico deu vigor ao neoateímo, movimento que cresce em todo o mundo e tem um de seus epicentros justamente no Reino Unido. Ateus e agnósticos celebram a obra como fonte de novos argumentos para dispensar as crenças religiosas acerca do tema origens e decretar, à semelhança do que o filósofo alemão Nietzsche fez no século 19, a morte de Deus. Ou, mais modernamente, como o pensador americano Thomas Nagel, que disse esperar que ele não exista. “Eu quero que o ateísmo seja verdade. Não quero que exista Deus, não quero que o universo seja assim.”
A atitude de Nagel, ainda que sutil de alguma maneira, não pode ser considerada comum entre os ateus. A maioria dos céticos demonstra ter chegado a este ponto de vista através de questionamentos legais e racionais. Mas, será que existem outros fatores envolvidos? Cristãos defensores da fé têm respondido aos argumentos dos novos ateus – que geralmente só refazem objeções tradicionais – com argumentos próprios. Como já é de costume, não falam muito sobre as causas irracionais para a descrença. Mas, como seres humanos, não somos feitos apenas de razão; temos também emoções, desejos, livre arbítrio – e tudo isso tem sua influência sobre o conjunto de crenças de todo ser humano. Por mais importante que seja relembrar aos ateus das evidências racionais para a existência de Deus, o problema real em muitos casos tem natureza moral e psicológica.
Esta sugestão é potencialmente ofensiva para os descrentes; mas, ainda precisamos nos perguntar se é verdadeira. De acordo com as Escrituras, a evidências para a existência de Deus são irresistíveis. O apóstolo Paulo diz que o que se pode conhecer de Deus é manifesto. Segundo ele diz em sua Epístola aos Romanos, 1.19-20, os atributos divinos, conquanto invisíveis fisicamente, podem ser claramente compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que aquele que não crê é indesculpável. Já o salmista descreve, com lirismo: “Os céus declaram a glória de Deus; e o firmamento proclama a obra das suas mãos” (Salmo 19.1). Isso naturalmente leva ao questionamento de que, se as evidências da existência de Deus são tão abundantes, por que existem ateus? Novamente, Paulo fornece parte da resposta no mesmo texto da carta à Igreja em Roma, observando que algumas pessoas “suprimem a verdade pela injustiça.”
A verdade é que todos nós sofremos de espaços de cegueira intelectual criados por nossos vícios pessoais e desejos imorais. Dependendo da dimensão à qual sucumbimos a tal estado, somos tentados a adotar perspectivas que nos fazem racionalizar um comportamento perverso. Quanto a isso, estudiosos não são diferentes de outras pessoas. O filósofo e educador novaiorquino Mortimer Adler (1902-2001) confessou rejeitar um compromisso religioso durante a maior parte de sua vida, pois acreditava que tal confissão interferiria demais no seu jeito de viver, nas escolhas do dia a dia e nos seus objetivos. “A simples verdade desta questão é que eu não queria viver para ser uma pessoa genuinamente crente”, escreveu. Tanto, que preferiu ser batizado anonimamente, aos 81 anos de idade.

CRENÇA E COMPORTAMENTO
O historiador Paul Johnson, em seu fascinante e perturbador livroIntelectuais, expôs este padrão de vida em célebres pensadores do período moderno, como Rousseau, Shelley, Marx, Ibsen, Hemingway, Russell e Sartre. Em suas vidas privadas (e muitas vezes públicas), estes gênios intelectuais do Ocidente eram moralmente arruinados. Será que sua rejeição a Deus – e, em particular, ao cristianismo, com seus padrões morais – era totalmente intelectual e imparcial? Ou será que os mesmos desejos confessados por Nagel e Adler tinha parte em seu ateísmo?
Como filhos do Iluminismo, temos a tendência de dar forte ênfase ao impacto da crença no comportamento humano. Contudo, ocorre o contrário – nossa conduta afeta a maneira como pensamos. De um lado positivo, a sabedoria das Escrituras nos diz que a humildade e a obediência nos dirigem para a compreensão e o discernimento; numa abordagem negativa, basta dizer que, quando cedemos ao comportamento imoral, nosso julgamento é distorcido. Ou, conforme Paulo descreve, a desobediência endurece o coração, que abre caminho para pensamentos fúteis, escurecimento da compreensão e ignorância (Efésios 4.18-19). Em outras palavras, o pecado tem consequências cognitivas.
O filósofo Alvin Plantinga, da Universidade de Notre Dame, desenvolveu tal ideia em profundidade. Ele observa que, como todas as outras coisas da vida, nossas faculdades mentais na formação das crenças foram desenhadas para funcionar de uma maneira. E, nas condições apropriadas, a tendência é formarmos crenças verdadeiras acerca do que percebemos ou raciocinamos. Mas algumas coisas podem impedir o funcionamento cognitivo – e o pecado é uma dessas coisas. Quanto mais desobedecemos e nos entregamos aos nossos vícios, menos confiável será nossa formação de crença no que diz respeito a questões morais e espirituais.
Apoiando-se em grandes teólogos cristãos como Tomás de Aquino e João Calvino, Plantinga propõe que todos os seres humanos têm o chamado sensus divinitatis, uma percepção inata do divino. Semelhante consciência natural de Deus nos leva a refletir nele conforme experimentamos a vida. Mas o sensus divinitatis, diz Plantinga, pode ser “corrompido e ferido pelo pecado”, ao ponto de levar o ser humano a negar a existência de Deus. De acordo com esse modelo, os ateus sofreriam de uma forma de disfunção cognitiva ou enfermidade. Assim, fatores externos poderiam influenciar nossa consciência natural de Deus, contribuindo para uma caminhada em direção ao ateísmo.
Em seu livro A fé dos órfãos: A psicologia do ateísmo, título em tradução livre, Paul Vitz, da Universidade de Nova Iorque – ele mesmo, um ex-ateu – examina a vida da maior parte dos ateus do modernos, incluindo ícones como Hobbes,Hume, Voltaire, Feuerbach, Nietzsche, Sartre, Camus e Freud. Ele observou que todos eles tinham algo em comum: uma relação distante e conturbada com seu pai. Por diversos fatores, como morte, abandono, abuso ou outros, a relação daqueles conhecidos ateus com seus pais foi imperfeita.
Por outro lado, Vitz também examinou a vida de teístas proeminentes durante o mesmo período: Pascal, Reid, Berkeley, Wilberforce, Kierkegaard, Schleiermacher, Newman, Chesterton e Bonhoeffer, entre outros. Em cada caso, encontrou biografias que registravam bons relacionamentos com os pais, ou, ao menos, uma figura forte de pai. Naturalmente, a vida é muito complexa para colocar uma regra rápida e imutável sobre tais questões; mas, ao menos, essa realidade histórica demonstra que existem dimensões morais e psicológicas no ateísmo, instâncias que não podem ser ignoradas. Ao menos isso sugere que ateus podem ser desmotivados a descrer em Deus. O evolucionista Richard Dawkins britânico (autor de Deus, um delírio, lançado no Brasil pela Companhia das Letras), é famoso por declarar que os teístas são iludidos. Mas se Adler, Plantinga e o apóstolo Paulo estão certos, então o ateu Dawkins necessariamente está equivocado.
Como cristão, geralmente sou questionado sobre as implicações da defesa da fé para os ateus. Minha resposta é que precisamos analisar caso a caso. Converso com muitos ateus para os quais se aplica o alerta de Jesus de não se atirar pérolas aos porcos. Mas sei que outros estão interessados em um diálogo genuíno, ainda que sejam dogmáticos em sua descrença. Para estes, estou sempre disposto a conversar sobre suas evidências racionais. Em muitos casos, os ateus se convertem após rever as boas razões para a fé. Antony Flew, estudioso e líder ateu por meio século, tornou-se cristão após evidências que considerou indiscutíveis. E alguns cristãos apologistas, como Lee Strobel e C.S.Lewis, foram ateus anteriormente. O que não se sabe é como e quando o Espírito Santo pode se mover na vida de alguém, iluminando sua mente uma vez obscurecida por um coração endurecido e concedendo a fé a alguém que genuinamente espera que Deus não exista.

James Spiegel é professor de filosofia na Universidade Taylor
Fonte: cristianismohoje

quarta-feira, 16 de março de 2011

Por amor a Deus ou ao dinheiro?

O vídeo força um pouco a barra, mas não deixa de ser curioso.


sexta-feira, 4 de março de 2011

QUAIS ANIMAIS SOFREM MAIS?



67 bilhões de porcos, aves e vacas são expostos, anualmente, a condições de crueldade, segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o que coloca esses três bichos nas primeiras posições do rankingdos animais que mais sofrem maus-tratos em todo o mundo. Os culpados por tanta crueldade? Os consumidores de carne, ovos e laticínios, já que esses animais são maltratados, exclusivamente, para a produção de alimentos. Quem manda o recado é a HSI – Humane Society Internacional-Brasil, que para mudar essa realidade está promovendo no país uma campanha em prol do bem-estar dos animais de produção. O foco central da ação não é levantar a bandeira do vegetarianismo [e por que não?], mas sim do consumo consciente. Hoje, no Brasil, mais de 70 milhões de galinhas são trancafiadas em “gaiolas em bateria”, que são superlotadas e não tem espaço nem para as aves abrirem as asas. A situação dos suínos não é diferente: cerca de 1,5 milhão de porcas reprodutoras estão confinadas em “celas de gestação”, que são baias individuais de metal onde as fêmeas não conseguem nem se virar. Tanta crueldade é necessária?

“Queremos mostrar que, assim como os cães e gatos, estes animais são sensíveis, sociáveis e inteligentes e, portanto, merecem o nosso respeito [comê-los, quando há opções alimentares disponíveis, é respeitá-los?]. Queremos que, além de reduzir o consumo de carne, leite e ovo, o consumidor se recuse a comprar daqueles que produzem com crueldade”, disse Guilherme Carvalho, que é gerente de campanhas da HSI-Brasil. “Essa é a hora de nos mobilizarmos, porque a previsão é de que, entre 1999 e 2050, a produção de carne e leite dobre. Consequentemente, o bem-estar animal estará cada vez mais comprometido”, completou.

Além de conscientizar o consumidor, a organização também está dialogando com produtores, governantes e varejistas, em busca de mudanças institucionais que garantam o respeito às necessidades básicas dos animais de produção. A HSI ainda atua em uma porção de outros países, defendendo uma série de causas em prol dos bichos, como o fim dos testes em animais e do tráfico de espécies selvagens. Conheça um pouco mais do trabalho da organização aqui. [Já é um bom começo.]

Fonte: Superinteressante

terça-feira, 1 de março de 2011

EXISTÊNCIA DE DEUS: O ARGUMENTO MORAL




O Argumento Moral

O Argumento Moral se resume basicamente na seguinte lógica: (1) Se valores morais objetivos existem, então Deus existe; (2) valores morais objetivos realmente existem; (3) portanto, Deus existe.

Vamos analisar a primeira premissa: Existem valores objetivos? Se a moralidade é relativa e não absoluta, este argumento é destruído! Só para entender o vocabulário utilizado, moralidade objetiva significa que a diferença entre o certo e o errado é muita clara entre a humanidade, enquanto a moralidade relativa significa que a moralidade depende, ou não é clara para os seres humanos. Abordamos até certa extensão deste assunto no artigo a respeito de verdade relativa versus verdade absoluta, mas aprofundaremos a questão mais um pouco. 

Existem três tipos de moralidade relativa: Relativismo Cultural, Convencionalismo e Subjetivismo Ético.

O Relativismo Cultural defende que o que é certo em uma cultura pode ser errado em outra cultura, e por isso a moralidade não é objetiva. Por exemplo, o aborto é completamente proibido em países como o México, opcional em países como os Estados Unidos e liberalmente praticado em países como a China. O grande problema dessa afirmação é que a moralidade não é descritiva e sim prescritiva. Ela diz como deveria ser o mundo e não o que é o mundo hoje. Além disso, só porque a resposta das culturas é diferente para uma determinada pergunta, não quer dizer que não exista uma resposta correta para essa pergunta. 

Quando esse assunto surge, muitos céticos gostam de ilustrar com a história do elefante e das três pessoas vendadas. Ao apalpar partes diferentes do elefante, elas divergem na definição do objeto. Ao apalpar a trompa do elefante, uma diz que é uma cobra. Ao apalpar a pata do animal, a outra diz que é o tronco de uma árvore. A última, ao apalpar as orelhas do elefante, diz que é uma grande folha. Com essa história, querem dizer que pessoas diferentes veem a realidade de forma diferente, dependendo de onde você está e qual a cultura que você tem. Mas, com isso, eles se esquecem de um detalhe: apesar de cada pessoa ter dito uma coisa, a verdade não deixava de ser que eles estavam apalpando um elefante! Percebe? Quando as pessoas discordam a respeito da moralidade, não significa que não exista moralidade objetiva! 

O segundo tipo, chamado Convencionalismo, diz que a sociedade seria o agente que deveria decidir o que é certo ou errado. Ao contrário do Relativismo Cultural segundo o qual não existem respostas certas ou erradas, o Convencionalismo diz que existe certo ou errado, porém, cada sociedade deve decidir. Não precisamos ir muito longe para entender que o Convencionalismo não dá certo. Essa era a filosofia da Alemanha na época de Segunda Guerra Mundial. A lei dizia que os judeus eram sub-humanos e indignos de viver. Essa lei era “moral” porque, em um sistema Convencionalista, tudo o que é legal é moral, e o que é ilegal é imoral.

A forma mais propagada de moralidade relativa é o Subjetivismo Ético. Nessa filosofia, é o indivíduo que define o que é certo e errado para ele. A moralidade nada mais é do que preferência e opinião pessoal. Nesse caso, ninguém poderia dar qualquer opinião concreta sobre um fato ou uma ação de forma coerente. Não poderia ser dito que os ataques terroristas ou guerras realizadas nas últimas décadas foram ruins, e nem que os grandes pacificadores e altruístas foram bons. Um subjetivista ético teria que passar indiferentemente por uma situação de homicídio ou de estupro sem dizer nada, porque, para ele, isso pode ser errado, mas para outros pode não ser.Pode parecer exagero, mas sua casa pode ser roubada e sua filha morta, desde que o ladrão e o assassino acreditem que suas ações são corretas.

Agora vamos para o outro lado da moeda: a Moralidade Objetiva. A Moralidade Objetiva é uma prescrição de princípios morais aplicáveis em todas as situações, para todas as pessoas em todas as épocas. Uma das formas de observar sua existência é simplesmente por nossa intuição. É o que percebemos, por exemplo, quando vemos a frase “Crianças são torturadas como forma de entretenimento”. Qual a sua intuição primária ao ler essa frase? Isto é errado! E quando lê a frase: “Homem mata esposa e filha com trinta facadas”. Errado! 

O inglês Richard Dawkins, o mais famoso ateu fundamentalista da atualidade, em seu livro River Out of Eden, diz que nosso universo não oferece “nenhum propósito, nenhum mal e nenhum bem. Nada senão uma cega e impiedosa indiferença. O DNA não se importa. O DNA simplesmente é. E nós dançamos conforme sua música.”[1] Mas seu livro Deus, um Delírioestá completamente permeado de um sentimento de profundo desgosto por atos “imorais”, assim demonstrado também por sua ativa participação em protestos contra abuso de crianças e pelo preconceito contra homossexuais. Mas, se o DNA não sabe e nem se importa, por que e como sabemos o que é certo e errado e por que nos importamos?

Ele então continua a argumentar que a moralidade evoluiu dos chimpanzés que têm uma noção de viver em família, de ajudar seus parceiros e trabalhar em grupo. O problema disso tudo é que, se foi realmente a evolução que nos levou a adquirir o senso de moralidade que temos hoje, a moralidade é subjetiva, ou seja, cada pessoa, família ou grupo pode construir seu próprio código de moralidade. Isso não seria, porém, a moralidade absoluta que observamos na humanidade.

A Moralidade Objetiva é a única forma coerente de moralidade e a única que pode ser vivida consistentemente.

Agora que estamos tranquilos com a primeira e a segunda premissas, temos que entender como chegamos diretamente à terceira. Por que precisamos necessariamente chegar prematuramente à ideia de que a Moralidade Objetiva prova a existência de Deus? Não podemos explicar essa moralidade simplesmente atribuindo-a à lógica e à evolução naturalista?Para isso, precisamos explicar de onde veio a moralidade.

Primeiro, vejamos esta citação de Kai Neilsen, um filósofo ateu dinamarquês: “Não fomos capazes de mostrar que a razão exige o ponto de vista moral, nem que todas as pessoas realmente racionais não deveriam ser individualistas egoístas ou não morais clássicos. A razão não decide aqui. O que pintei para você não é agradável. A reflexão sobre isso me deprime. [...] A razão prática, pura, mesmo com um bom conhecimento dos fatos, não o levará à moralidade.”[2] Isso se explica facilmente porque na visão ateia evolucionista o ser humano é apenas um animal, e animais não têm qualquer obrigação moral. 

Outra citação interessante é do australiano J. L. Mackie, um filósofo que tentou provar com unhas e dentes que a moralidade é relativa: “Se há valores objetivos, eles tornam a existência de um deus mais provável do que seria sem eles. Portanto, temos um argumento defensável a partir da moralidade para a existência de um deus.”[3]

Com isso em mente, vamos relembrar os fatos que temos por enquanto. Sabemos que a moralidade é: (1) Prescritiva, (2)um comando, (3) universal, (4)objetiva, (5) autoritativa. 

Levando isso em consideração, em primeiro lugar, prescrições e comandos são feitos apenas entre seres pensantes, portanto, podemos saber que, seja de onde vem a moralidade, tem que vir de uma mente pensante. Em segundo lugar, a moralidade vem com um propósito e uma vontade, portanto, a fonte de moralidade também deve ter um propósito e uma vontade. Em terceiro lugar, a moralidade é universal e transcende os seres humanos, o tempo e o espaço, portanto, a fonte também deve ser transcendente. Em quarto lugar, já que a moralidade é autoritativa, deve ter vindo de uma autoridade e autoridade só pode ser mantida por uma pessoa, portanto, a fonte deve ser pessoal. E, finalmente, a fonte deve ter o poder e a habilidade para impor a sua vontade moral em nossa intuição. Como podemos chamar essa fonte de moralidade? Deus.

Nas palavras de Paul Copan, filósofo e Teólogo americano: “A razão pela qual o teísmo faz mais sentido aqui é que a personalidade e a moralidade estão necessariamente conectadas. Isto é, os valores morais estão enraizados na personalidade. Sem Deus (um Ser pessoal), nenhuma pessoa – e, portanto, nenhum valor moral – poderia existir.”[4]

É interessante notar que, de longe, o argumento mais usado por ateus é: “Como podemos acreditar em um Deus bom se existe tanta maldade no mundo?” A resposta completa a esse argumento será dada em outro momento, porém, existe uma importante questão que precisamos levantar motivados por essa afirmação. Com esse argumento, um ateu ou até mesmo um cristão sincero está afirmando claramente que existe o mal no mundo. Se alguém acredita que existe o mal, também está pressupondo que exista o bem. Mas se alguém diz que existem o bem e o mal, está implicitamente afirmando que existe uma lei moral que diferencia o bem do mal. E se existe uma lei moral, existe um doador da lei moral. Portanto, um argumento que era primariamente para ir contra a existência de Deus, na realidade, é um argumento a favor dEle!

O argumento moral nos mostra evidências claras de que existe um Deus pessoal e poderoso que colocou no seu e no meu coração a vontade de fazer o que é certo, e abre nossa realidade para a culpa quando fazemos o que é errado. A questão é se vamos reconhecer que Ele existe nos apoiando em todas as evidências que Ele nos dá para acreditar nisso. 

Um soldado na Guerra do Vietnã, cansado da incessante pressão dos companheiros que lhe diziam que Deus não existia, escreveu uma poesia em meio aos ruídos da morte. Na noite anterior a uma terrível batalha, ele escreveu o seguinte:

“Eu nunca falei contigo, Deus Pai / Mas agora quero dizer, ‘Como vai?’

“Eles me disseram que Você não existia / E eu como um tolo acreditei com garantia.

“Ontem à noite, de um buraco o Seu céu contemplei / O que eles me disseram era uma mentira, agora eu sei.

“Se eu tivesse separado tempo para ver as coisas que Você fez / Eu saberia que eles não estavam nos chamando para fazer guerra.

“Me pergunto, Deus, se Você tomaria a minha mão / De alguma forma eu sinto que terá compaixão.

“Engraçado eu ter que vir para este lugar infernal / Antes de ter tempo para ver Sua face eternal.

“Acho que não há muito mais para dizer / Mas estou muito feliz, Deus, de hoje Lhe conhecer.

“Acredito que a meia-noite chegará certa / Mas eu não estou com medo sabendo que Você está por perto.

“O sinal soou, Deus, eu tenho que partir / Gosto muito de Você, e quero admitir.

“Saiba que essa será uma luta assustadora / Quem sabe eu vá para Sua casa na aurora.

“Apesar de nunca ter sido Seu amigo / Me pergunto se naquele grande dia / Você me esperaria para dar abrigo.

“Olhe, agora estou chorando, estou derramando lágrimas, Deus / Tenho que ir agora, Senhor, adeus.

“Estranho que agora que vim a você conhecer / Não tenho mais medo de morrer.”

Você pode até afirmar que Ele não existe, só não pode dizer que não recebeu evidências suficientes!

Fonte: Marina Garner Assis

Referências:

1. Richard Dawkins, River Out of Eden (New York: Basic Books, 1992), p. 133.
2. Kai Nielsen, “Why Should I Be Moral?”, American Philosophical Quarterly21 (1984), p. 90.
3. J. L. Mackie, The miracle of Theism. Oxford: Clarendon Press, 1982, p. 115-16.
4. Paul Copan em Ensaios Apologéticos , p. 135