sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Onde Está Deus Quando o Sofrimento Nos Atinge?


Steve Grimsley


Era uma noite chuvosa, na hora de maior tráfego. Quando a luz do se- máforo ficou verde, acelerei até uns 60 quilômetros por hora. Ao ganhar velocidade, subitamente o motorista que estava à minha frente guinou violentamente para a direita. Minha reação foi mais de perplexidade do que alarme. Tirei o pé do acelerador, mas era demasiado tarde. Diante de mim estavam dois veículos parados atrás de um carro em pane. Girei o volante e brequei, mas não em tempo de evitar a colisão com a traseira do carro à minha frente. Então desviei meu carro para o acostamento.
Senti dó ao ver meu Mazda 626 amassado, mas grato ao mesmo tempo por não ter sofrimento qualquer lesão. Contemplei o tráfego completamente parado. Uma mulher de uns trinta anos estava ao lado de seu carro com os braços erguidos, a cabeça inclinada e as lágrimas correndo pela face. Ela dizia em voz alta: “Obrigada, Senhor! Obrigada, Senhor!” Caminhei em sua direção achando que ela fosse a vítima de meu descuido. Rapidamente, porém, ela entrou em seu carro resmungando estar atrasada para um compromisso e saiu queimando pneus. Fiquei ali um tanto confuso e só então percebi que seu veículo não tinha sido abalroado.
Mas e o jovem casal cujo Chevrolet Malibu eu atingi? E agora? Bem, nós tínhamos de tratar com as questões legais, o seguro, a locadora de automóveis e a oficina de reparos. Por que Jesus não me poupou de tudo isso?
É justo o sofrimento?
Meu sofrimento, embora menor, trouxe-me à mente uma questão mais profunda — aquela que tem inquietado os cristãos por gerações. Como pode um Deus de amor permitir a dor e o sofrimento neste mundo? A distribuição e o grau de sofrimento parecem ser completamente aleatórios e injustos. Será que eu não merecia escapar do acidente como aquela mulher que saiu ilesa?

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Mãe é Expulsa de Lanchonete ao Amamentar

Dezenas de mães da cidade de Glendale, no Arizona, Estados Unidos, reuniram-se [no] fim de semana em uma unidade do McDonald’s para amamentar seus filhos como ato de protesto. Elas decidiram fazer a sessão de amamentação coletiva em apoio a Clarissa Bradford, que foi expulsa da lanchonete ao alimentar seu filho de seis meses no início do mês de agosto. Clarissa disse que a gerente do McDonald’s pediu que ela e sua família saíssem. O dono da lanchonete teria pedido desculpas, mas isso não impediu a realização do protesto. Segundo outra mãe, ouvida pela rede de TV americana CBS 5, não era a primeira vez que o McDonald’s tinha essa atitude e precisava repensar sua política. “Uma mãe precisa poder amamentar seu bebê onde quer que esteja”, disse Rachel Starchman.

O McDonald’s disse que não faz parte de sua política pedir às mães que se retirem do restaurante ao amamentar e que a atitude da gerente foi um erro. Em um comunicado oficial, a lanchonete disse que todos os funcionários devem cumprir as leis locais, estaduais e federais. E a lei do Arizona diz que as mães podem amamentar em qualquer lugar público.

O protesto, segundo as mamães, é importante para mostrar que a amamentação não tem nada de escandaloso ou sexual. “Quando você amamenta, está dando o seu melhor como mãe”, afirmou Dolly Nesbitt. [...]

Fonte: Mulher 7 x 7

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O Casamento é Uma Instituição Falida?

Certamente você já ouviu a famosa frase: “Casamento é uma instituição falida”. Na contramão desse pensamento equivocado, sempre ecoaram as vozes de cristãos, comprometidos com a certeza de o casamento ser uma instituição criada por Deus. Pois a revista VEJA desta semana corrobora com aquilo que a Bíblia já afirma há muitos séculos. Ela traz uma matéria de capa sobre o assunto, com o título: “Casar faz bem”.

Alguns dados apresentados pela revista revelam a força do casamento. “O Brasil, por exemplo, registrou cerca de 960.000 casamentos em 2008. É a maior taxa em uma década. Bem, argumentarão os céticos, mas o fato é que mais casamentos, também, se desfizeram: no mesmo ano, houve um divórcio para cada cinco casamentos – 13%, a mais do que em 2007... A vida para os comprometidos, então, vai mal?”
A revista responde que não, baseando-se não apenas na facilidade do divórcio de hoje comparado com os de décadas atrás, mas no número crescente de pessoas divorciadas que se casam de novo, um crescimento espantoso de 66% em dez anos.

Algumas estatísticas recentes apontam, segundo a matéria, para dados curiosos. “Estatísticas canadenses indicam que os homens casados vivem em média sete anos mais que os que nunca casaram – e as mulheres, três anos mais. Estudos sugerem ainda que um bom casamento diminui os riscos de câncer, artrite, ataques cardíacos e até demência. Casais que compartilham finanças são mais estáveis e acumulam mais patrimônio. E filhos que têm a oportunidade de viver o dia a dia junto do pai e da mãe, claro, são um argumento e tanto em favor de que se busque uma união plena e feliz”.

A matéria só escorrega no final, dando a entender que, pela ciência, o sentido maior para o casamento não está na monogamia.

O mais importante é notar o seguinte: o casamento faz bem, sim, não apenas pelas estatísticas favoráveis ou pelo olhar da ciência. Acime de tudo, o casamento é uma benção na vida de um homem e uma mulher porque Deus o fez para ser assim. “Deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá a sua mulher, e eles se tornarão uma só carne”, foi o desejo de Deus para seus filhos (Gên. 2.24). Sendo assim, podemos trocar a frase “Casamento é uma instituição falida”, por uma frase bem mais apropriada e otimista: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio”. (Heb. 13.4).

Fernando Beier

Baixaria na TV Assusta Consumidor

A atual safra de lixo televisivo vem batendo todos os recordes de baixa qualidade na TV aberta brasileira. Programas como Pegadinhas picantes, levado ao ar pelo SBT, Pânico na TV (Rede TV) e Big Brother Brasil, da Globo, lideraram o 17º ranking da baixaria na TV. Elaborado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, a lista leva em conta denúncias feitas pelo público envolvendo aspectos como apelo sexual, exibição de nudez, exposição de pessoas ao vexame, palavrões, ridicularização de comportamentos humanos e incitação à violência, entre outros. Ao todo, no último período pesquisado, foram 391 denúncias fundamentadas, de um total de quase mil queixas formuladas.  A edição nº 10 do Big Brother, levada ao ar no primeiro trimestre deste ano, motivou 227 reclamações dos telespectadores, insatisfeitos, entre outros aspectos, com a banalização do erotismo e a valorização da libertinagem homo e heterossexual. Em seguida, vem Pegadinhas picantes – uma coletânea de esquetes em que pessoas nuas ou seminuas envolvem transeuntes desavisados em situações esdrúxulas, todas com forte apelo libidinoso –, com 105 denúncias. Em relação ao ano passado, houve um aumento de mais de 60% das denúncias. A campanha foi criada em 2002 por deliberação da Conferência Nacional de Direitos Humanos, com o objetivo de promover o respeito aos princípios éticos e direitos humanos na TV brasileira e conta com a parceria de entidades da sociedade civil.


Fonte: CristianismoHoje

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Conto Erótico Usado Em Sala de Aula

Um livro de contos utilizado em Jundiaí, no interior de São Paulo, por estudantes do ensino médio da rede estadual tem causado polêmica em razão de passagens consideradas eróticas. Alguns pais querem até que o livro Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, que contém textos de autores como Machado de Assis, Clarice Lispector e Mário de Andrade, seja recolhido das salas de aula. O conto "Obscenidades Para Uma Dona de Casa", de Ignácio de Loyola Brandão, narra a história de uma mulher que recebe cartas de um desconhecido. As cartas descrevem detalhadamente momentos de atos sexuais. O problema, segundo os pais, são as palavras usadas para descrever esses atos. Gilberto Aparecido da Rosa, pai de duas adolescentes gêmeas de 17 anos, recorreu ao Ministério Público. Para ele, o conto é inapropriado para os estudantes. "Eu acho que essa linguagem é muito chula para os padrões acadêmicos. Acho que os jovens não mereceriam receber uma linguagem dessa dentro das escolas", diz Rosa.

As adolescentes dizem ter ficado constrangidas com as situações criadas em sala de aula por conta desse conto. "Já tem o tipo de brincadeira que é normal de jovens. Eles começam a brincar com esse tipo de coisa. E ainda mais se a escola entrega um material desses, é a mesma coisa que dar liberdade para eles começarem a brincar", diz a garota Juliana da Rosa.

O professor e escritor Douglas Tufano afirma que o conto faz parte da literatura brasileira indicada para vestibulares e não vê problemas na leitura, mas acredita que, para evitar confusão, deve haver a intermediação dos professores. "É preciso que eles façam um trabalho preparatório, conversem, expliquem. Caso contrário, os alunos que ainda são imaturos em relação à literatura podem levar a leitura para outros campos", comenta Tufano.

Para o psicólogo Eduardo Menga, não há problemas nesse tipo de abordagem que trata da sexualidade. "Como o livro já está inserido na rede [de ensino], o melhor nessa situação é, por mais que possam existir resistências, encarar e olhar para isso da forma mais natural possível."

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informa que o livro foi considerado por educadores e críticos adequado para alunos da rede privada e, por isso, também pode ser usado por alunos da rede pública. Ainda segundo a nota, o livro foi analisado e aprovado por uma comissão de professores de diversas universidades. O Ministério Público deve analisar o pedido em cinco dias.

Fonte: G1 Notícias



Comentário: Professores marxistas, contos eróticos, camisinhas no recreio, livros com violência... A educação pública em nosso país vai de mal a pior. O que esperar para as novas gerações? Me assusta só de pensar. Que Deus tenha misericórdia de nossos filhos! (F.Beier)

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Pós-Modernismo ou Hipermodernismo

EDITORA MANOLE E DIVULGAÇÃOApós-modernidade nunca existiu, ao menos terminologicamente. Essa é a opinião do filósofo francês Gilles Lipovetsky. Segundo ele, o que é convencionalmente chamado de pós-moderno, na verdade, pode ser mais corretamente classificado de hipermodernidade, ou seja, a afirmação e prevalência de maneira incontestável e praticamente universal dos valores modernos (democracia, liberdade individual, livre mercado, etc.). "É impossível pensar o que seria pós-moderno. Pode-se imaginar um sistema futuro que poderá conciliar os imperativos da Economia com os da Ecologia, por exemplo, mas isso não seria pós-moderno, mas sim outra face da modernidade", explica.
Nesta entrevista exclusiva por telefone para a Filosofia Ciência & Vida, Lipovetsky falou sobre muitos temas, à maneira dos seus diversos estudos, nos quais a moda, o consumo, a revolução feminina, a Ética e o indivíduo, entre outros, são observados e elucidados, expondo a sua dinâmica na contemporaneidade. "Acredito que a Filosofia esteja aí não para dar lições, mas sim inteligência para a compreensão do mundo e esclarecer como vivemos", afirma.
Membro do Conselho de Análise Social, órgão de apoio ao primeiro-ministro da França, termômetro para questões delicadas como a proibição do véu islâmico e outros sinais ostensivos religiosos nas escolas, Lipovetsky escreveu os livros O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas(Companhia das Letras), A Sociedade da Decepção, A Era do Vazio e A sociedade pós-moralista, estes últimos publicados no Brasil pela editora Manole
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FILOSOFIA  Você diz que não é correto falarmos que vivemos a pós-modernidade e empregou o conceito de "hipermodernidade". Mas o que seria, uma sociedade pós-moderna? Qual seria a sua dinâmica?
Gilles Lipovetsky
 Acredito que temos sociedades cada vez mais hipermodernas. A modernidade já passou em algum sentido, porque o seu princípio organizacional, a tecnociência, o mercado e a democracia são cada vez mais constituições do nosso mundo. Por isso que não é possível falar atualmente de sociedade pós-moderna, não consigo imaginá-la. Pode- se pensar em um sistema futuro que poderá conciliar os imperativos da Economia com os da Ecologia, por exemplo, mas isso não seria pós-moderno, mas sim outra face da modernidade.

FILOSOFIA  Em sua opinião, o que atualmente a Filosofia tem deixado de abordar, refletir, criticar?
Gilles Lipovetsky
 A Filosofia hoje não tem mais a necessidade de antigamente ou não somente de maître à penser, da via ativa que defende as grandes questões morais, políticas, sociais, ou que defende os povos colonizados ou luta contra o imperialismo. Essas grandes figuras intelectuais que lutam pelas grandes coisas, os grandes combates, não são mais úteis porque vivemos em sociedades educadas: as pessoas são formadas, têm acesso a informações pela imprensa ou internet. Os filósofos hoje devem pensar o mundo em sua complexidade e por meio de duas coisas essencialmente: fazer pensar o presente de longa duração, compreender a história do presente e, em segundo lugar, apontar os paradoxos da nossa época. Eu não vejo mais a necessidade de engajamento dos filósofos.

FILOSOFIA  De acordo com essa perspectiva, podemos então dizer que vivemos a época da "hiper-relatividade"? Porque há sempre resistência quando as coisas parecem generalizadas.
Gilles Lipovetsky
 Sim, existe sempre um paradoxo porque vivemos em um mundo contraditório e complexo. Por isso eu acredito que a Filosofia esteja aí não para dar lições, porque a sociedade é individualista, mas inteligência para a compreensão do mundo e esclarecer de que forma vivemos. Não temos mais as grandes religiões, os grandes sistemas políticos que dão o sentido geral da vida, esta é a razão pela qual precisamos da Filosofia.

FILOSOFIA  O que é a nova sociedade de consumo e o papel da felicidade na sua dinâmica?
Gilles Lipovetsky
 É muito complicado, existem muitas coisas envolvidas. Escrevi um livro para descrevê-la chamando de "hiperconsumista", isto é, que consome de uma maneira "hiperindividualizada". Ela é baseada nos indivíduos e não mais na família, por exemplo, como no caso da telefonia. Cada membro da família tem um telefone atualmente, até mesmo as crianças, e isso pode ser estendido aos computadores e máquinas fotográficas, etc. Portanto, cada vez mais por meio do "hiperconsumismo" cada indivíduo pode construir sua vida de uma maneira mais autônoma e livre, porque se é menos tributário do ponto de vista coletivo.

Super-Heróis São um Bom Modelo?

Durante a 118ª Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia, palestrante alega que os super-heróis modernos fazem mal à construção da personalidade dos jovens. Segundo a Dra. Sharon Lamb, professora emérita da Universidade de Massachusetts-Boston, a imagem de super-heróis batendo em vilões pode não ser boa se a sociedade quiser promover comportamentos masculinos mais gentis e menos estereotipados. Em comunicado divulgado pela entidade, ela afirmou existir uma grande diferença entre os heróis dos filmes de hoje e os dos quadrinhos do passado. Em suas próprias palavras, “os heróis de hoje participam de ações ininterruptas de violência”. Esses personagens seriam agressivos, sarcásticos e raramente demonstrariam a virtude de fazer o bem à humanidade. Sharon diz ainda que, despidos de seus trajes de heróis, estes homens são péssimos exemplos: exploram as mulheres e mostram sua masculinidade com armas poderosas.

Para a psicóloga, o exemplo típico desse novo super-herói moderno é o Ironman, ou Homem-de-Ferro. Segundo ela, a grande diferença dos personagens dos quadrinhos do passado para os atuais super-heróis dos filmes é que os primeiros representavam modelos nos quais os garotos podiam se espelhar – já que, despidos de seus trajes, eles seriam pessoas reais, com problemas reais e vulnerabilidades.

A psicóloga afirma ainda que, na mídia de hoje, só existem duas imagens com as quais os garotos pode se identificar: super-heróis ou vagabundos. De acordo com ela, após uma pesquisa feita com 674 meninos de 4 a 18 anos, a conclusão é a de que a publicidade se aproveita do fato de que jovens precisam moldar sua identidade durante a adolescência. O truque seria então lhes “vender” uma versão limitada de masculinidade.

Para ela, a solução seria ensinar os jovens a se distanciarem dessas imagens e encorajá-los a achar as “mentiras” nelas.

Fonte: Info

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Famoso Crítico Investe Contra o Ateísmo

Evite perguntar ao filósofo e crítico literário inglês Terry Eagleton o que ele pensa da revolução tecnológica que atravessamos. Ele pode pensar que tem aí algo pessoal. Nascido em Salford, na região de Manchester, mas descendente de irlandeses, Eagleton não navega na internet, não tem email, não carrega celular e usa o computador só como máquina de escrever. Para se comunicar com alunos e editores, escreve cartas. Se descobrisse as facilidades do "tempo real", seus inimigos acadêmicos estariam fritos: Eagleton adora uma polêmica e é bom na artilharia verbal.
Seu alvo no momento é o biólogo evolucionista Richard Dawkins, autor de Deus - Um Delírio (Companhia das Letras, tradução de Fernanda Ravagnani). Em sua recente passagem pela Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Eagleton alfinetou-o à vontade diante do público. Mas nesta entrevista, vê-se que não é bem Dawkins o alvo das críticas, mas um ateísmo que virou voga literária, com vários representantes, e que não responde a uma pergunta crucial: afinal, por que Deus entrou na agenda?
Católico desde o berço e marxista desde a escola, Eagleton se debruça sobre esta questão em O Problema dos Desconhecidos - Um Estudo da Ética (Civilização Brasileira), que chega agora às livrarias. "Alguns de meus amigos e leitores ficarão desolados ao me verem desperdiçar meu tempo com a teologia", ironiza o pensador formado nas boas universidades britânicas, a pura tradição "Oxbridge", mas ainda um enfant terrible aos 67 anos. Acha que o grande desafio do Ocidente, hoje, é lidar com um inimigo "sem rosto", profundamente metafísico e exato: o Islã. E que, em vez de desacreditar Deus e fomentar a islamofobia, é tempo de recuperar o melhor das tradições socialistas e judaico-cristãs, gerando pensamento ético. Para quem duvida que um marxista convicto possa se interessar por religião, a contraprova está feita: Eagleton também acaba de lançar no Brasil Jesus Cristo - Os Evangelhos (Zahar), em que discute se seu personagem-central era, ou não, um revolucionário.
O senhor nasceu, cresceu e se formou em ambiente católico. Depois se aproximou do marxismo, que ainda lhe fornece ferramentas de análise. Como combinar Deus e Marx?
Meus críticos dizem que é fácil sair de um extremo para o outro. E digo que o difícil, mesmo, é passar de um para outro, sem cair nas tentações do liberalismo (risos). Quando eu estudava em Cambridge, nos anos 60, me envolvi com a esquerda cristã, e isso tinha a ver com as minhas origens: família irlandesa, de operários, gente que frequentava igreja, então provei um catolicismo radical. O problema é que fomos prematuros. Começamos a fazer barulho quando o Concílio Vaticano 2 estava acontecendo e não tínhamos suporte, nem interlocução. Nós nos antecipamos inclusive à Teologia da Libertação, que vocês conheceram bem na América Latina. Seja como for, essa experiência também acabou influenciando nomes como Alain Badiou, Slavoj Zizek, Jürgen Habermas.
E hoje deixou de existir?
Posso dizer que continuo influenciado por uma teologia que empurra meu trabalho para frente, intelectualmente falando. Porque o discurso teológico é capaz de formular grandes questões. Vem dele meu interesse pelo estudo das tragédias humanas.
Por que as tragédias interessam ao senhor?
Meus estudos me levam a distinguir dois tipos de humanismo: o liberal e o trágico. O humanismo liberal diz que, para que algo ou alguém floresçam, é preciso remover obstáculos. Daí se chega à liberdade, ao progresso, à felicidade. O humanismo trágico é de outra ordem. Operando tanto no plano individual quanto no social, ele promove rupturas e recomposições. Destruir para erguer de novo. Nesse sentido, a crucificação e a ressurreição de Jesus são exemplo de humanismo trágico. Não se trata de mergulhar no desespero pela morte, mas de atravessar esse momento guiado pela fé. Claro, hoje vivemos sob o domínio do humanismo liberal.
São conhecidas suas críticas a Dawkins. Mas eu lhe perguntaria: há uma moda literária de questionar Deus, tal como fazem os escritores Christopher Hitchens, Sam Harris, o próprio Dawkins?
Sim. Mas a pergunta que faço vai além: por que nesse mundo secular, pós-teológico, pós-histórico, pós-metafísico e pós-moderno, passamos a falar tanto em Deus? O que acontece? Por que Deus entrou na agenda?
E o senhor tem a resposta?
Uma resposta possível tem a ver com a emergência do Islã. O Ocidente se vê diante de um "inimigo" que é profundamente metafísico e exato. E isso o deixa desarmado em termos ideológicos, até porque fica complicado para uma civilização materialista, racionalista, relativista e mercadológica, como a nossa, entender como essa "gente sem-rosto" vive e morre pela fé. E fé não é o que move a nossa sociedade. Então, não posso entender esse interesse por Deus como uma questão meramente religiosa, mas dentro de um contexto histórico maior. Se quiser uma resposta rápida, diria que esses autores anti-Deus surgiram em 11 de setembro de 2001. Foi quando Deus entrou na agenda.
Entrou na agenda com data, hora e local?
Mais ou menos. Tomo o 11 de setembro de 2001 como marco da aparição de um absolutismo metafísico que colocou o Ocidente em xeque. Esses autores de que estamos falando sabem que não podem criticar o mundo islâmico da maneira que o fariam em relação ao radicalismo islâmico, mas Hitchens e sua turma colocam tudo no mesmo saco, atravessam a linha divisória entre uma coisa e outra, e alimentam a islamofobia. Na Inglaterra ao menos, ela se instala num espectro político bem definido: vem da direita para o centro, atingindo a produção literária. Acaba sendo disseminada pelos liberais que se dizem defensores da tolerância religiosa, que ironia... A meu ver estamos diante de um novo suprematismo cultural no Ocidente, afinado com o discurso ideológico da guerra contra o terror. E Dawkins, que é um liberal respeitável, inclusive se manifestou contra a intervenção no Iraque, está no fundo contribuindo com a ideologia da guerra, ao investir de forma tão alucinada contra Deus.
E o debate criacionismo X evolucionismo?
Tem a ver com a confusão desses autores. A ideia de Deus não está atrelada ao surgimento do mundo. Quando o mundo começa efetivamente é pergunta para os cientistas, não para os teólogos. Até São Tomás de Aquino sabia disso. Não podemos aceitar falsos embates entre teologia e ciência. Isso tanto é verdade que a maioria dos cristãos aceita a teoria da evolução sem problemas. Mas daí vem Dawkins e diz que os cristãos não aceitam! Sei que ele é bom cientista, sabe comunicar, tem livros importantes, mas é um racionalista old fashion. Pensa o progresso com cabeça do século 19, como se as guerras mundiais não tivessem acontecido, como se não tivéssemos passado por Auschwitz, comete erros embaraçosos ao escrever sobre raças.
Devemos muito à cultura islâmica, mas lhe demos as costas por séculos, no processo de ocidentalização. O futuro prevê a revanche?
Não sou bom de previsões (risos). Mas sempre a melhor imagem de futuro é a da falência do presente. Futuro é o esgotamento do aqui/agora. E profeta não é quem vislumbra o porvir, mas aquele que diz "olha, se você mudar e acertar o passo, vai chegar lá". Por exemplo, Marx foi profético ao apontar as trincas do seu tempo. Ao falar dos meios de produção, não estava só ligado no mundo do trabalho, mas, ao contrário, no tempo de lazer das pessoas. E não é o que nos desafia hoje? Acabei de colocar ponto final num livro sobre Marx em que questiono algumas de suas visões, numa espécie de criticismo positivo. Não é porque Freud, Darwin ou Marx deixaram obras relevantes que estejam imunes à crítica.
Seu livro mais conhecido, Teoria Literária: Uma Introdução, tem várias traduções, foi bem vendido e virou obra de referência. O sr. pensa em nova edição?
Fiz nova edição anos atrás e não tenho planos para outra. Na verdade, estou trabalhando em um livro que retoma algumas questões do Teoria Literária. É curioso: meu livro foi muito mais conhecido no passado do que hoje. Por quê? Vejamos a situação da intelligentsia. Lá nos anos 60, 70, os intelectuais se debatiam com correntes de pensamento, o estruturalismo, o funcionalismo, o pós-estruturalismo, o marxismo, enfim havia uma atmosfera intelectual ambiciosa. Fomos em direção a um tempo pós-teórico e pós-moderno a partir dos anos 80. E ficamos menos ambiciosos do ponto de vista intelectual. Já percebeu como as pessoas não estão interessadas em formular questões fundamentais?
Seria preguiça intelectual?
Não é bem isso. As pessoas formulam grandes questões quando sentem que há chance de mudança lá na frente. Hoje as visões ficaram estreitas e de curto prazo, justamente quando o mundo mais se globaliza. A intelligentsia se retraiu, consequentemente a teoria literária, também. Perdemos o nervo que nos fazia ousar. Meus alunos hoje só se interessam por cultura popular. Ou pela cultura da política, não pela política. Exemplo: são pós-feministas, não querem saber do potencial transformador que o movimento de liberação da mulher teve nos anos 60. Lá atrás discutir sexualidade era algo político. Hoje é cultural.
Afinal, professor, isso é ruim?
Cultura é um jogo de identificações no qual as pessoas até matam ou morrem pelo que acreditam. No Texas caçam e atacam defensores do aborto: isso é político? Não, mas mobiliza a opinião pública. E por que as pessoas não se interessam pela política? Pelo fato de que a política não se interessa por elas. Só que a cultura pode muito bem flertar com o totalitarismo, especialmente se vier a ocupar um lugar que não é seu.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O Homem Eterno

Sinopse: De toda a extensa obra de G.K. Chesterton, O Homem Eterno assinala sua criação mais surpreendente. A história da humanidade recontada de forma brilhante, a partir de duas particularidades que se complementam: a criatura chamada homem e o homem chamado Cristo. Com sua prosa peculiar e seu humor britânico certeiro, Chesterton delicia o leitor com seu raciocínio envolvente e provocativo. Sua obra aponta para os críticos da religião e, em especial, para os críticos do cristianismo. Para ele a visão míope do ateísmo aliada a uma forte dose de conceitos preestabelecidos impedem que se compreenda a fascinante ação de Deus na história.


Comentário: O grande Chesterton realmente tinha uma mente privilegiada. Ao lembrar que boa parte de sua literatura foi escrita sem nenhuma revisão, fica difícil não se surpreender. A presente obra é um presente precioso para todo aquele que aprecia o bom argumento. O autor não tinha medo de confrontar as idéias mais acalentadas de seus conterrâneos, e sua defesa do cristianismo se apresenta como uma apologia difícil de contestar. A certeza na grandeza do homem como criatura especial de Deus é exemplar, e todo leitor que embarcar na sua jornada sairá com fortes convicções sobre essa verdade. (F.Beier)


Nota: 9,5

sábado, 14 de agosto de 2010

Série de TV Iraniana Conta História de Jesus Irreal

Uma série de TV iraniana sobre a vida de Cristo foi retirada do ar no Líbano após protestos por mostrar uma versão da história diferente da aceita pela Igreja. A comunidade cristã libanesa acusa a série de basear a trama nos escritos apócrifos (não reconhecidos pela Igreja) de Barnabé e mostra um Jesus que não é crucificado nem ressucita. Esta versão da vida de Jesus Cristo é próxima da retratada no Alcorão, onde ele é um reverenciado profeta. O livro sagrado dos muçulmanos afirma que Deus salvou Jesus da crucificação e o alçou aos céus. A série estava sendo transmitida por dois canais libaneses, o Al Manar, ligado ao Hezbollah e o NBN.

Geralmente as emissoras de TV do mundo islâmico usam o mês santo do Ramadã para lançar suas maiores produções, e muitas destas acabam gerando polêmicas. O Líbano possui a maior comunidade cristã no Oriente Médio.

O cristianismo já foi a religião dominante no país mas a comunidade cristã libanesa vem perdendo espaço para grupos muçulmanos sunitas e xiitas.

Fonte: BBC Brasil


Comentário: Segundo os muçulmanos mais radicais, ninguém pode nem citar o nome de Maomé desrespeitosamente. E a recíproca, é verdadeira?

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Oração

Oh! Como me sinto feliz de viver contigo, Senhor.
Como é fácil para mim crer em Ti!

Quando meu espírito vacila e não compreende mais,
quando os homens mais inteligentes não enxergam
além do fim de um dia e não sabem o que fazer amanhã,
Tu me dás a esplêndida certeza da Tua existência
e da Tua preocupação para que as portas do Bem não se fechem

Aleksandr Solzenitsyn
Escritor Russo (1918-2008)

Crítico Fala do Problema das Novelas

Coisas de nossa tevê em canal aberto. Começa ano, termina ano e ficamos sabendo da quantidade de recursos públicos empregados em campanhas contra o uso de drogas. Programas em horário nobre de diversas emissoras de tevê tratam do uso de drogas nas grandes cidades, investigam as razões que levam principalmente os adolescentes e jovens a buscar o uso de drogas, mostram a realidade dos morros e a vida e a morte de traficantes seja no Rio de Janeiro, em São Paulo ou no entorno da Praça dos Três Poderes, em Brasília. Mas, moto contínuo temos a novela das 9 da Rede Globo de Televisão – Passione – e com ela a força perniciosa e letal da deseducação em larga escala. O personagem vivido por Cauã Reymond é o típico viciado: mente não ser viciado, falsifica exame antidoping, incrimina o irmão caçula, rouba para pagar o vício, é estressado por natureza e estressa toda a família ou o que possa lembrar núcleo familiar em novela da emissora líder.

O personagem, como poderíamos esperar, não encontra qualquer limite ético, moral, familiar, físico ou financeiro para sustentar o vício. A busca por drogas será acompanhada por todos que seguem a novela. Explica-se, quase didaticamente, onde podem ser encontradas, os contatos que precisam ser feitos, os diálogos necessários e os cuidados para burlar as leis. A busca do realismo, marca comum a qualquer folhetim da Globo, confundirá nossos sentidos. E até que o personagem abandone o vício, por bem ou por mal, internado em clínica especializada ou preso em algum xadrez da cidade, veremos muita água mover os índices de audiência da emissora e milhares de jovens encontrarão certo glamour na vida de Danilo Gouveia. Boa parte destes se sentirá tentada a entrar no caminho sem volta apresentado como viável pelo personagem. Outra parte nem mesmo saberá diferenciar ficção de realidade.

E se Danilo superar o vício será algo a ocorrer nos últimos capítulos, repetindo-se a macabra equação: o crime e a injustiça campeiam toda a trama, centenas de noites a fio; e a redenção, a imposição da justiça, consumirá nada mais que um ou dois capítulos do folhetim. Então, os que por qualquer motivo não assistirem ao final da novela terão na mente apenas as lições dando conta de que nada compensa mais que a ilegalidade e os comportamentos doentios. É como o Papillon – personagem criado por Henri Charriére – no cinema vivido por Dustin Hoffman, nos anos 1970: o espectador passa quase três horas vendo-o comer o pão que o diabo amassou literalmente na Ilha do Diabo (Caiena, Guiana Francesa) para ver o gosto de liberdade em não mais que em seus três minutos finais.

O raciocínio acima vale para a quase totalidade das tramas globais transmitida em horário nobre nos últimos anos. O que lhe aumenta a audiência é precisamente o grau de nivelamento por baixo a que os personagens se esforçam por conceder verossimilhança. O campeão será aquele que fique da altura de uma lâmina de barbear deitada.

Passione é veneno puro, alienação pura, maldade pura. E baixaria para todos os gostos, altitudes e latitudes. A galeria de tipos representa o que há de mais miserável na espécie humana. Começa por filho destratando (estou pegando leve) mãe e sempre a um passo da agressão física, já que a agressão verbal ultrapassa todo e qualquer limite do que poderia ser o diálogo entre um filho e uma mãe. Refiro-me a Werner Schunemman com o seu Saulo e a Fernanda Montenegro, com a sua Bete Gouveia. Até o momento a emissora ainda não nos brindou com cenas de espancamento explícito, aquelas em que Bete será surrada impiedosamente pelo filho.

A mulher de Saulo, vivida por Maitê Proença, é um poço de vida vazia e miserável, ninfomaníaca, mulher manipuladora e sem qualquer noção de ridículo, seduz jovens por shoppings da cidade, que obviamente trai o marido Saulo duas a três vezes por semana, trai a própria filha, tem caso com o caso da filha. O ar de sensualidade – com validade vencida – de Maitê permeia toda a novela, seus olhares são sempre fatais e obsessivos. Lembram os poemas de Pietro Aretino, filho de um sapateiro, contemporâneo de Leonardo da Vinci e Michelangelo, autor dos Poemas luxuriosos.

Aliás, não sei o que deu na Globo – todas as mães são vilipendiadas, desrespeitadas, humilhadas e ofendidas. E se forem avós, a possibilidade de serem aquelas que ofendem e humilham os demais será quase certa. Tem a mãe e avó Valentina (Daisy Lúcidi) que é cafetina, sempre apta a arranjar homens maduros para cliente de sua neta (Kelly), ainda adolescente, meio tímida e sempre assustada. A pressão psicológica exercida por Valentina sobre a neta é algo que supera qualquer escala de coisa despudorada, nojenta, asquerosa. Prostituição de menores bancada por membro da família merece ser abrigada no imenso guarda-chuva da liberdade de expressão?

Tem a mãe e avó (Cleide Yáconis) que adentrando seus 105 anos tem como único objetivo trair o marido Antero (Leonardo Villar) com o bonachão vivido por Elias Gleiser. Considerando que a idade somada dos dois artistas beira o bicentenário, há momentos em que o constrangimento nos faz querer mudar rapidamente de canal. A forma insidiosa com que Yáconis ludibria o marido deixa claro que se existe algo que não tem idade é o desejo de ser vulgar, sacana, o gosto irreprimível pela traição. Ajuda a destruir qualquer bom sentimento que as avós costumam inspirar como aquela angelitude espontânea, aquela bondade ilimitada emoldurada por respeitosos cabelos prateados. Tem a mãe que criou a neta como se filha fosse, caso da personagem Candê vivida pela veterana Vera Holtz. Provavelmente é a novela que leva às telas o maior número de pessoas da terceira e da quarta idades. Lastimável que em sua maioria são pessoas quando não patéticas, ao menos muito desmioladas.

Mariana Ximenes é a protagonista. Veste a personagem Clara Medeiros: uma mulher mentirosa, sem escrúpulos, que só quer tirar proveito das situações. Trabalhava como enfermeira do marido de Bete e será a única a escutar a revelação que o empresário faz à esposa antes de morrer. É neta de Valentina, a quem não suporta, e irmã por parte de mãe de Kelly (Carol Macedo), a única pessoa com quem parece ter um vínculo de afeição. Parece ter sido criada a partir da música de Reginaldo Rossi sobre aquela que iria trair o marido em plena lua de mel. E fez isso mesmo. Engana qualquer um que lhe cruze à frente. Mente com tanta naturalidade e sempre vê sua mentira vencedora absoluta. Ilude um e outro, rouba um e outro, simula incêndio para matar marido, incrimina colega de profissão, arquiteta planos mirabolantes, se vende na noite paulistana e mostra falta de caráter de forma cabal e completa.

Francisco Cuoco é Olavo, o rei do lixo. Pândego. É tão convincente em seu jeito canastrão que ninguém desperdiça alguns pensamentos do tipo “quem te viu, quem te vê”. Sua mulher é Clô, tendo uma Irene Ravache que rouba as cenas em que aparece. É falante, boa praça, a recorrente crítica aos novos ricos que, segundo Vinícius de Moraes, “não têm a dignidade de enriquecer que os ricos tinham ao empobrecer”. É a parte leve da trama, uma trama em que traição, inveja, mau caratismo, ciúmes, falsidade, deslealdade, drogas e desvios de conduta pontuam quase que cada cena e quase que cada fala. [...]

Pelo que vejo, passar 10 dias assistindo a capítulos de Passione não terá sido de todo em vão. Aprendi que se a liberdade for total, sem qualquer balizamento, sem quaisquer princípios reguladores, viveremos apenas a liberdade dos animais e não a liberdade adequada a nós, humanos. Aprendi que não basta dispor de todos os recursos humanos e materiais, não basta deter tecnologia de ponta para por em funcionamento a fábrica de ilusões que atende pelo nome de núcleo de dramaturgia de nossas principais emissoras de tevê. Há que se lutar por um tipo de arte que eleve a condição humana. Onde foi parar o senso crítico da rapaziada? Será que nenhum anunciante encontrará alguma convergência com os pensamentos ora alinhavados?

Impressiona ver tantos talentos desperdiçados com uma trama que endeusa a pequenez humana, passa ao largo de todo e qualquer valor humano, desses que uma vez vividos nos fazem pensar que a vida humana é o bem mais precioso que podemos ter. Passione é um atestado de falência múltipla dos diversos órgãos que formam o organismo da sociedade atual, onde quanto mais anormal, mais desprezível for um ser humano, maior será sua aceitação pelos demais, e quanto menos virtudes humanas uma trama tiver, maior será seu êxito comercial.

Mas, como levantar o assunto sem ser acusado de tocar as sagradas vestes da... liberdade de expressão? Por que precisamos nos contentar com um banquete faustoso, amplamente publicizado, reunindo a nata da dramaturgia brasileira experimentada nos últimos 50-70 anos, e que nos serve em horário nobre, ao longo de vários meses, nada menos que comida estragada?

Washington Araújo, 


Fonte: Observatório da Imprensa

domingo, 8 de agosto de 2010

Defendendo a Fé em Deus

Classificado pelo Sunday Times como “marxista, religioso, velho e punk”, o crítico cultural Terry Eagleton mostrou na manhã de hoje (7) que o jornal inglês poderia ter acrescentado mais um adjetivo à lista: mordaz. Estrela da mesa “Andar com fé”, mediada pelo jornalista Silio Boccanera, Eagleton não poupou farpas na direção de seus mais notórios contendores. O principal deles, Richard Dawkins, que esteve na Flip 2009. “Dawkins é antiquado, parece um racionalista do século 19 em sua crença de que Deus é um mal da evolução. Repete que não acredita em Deus, mas não tem a menor ideia de o que Deus significa”, afirmou. Eagleton foi irônico ao apontar um suposto paradoxo no discurso do cientista: “Ele acredita que, se não fosse a religião, poderíamos caminhar para frente rumo a um novo Iluminismo. Não consigo pensar em algo mais supersticioso do que isso.”

Nas considerações sobre Deus e religiosidade, sobrou também para outro ateísta célebre: o jornalista Christopher Hitchens, que também já veio à Paraty (Flip 2006). “Ele acha simplesmente que a religião é uma coisa nojenta. Mas é melhor argumentar com Hitchens do que com o camareiro da rainha, que não vai perguntar se você quer ser lavado em sangue de ovelha, apenas se você quer um Brandy”, disse Eagleton, com senso de humor puramente britânico.

O crítico centrou fogo ainda no que chamou de “islãfobia”, salientando que não se pode confundir uma minoria adepta do Islamismo radical – “que mata pessoas em nome de Alá” - com milhares de muçulmanos. E propôs que o Ocidente faça um mea culpa: “Há uma variedade texana do Islamismo, e várias formas de Islamismo evangélico, no mundo e aqui mesmo, no Brasil. Mas os liberais sempre acham que os bárbaros são os outros, como se a tradição ocidental fosse isenta de barbarismos.”

Ao abordar, instado por Boccanera, a relação entre marxismo e fé, o crítico lamentou que a famosa frase do mentor da doutrina comunista seja em geral compreendida fora de seu contexto: “Antes de dizer que é o ópio do povo, Marx afirmou que a religião é o coração de um mundo sem coração.” Apesar de marxista, Eagleton fez a ressalva de que não subscreve tudo o que o filósofo escreveu. “Não conheço freudiano que concorde com todas as teorias de Freud, nem darwiniano que acredite em tudo o que Darwin defendeu. A não ser Dawkins, é claro”, comentou ele, na alfinetada final.

Fonte: Flip

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Oração

Senhor! Dá-me esperança... Leva-me de mim a tristeza e não a entregues a mais ninguém.
Senhor!... Planta em meu coração a sementeira do amor, e arranca de minha alma as rugas do ódio.
Ajuda-me a transformar meus rivais em companheiros, meus companheiros em amigos, e meus amigos em entes queridos. 
Deus! Concede-me força para dominar meus desejos, e racionalidade para vencer a mim mesmo nas minhas ilusões. Fortifica meu olhar para que eu veja os defeitos de minha alma, e fecha meus olhos para que eu não comente os defeitos alheios. 
Dá-me o gosto de saber perdoar... e afasta de mim os desejos de vingança.

Rabindranath Tagore
Escritor Italiano (1861-1941) 

domingo, 1 de agosto de 2010